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Compass híbrido x a combustão: vale pagar o dobro da versão mais vendida?

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

28/07/2022 04h00

Em abril, a Jeep lançou no País a versão Série S 4xe do Compass, a primeira da marca com motorização híbrida em nosso mercado - e a única do tipo com tração 4x4 e reduzida à venda no Brasil.

Importada da Itália, a novidade é do tipo plug-in, cujas baterias podem ser recarregadas durante frenagens e desacelerações e também na rede elétrica.

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Dessa forma, o 4xe pode rodar mais de 40 km sem gastar uma só gota de gasolina (ele não é flex), em condições ideais de uso, ou combinar os propulsores 1.3 turbo a combustão e os dois elétricos para proporcionar baixíssimo consumo - que pode passar de 20 km/l na cidade.

A má notícia é que o Compass híbrido tem preço sugerido de R$ 350 mil, bastante superior ao valor cobrado pelas configurações convencionais.

Para se ter uma ideia, a versão Longitude Flex, a mais vendida do utilitário esportivo médio mais emplacado do Brasil, hoje sai por R$ 178.690 - quase metade do custo do híbrido.

Vale a pena gastar tanto dinheiro no "Jeep do futuro" ou é melhor partir para a variante mais racional e preferida pelos consumidores?

Confira o duelo a seguir e tire suas próprias conclusões.

Compass híbrido x Longitude Flex: duelo de versões

FICHA TÉCNICA JEEP COMPASS SÉRIE S 4XE

Jeep Compass Série S 4xe - Marcelo Justo/UOL - Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Preço: R$ 349.990

Motor: 1.3 turbo a gasolina, 4 cilindros, mais 2 motores elétricos (um em cada eixo)

Câmbio: automático de 6 marchas, tração integral

Potência: 240 cv (combinada)

Torque: 27,5 kgfm a 1.750 rpm (motor a combustão) e 25,5 kgfm (modo 100% elétrico)

Aceleração de 0 a 100 km/h: 6,8 segundos

Velocidade máxima: 206 km/h

Dimensões: 4,40 m de comprimento, 1,82 m de largura, 1,64 m de altura e 2,64 m de distância entre-eixos

Peso: 1.908 kg

Porta-malas: 420 litros

Tanque: 36,5 litros

FICHA TÉCNICA JEEP COMPASS LONGITUDE FLEX

Jeep Compass Longitude Flex - Marcelo Justo/UOL - Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Preço: R$ 178.690

Motor: 1.3 turbo flex, 4 cilindros

Câmbio: automático de 6 marchas, tração dianteira

Potência: 185 cv

Torque: 27,5 kgfm a 1.750 rpm

Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,3 segundos

Velocidade máxima: 206,5 km/h

Dimensões: 4,40 m de comprimento, 1,82 m de largura, 1,63 m de altura e 2,64 m de distância entre-eixos

Peso: 1.585 kg

Porta-malas: 476 litros

Tanque: 60 litros

DESIGN

Jeep Compass Série S 4xe detalhe dianteira - Marcelo Justo/UOL - Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Na reestilização lançada em abril do ano passado, a primeira da atual geração, lançada no Brasil em 2016, o Compass ganhou mudanças sutis por dentro e por fora.

Na parte externa, grade dianteira, para-choques, faróis e parte interna das lanternas traseiras foram redesenhados. O SUV também ganhou novas rodas de liga leve.

Por dentro, volante e painel ganharam mudanças sutis, enquanto o quadro de instrumentos passou a ser 100% digital em tela de 10,2 polegadas nas configurações mais caras.

As modificações fizeram bem a um modelo que, na minha opinião, é um dos mais bonitos da categoria e tem no design um dos seus principais trunfos.

Visualmente, a versão híbrida plug-in e a Longitude flex são praticamente idênticas, com leve vantagem para a versão mais cara, que se destaca com suas rodas raiadas de 19 polegadas com pintura preta - no Longitude, elas têm aro 18 e acabamento prata e também chamam a atenção.

O Série S 4xe também sai na frente no quesito aparência ao vir de fábrica com teto pintado de preto e carroceria com a bela cor Blue Shade, exclusiva da configuração híbrida plug-in.

Por fim, a versão mais cara do Compass é a única a trazer emblemas externos com contorno azul, que combinam com a proposta sustentável e dão mais um toque de exclusividade.

EQUIPAMENTOS

Jeep Compass Série S 4xe detalhe painel - Marcelo Justo/UOL - Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Nesse aspeto o vencedor só pode ser o Compass Série S 4xe, pois é a versão de topo, que traz todos os equipamentos disponíveis de tecnologia, segurança, conforto e conectividade.

A lista de itens de série é extensa e inclui sete airbags, painel digital com tela de 10,25 polegadas, central multimídia de 10,1 polegadas que espelha celulares via Android Auto e Apple CarPlay sem fio, bancos de couro, teto solar panorâmico, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, banco do motorista com ajustes elétricos e sensor de chave.

Também traz pacote de assistências de condução formado por controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência, assistente de manutenção de faixa (que não chega a esterçar o volante sozinho, só ajuda a corrigir a rota), farol alto automático e sensor de pontos cegos.

Em relação ao modelo brasileiro, o Compass italiano traz a mais as câmeras com visão em 360 graus, novos recursos no sistema Adventure Intelligence (que identificam postos de recarga e habilita integração com Alexa) e o som Alpine com 506 watts.

Por ser a segunda versão mais simples, o Compass Longitude Flex perde muitos desses equipamentos, mas está longe de ser "pelado".

Pelo contrário: seu painel é analógico, mas tem ao centro tela colorida de sete polegadas com ótima resolução; a multimídia é quase idêntica, contudo só tem câmera traseira; os bancos de couro são itens de série; o controle de velocidade de cruzeiro não é adaptativo, mas está instalado; sete airbags fazem parte dos equipamentos de fábrica; o ar-condicionado também tem duas zonas e saídas para o banco traseiro; e sistema de som com seis alto-falantes.

Vale destacar que a unidade testada traz itens que não estão mais disponíveis para a versão Longitude Flex e eram disponibilizados em pacote opcional, que saiu de linha: retrovisores com rebatimento automático, assistente de estacionamento, sensores dianteiros de estacionamento, carregamento de celular por indução, som Beats, partida remota e acabamento interno 'steel gray'.

Hoje, o único item opcional dessa configuração é o teto solar panorâmico, que acrescenta R$ 8.653 ao preço final.

VIDA A BORDO

Jeep Ciompass Longitude Flex cabine geral - Marcelo Justo/UOL - Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Mesmo nas versões mais simples, o Jeep Compass traz acabamento interno acima da média na sua categoria, que inclui revestimento macio ao toque nas portas dianteiras e na parte superior do painel.

Por falar em painel, na configuração híbrida ele traz acabamento de couro sintético na parte central - o Longitude Flex não é tão luxuoso, mas mantém o padrão geral de qualidade e não fica devendo nesse aspecto.

Nas duas versões, o console central exibe revestimento preto brilhante, que ajuda a reforçar a impressão de sofisticação a bordo.

As suspensões trazem uma boa combinação entre dirigibilidade mais afiada, sem adernar muito a carroceria em curvas e mudanças de trajetória, e conforto ao rodar - principalmente no Compass Longitude, cujos pneus têm perfil um pouco mais alto.

Outro ponto positivo é a saída do ar-condicionado para os ocupantes do assento traseiro, que também contam com porta USB A para recarga de smartphones e outros dispositivos móveis - a configuração 4xe acrescenta uma porta USB do tipo C e uma tomada de 127 V convencional para quem viaja atrás.

Com 2,64 m distância entre-eixos, as duas versões oferecem bom espaço para as pernas no banco de trás para a maioria das pessoas - embora o conforto seja reduzido se houver três passageiros ali.

O porta-malas é apenas razoável nas duas configurações e na 4xe sua capacidade cai de 476 para 420 litros por conta do sistema de tração 4x4.

DESEMPENHO E CONSUMO

Jeep Compass Série S 4xe lateral dinâmica - Marcelo Justo/UOL - Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Se o Compass ficava devendo emoção com o antigo motor 2.0 flex aspirado, o jogo virou com a chegada da motorização 1.3 T270 bicombustível, sempre acompanhada da transmissão automática de seis velocidades.

Com todo o torque disponível a apenas 1.750 rotações, as respostas ao acelerador são prontas e prazerosas - sem contar a maior segurança na estrada, durante retomadas e ultrapassagens, principalmente em rodovias de pista simples.

O câmbio esperto, as suspensões bem calibradas e a direção relativamente ágil para a proposta do carro contribuem para essa condução esperta.

Na versão Longitude, ainda dá para trocar as marchas manualmente, na alavanca ou por meio de aletas atrás do volante, e tem até um modo "Sport" que deixa o pedal do acelerador mais esperto, troca as marchas em rotações mais altas e deixa o volante um pouco mais firme.

Ou seja: as configurações T270, incluindo a Longitude, agradam bastante em relação ao desempenho - a Jeep informa que a aceleração de zero a 100 km/h acontece em 9,3 segundos na segunda configuração mais barata do SUV médio.

Já o consumo poderia ser melhor: com etanol, obtive médias de aproximadamente 6 km/l na cidade e 10 km/l na estrada.

Por sua vez, o 4xe agrega 60 cv extras graças ao motor elétrico no eixo traseiro, mas essa cavalaria adicional só aparece em sua plenitude com as baterias suficientemente carregadas.

No modo elétrico, a potência fica restrita a 60 cv e a velocidade não passa de 130 km/h, mas esses números são mais do que suficientes para rodar na cidade, graças ao generoso torque de 25,5 kgfm.

Na prática, o ganho em desempenho da versão híbrida plug-in não é tão perceptível, ao menos para mim, no uso cotidiano.

Segundo a fabricante, apesar do peso de 1,9 tonelada, mais de 300 kg maior do que o da versão Longitude Flex, o Compass 4xe é capaz de sair da imobilidade e chegar a 100 km/h em respeitáveis 6,8 segundos.

Indo direto ao ponto, a variante eletrificada brilha mesmo é quanto ao consumo: constatei que as médias de excelentes 25,4 km/l na cidade e de 24,2 no ciclo rodoviário são factíveis no mundo real e podem até ser superadas: cheguei a mais de 30 km/l com bastante carga nas baterias - cuja recarga em um wallbox de 7,4 kW forcedido à parte pela Jeep leva pouco menos de duas horas - em carregadores de 50 kW, o tempo cai para cerca de 45 minutos.

Mesmo se você nunca recarregar as baterias de 11,4 kWh na rede elétrica, o 4xe as reabastece com o próprio movimento das rodas, nas frenagens e nas desacelerações. Se você tiver o pé direito leve, ele aproveita o quanto pode para rodar só na eletricidade ou no embalo, proporcionando média de 15 km/l ou até superior no ciclo urbano.

Como a capacidade das baterias é consideravelmente maior na comparação com híbridos convencionais, que não são "plugáveis" na tomada, o Compass consegue recorrer mais vezes à eletricidade no dia a dia e, assim, proporciona menor consumo.

Vale destacar que, além do modo Sport, a versão híbrida conta com três opções de condção: híbrida, que vai acionar os motores elétricos o máximo possível; E-Save, que prioriza a recarga das baterias com o veículo em movimento; e elétrica.

O motor elétrico dianteiro também funciona como gerador e só assiste o propulsor térmico para poupar gasolina e dar uma força extra nas acelerações - apenas o motor traseiro a baterias consegue tracionar o utilitário esportivo por conta própria.

Não vamos esquecer que o Compass 4xe tem tração nas quatro rodas e testamos essa capacidade, rodando cerca de 70 km em estrada de terra no interior de São Paulo, razoavelmente bem conservada. Nesse modo, o motor a combustão fica sempre ligado e o consumo aumenta bastante.

É fato que o Jeep consegue lidar com vias asfaltadas em piores condições, mas seus pneus de asfalto com rodas de 19 polegadas limitam bastante essa capacidade.

CUSTO-BENEFÍCIO

Jeep Compass Longitude Flex frente chapada - Marcelo Justo/UOL - Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Se você for racional antes de fechar negócio, gastar R$ 350 mil em um Jeep Compass não parece fazer muito sentido - por R$ 287.690, dá para continuar na Jeep e levar um Commander turbodiesel com tração 4x4 e praticamente todos os equipamentos do 4xe.

Vale destacar que o Jeep Compass não híbrido sai por R$ 243.590 nas versões Limited e Trailhawk, que também são equivalentes quanto aos itens de série e trazem igualmente tração nas quatro rodas e motor a diesel.

Levando o custo-benefício ainda mais longe, não é por acaso que a configuração Longitude Flex do Compass é a mais vendida: traz quase todos os itens mais valorizados pelos consumidores a um custo abaixo de R$ 180 mil - que inclui o excelente desempenho do motor 1.3 turbo bicombustível, que estreou juntamente com o facelift no ano passado.

Nunca é demais lembrar, por outro lado, que a configuração Série S 4xe traz baixíssimo consumo de gasolina, enquanto a eficiência energética das versões flex e turbodiesel fica bem abaixo.

Só que, pela diferença gigantesca no preço entre os carros deste comparativo, seriam necessários muitos anos para compensá-la nos abastecimentos - ou nas recargas, se você preferir rodar predominantemente no modo elétrico.

Portanto, no quesito custo-benefício, a vitória não poderia deixar de ser do Compass Longitude Flex, que entrega bastante quase pela metade do preço.

VENCEDOR

Jeep Compass Série S e Longitude Flex traseira - Marcelo Justo/UOL - Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Como explicamos no item anterior, uma comparação entre veículos tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes não tem um vencedor.

Se o foco for o custo-benefício, a vitória da versão Longitude Flex é incontestável, considerando o que ele oferece e o fato de ter quase a metade do preço.

Também é inegável que a configuração 4xe é melhor em todos os outros aspectos, sem contar que, na prática, você leva um automóvel "3 em 1": SUV urbano frugal e confortável; carro elétrico para deslocamentos curtos; e utilitário esportivo com tração nas quatro rodas.

A Jeep sabe disso e traz a versão híbrida plug-in da Itália para os fãs mais ferrenhos e endinheirados da marca e também para apontar o rumo que está tomando rumo a um planeta sem motor a combustão.

É fato que o preço dessa configuração ainda é bastante elevado, mas também é verdade que nos próximos anos, com a disseminação das tecnologias híbridas e elétricas nos automóveis, o custo cairá, e nao será pouco.

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