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Trudruá Dorrico

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Livro de memórias denuncia silenciamento de línguas indígenas

PET-Indígena - Divulgação
PET-Indígena Imagem: Divulgação

Julie Dorrico

15/06/2022 06h00

Em 2020, o Programa de Educação Tutorial-Indígena (PET) do curso de Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) divulgou uma campanha chamada "Fala Parente! Relatos da covid-19", que, durante 100 dias ininterruptos, entre 21 de maio a 29 de agosto de 2020, divulgou em sua página do Facebook relatos dos parentes indígenas sobre a situação de suas aldeia e famílias e os impactos causados pela chegada da covid.

Esses relatos ecoaram as vozes dos Apalai, Galibi Kalin'a, Galibi-Marworno, Karipuna, Palikur-Arukwayene, Tiriyó/Kaxuyana e Waiãpi, povos localizados no Amapá e norte do Pará, que deram seus testemunhos a partir das realidades vivenciadas em 11 aldeias indígenas, além das cidades de Oiapoque, Macapá, Belém, Brasília e Saint-Georges-de-l'Oyapock, na Guiana Francesa.

A repercussão do projeto foi muito grande, ajudou a visibilizar as vozes indígenas e a denunciar a situação de descaso e de precariedade do atendimento à saúde em que várias aldeias se encontravam. Em 2021, esses relatos foram reunidos no livro "Fala parente! A COVID-19 chegou entre nós", um importante registro da pandemia entre os povos indígenas.

Neste ano, dando continuidade ao projeto de inclusão e visibilidade étnico-racial indígena, O PET-Indígena convida os parentes para seu novo projeto, o "Fala Parente! Memórias de uma língua que não pôde ser falada", em que receberá relatos de parentes de todo o Brasil sobre as situações de silenciamento de suas línguas originárias, em níveis individuais e coletivos, com o objetivo de visibilizar tais situações e de discutir o preconceito destinado aos indivíduos e povos indígenas que não falam uma língua indígena.

Concomitantemente, este projeto iniciado pelo PET-Indígena de forma independente fortalece a Década Internacional das Línguas Indígenas (2022-2032) instituída na Assembleia Geral das Nações Unidas, como resultado do Ano Internacional das Línguas Indígenas, proclamado pela UNESCO, em 2019.

Os estudantes indígenas que integram o Programa de Educação Tutorial da Universidade Federal do Amapá pertencem aos povos que habitam o estado do Amapá na fronteira com a Guiana Francesa, tais como Galibi-Marworno, Karipuna e Palikur-Arukwayene. São eles, Cleysi Narciso Silva (Galibi-Marworno), Diogo Monteiro dos Santos (Karipuna), Keila Felício Iaparrá (Keyla Palikur) - Palikur-Arukwayene, Luene Aniká dos Santos (Karipuna), Ilda Silva Pastana (Galibi-Marworno), Nadilson Felipe (Karipuna), sob tutoria da docente Dra. Elissandra Barros.

Programa busca ampliar o alcance entre os estudantes indígenas por meio da publicação acadêmica

O convite é para que parentes de todo o Brasil que tenham experiências de silenciamento de suas línguas maternas relatem suas experiências, que serão divulgadas e, posteriormente, reunidas na obra "Fala Parente: Memórias de uma língua que não pôde ser falada". Os relatos podem ser enviados para o endereço de e-mail: petindigena.clii@gmail.com.

No Brasil, último censo do IBGE (2010) sinalizou 274 línguas indígenas. Patrimônio cultural ameaçado, as línguas indígenas representam identidade e memória coletiva de povos étnicos. Falar sobre a perseguição e risco de extinção das línguas é uma mobilização extraordinária em defesa dos povos originários para que a legislação monolíngue não torne a ser repetida.

Serviço

Livro "Fala Parente: a COVID-19 chegou entre nós"

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