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Como coleção milionária de Gol GTI inflacionou preço do clássico da VW

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

16/06/2020 20h21

Lançado em 1988, o Volkswagen Gol GTI foi o primeiro carro nacional equipado com injeção eletrônica. Na época, era um automóvel com produção limitada e fora do orçamento da maioria dos brasileiros.

Passados mais de 30 anos, o hatch virou febre entre colecionadores e seu preço só cresceu. Alguns se dispõem a pagar altas quantias por um exemplar em bom estado e sem restauração.

"Já vi Gol GTI sendo vendido por R$ 150 mil", relata Silvio Luiz, proprietário da loja Old is Cool Motors, localizada na capital paulista.

Uma parcela considerável dos GTI não restaurados, os mais valorizados, pertence a um colecionador de Curitiba (PR): o empresário Fabio Costa, dono de 19 unidades do agora clássico.

"Tenho de todas as cores e derivações. Dos 19 carros, 60% deles são originais, sem restauração, com no máximo algum retoque. Os demais, na sua maioria, só tiveram a carroceria repintada e trazem mecânica e interior de fábrica", conta o colecionador de 37 anos.

Ele tem poucos carros totalmente restaurados, a exemplo de um 1993 que recebeu pintura prata. "É uma cor exclusiva, a Volkswagen nunca vendeu GTI nessa tonalidade", diz.

O primeiro da frota

Fabio Costa Coleção Gol GTI Curitiba primeiro frota - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Costa começou a coleção em 2006, quando adquiriu um exemplar cinza 1992
Imagem: Arquivo pessoal

O empresário conta que seu primeiro Gol GTI, o preferido da coleção, é modelo 1992, tem carroceria cinza e foi adquirido em 2006 por R$ 32 mil, quando tinha rodado 36 mil km.

Foi uma barganha, se levarmos em conta os preços atualmente praticados.

Ele comprou o carro de Reginaldo Gonçalves, o Reginaldo de Campinas, negociante especializado em veículos antigos, raros, pouco rodados e sem restauração.

Acostumado a garimpar preciosidades automotivas, Reginaldo estima que existam atualmente menos de dez exemplares do GTI no País nunca restaurados nem repintados, sem contar os carros de Costa.

"De GTI só repintado, sem restaurar, hoje são de 40 a 50 veículos. Existem cerca de oito totalmente originais, além das unidades do Fabio", afirma Gonçalves.

Ou seja: a julgar pela estimativa, o colecionador de Curitiba tem mais da metade dos GTI mais valiosos do Brasil - e isso ajuda a explicar como os preços desses carros têm "inflacionado" tanto.

Segundo Fabio Costa, ele já recusou propostas por alguns veículos da sua coleção por não atingirem o preço que considera justo. Caso vendesse cada Gol da "frota" por R$ 150 mil, ele arrecadaria nada menos do que R$ 2,85 milhões.

'Ideia não é vender'

Fabio Costa Coleção Gol GTI Curitiba GTI lateral - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O colecionador sonhava em ter Gol GTI na adolescência e hoje possui a maior coleção
Imagem: Arquivo pessoal

"Minha ideia não é vender, mas, dependendo da oferta, posso considerar. Vendi recentemente duas unidades, mas foi para trocá-las por exemplares em melhor condição".

A maior parte dos GTI é da primeira geração, com carroceria "quadrada", enquanto dois carros são do modelo "bolinha", ambos 1999 - o último ano de fabricação com esse visual.

"Um deles é muito raro, pois tem quatro portas e airbag duplo. Poucos sabem que a Volks vendeu Gol GTI com essa configuração".

Costa relata que a quilometragem média da coleção é inferior a 80 mil km.

"Tem carros que eu nunca dirigi. Porém, ultimamente, comecei a aproveitar mais. Todos os meses, escolho um deles e fico rodando durante uma semana, até para verificar se tem algum reparo para fazer. Não gasto muito com manutenção, o custo maior é do aluguel do galpão onde mantenho os veículos".

450 km para comprar 2 carros

Fabio Costa Coleção Gol GTI Curitiba interior - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Fabio Costa pegou a estrada para convencer dono a vender dois Gol GTI
Imagem: Arquivo pessoal

A busca pelas raridades sempre rende boas histórias. Costa lembra que há alguns anos rodou cerca de 450 km até uma cidade no interior do Paraná, acompanhado de um amigo, também colecionador de Gol GTI e morador da capital paranaense.

A viagem tinha o objetivo de comprar dois exemplares do esportivo, ambos 1993 - um com pintura branca perolizada e outro cinza -, além de peças.

"A negociação estava difícil, o dono mudava de ideia sobre a venda a todo momento. Foi então que decidimos ir até a casa dele, mesmo sem fechar negócio. Telefonei avisando que já estava em frente à residência e ele acabou vendendo".

Fabio Costa se diz apaixonado por carros e tem hoje cerca de 80 veículos, boa parte da Volkswagen, mas também é dono de Porsche e Ferrari - alguns dos carros são preparados.

"Tenho o mesmo prazer dirigindo Ferrari ou Gol GTI. A parte legal de ter coleção são as amizades. Todos os anos, sempre antes do Carnaval, eu e amigos promovemos um encontro de colecionadores do GTI de todo o Brasil. Já estamos na 12ª edição".