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Fred Di Giacomo

A música goiana que Rodolffo não ouve: conheça Goiânia Rock City

Lollapalooza Brasil 2019 - Carne Doce - Mariana Pekin/UOL
Lollapalooza Brasil 2019 - Carne Doce
Imagem: Mariana Pekin/UOL
Fred Di Giacomo

Caipira punk de Penápolis, sertão paulista, Fred Di Giacomo é escritor e jornalista. Foi editor e professor na Énois, escola de jornalismo para jovens de periferia, onde editou o "Prato Firmeza: guia gastronômico das quebradas de SP" (finalista do Prêmio Jabuti). Seu primeiro romance "Desamparo" (Reformatório, 2018) foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e um dos vencedores do Edital Para Publicação de Livros da Cidade de São Paulo. Nesta coluna, propõe um espaço para refletir, investigar e divulgar o trabalho de artistas do interior, sertões, pampas e florestas que se encontram longe demais de grandes capitais.

02/02/2021 04h00

"Todo goiano tem, sim, uma relação com o rural. Todo mundo passou um bom momento em uma fazenda ou em uma chácara. A pamonha que é uma comida de roça é um ícone da nossa culinária. O que vocês comem aí em São Paulo não dá nem para chamar de pamonha".

O comentário acima não é uma análise das lembranças rurais que o goiano Rodolffo Matthaus, cantor da dupla Rodolfo & Israel e participante do BBB 21, tem destilado no reality show global. Ele é uma declaração de Pablo Kossa, autor do livro "10 Anos de Goiânia Noise - Em Terra de Cowboy quem Toca Guitarra é Doido", um dos criadores do festival "Vaca Amarela" e sócio da produtora Fósforo Cultural. Pablo faz parte de uma das cenas undergrounds mais fortes do Brasil, que emergiu na terra do sertanejo há pelo menos 26 anos.

Desde 1995, Goiás e, especificamente sua capital Goiânia, passaram a não ser apenas um ícone da música sertaneja, mas do rock independente brasileiro quando surgiu na cidade o festival Goiânia Noise já com uma apresentação da garageira Mechanichs. Na sequência, nasceria a gravadora Monstro Discos, o festival Bananada e a cena de guitarras sujas de MQN e Hang the Superstars. Essa cena, no entanto, possuía uma característica interessante: nenhuma das bandas locais se tornou um Skank (MG) ou Chico Science (PE), que estouraram nacionalmente e "conquistaram" o eixo pop de Rio-SP.

Montagem - Montagem/Reprodução - Montagem/Reprodução
Boogarins e Carne Doce são dois destaques roqueiros das terras de Rodolffo
Imagem: Montagem/Reprodução

"Aqui não teve o fator, mangue beat, em que Chico Science & Nação Zumbi e mundo livre s/a ficaram gigantes diante do resto. Goiânia não teve essa [grande] banda. Se tivesse, talvez a história fosse diferente. Mas, como não teve, acabou que um festival [Goiânia Noise] foi maior do que uma banda específica", diz Pablo Kossa. Para ele, essa característica deu um caráter coletivo para a cena da cidade, que se tonou mais lembrada pelos grandes festivais, caso do Goiânia Noise. Nessa geléia coletiva "bandas com estéticas completamente distintas se retroalimentavam, compartilhavam estúdio, palcos e músicos". Isso não quer dizer que bandas como Boogarins, Black Drawing Chalks e Carne Doce não tenham emplacado hits roqueiros em palcos e redes sociais e ganhado popularidade, inclusive, fora do país; caso do psicodelismo do Boogarins. Outras bandas trilharam caminhos mais pop, como o Pedra Letícia, frequentemente comparada com os Mamonas Assassinas, que fez parte do "Programa do Porchat" da TV Record, enquanto outras mantiveram os pés no underground, mas colheram elogios da crítica como a Violins.

Abaixo listo nove músicas de bandas roqueiras nascidas no mesmo estado que deu à luz a Rodolffo & Israel, Marília Mendonça e Leandro & Leonardo:


Carne Doce

Boogarins

Black Drawing Chalks

Pedra Letícia

Violins

Chá de Gim

Mechanics

Hang The Superstars

Cambriana