PUBLICIDADE
Topo

Benê Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Ambulâncias mais seguras com móveis de plástico ABS com antimicrobiano

Conteúdo exclusivo para assinantes
Benê Gomes

Jornalista e produtor de TV, desde 2001 atua como profissional especializado no segmento automotivo. Assina o boletim diário Sexta Marcha, da Rádio Transcontinental FM de SP, dirige e apresenta o_ _Programa Momento Vox – BAND SP. É diretor da Onze Produções, produtora de vídeo e conteúdo digital, e é o idealizador do Programa Auto+, onde atuou por 15 anos

Colunista do UOL

03/10/2021 04h00

A evolução tecnológica impactou positivamente todos os setores das nossas vidas, inclusive um vital para todos, o de atendimento à saúde. É o caso das nossas tradicionais ambulâncias, veículos onipresentes no trânsito de praticamente todas as cidades do mundo.

No Brasil, há versões diferentes para cada tipo de atendimento, conforme normas técnicas e de segurança definidas pelo Ministério da Saúde. São classificadas por letras e se diferenciam pela quantidade e perfil de profissionais a bordo, além da estrutura de equipamentos disponível no veículo.

As mais populares são as do tipo A, B e C. A primeira tem estrutura para remoções simples de pacientes sem risco de vida, enquanto a segunda atende casos de remoção de pacientes com risco de vida desconhecido. Já a terceira opção pode realizar o resgate e o atendimento de vítimas de acidentes.

O bom é que as ambulâncias - assim como os veículos - evoluíram bastante e hoje garantem muito mais segurança para os pacientes e os profissionais de saúde. E como é fácil imaginar, a tecnologia deu uma boa força, elevando a capacidade de atendimento com os modernos equipamentos de saúde, mas também agilizando a operação dos dispositivos.

Um exemplo direto é o painel 100% digital para controle dos diferentes recursos disponíveis na cabine de atendimento. Além de eliminar os antigos fusíveis e os riscos de superaquecimento e queima, traz recursos como entrada USB e alerta de portas abertas.

Mas quando a pergunta é sobre a capacidade de proteção dos pacientes e socorristas, o tema fica mais interessante com a evolução notada em outros pontos também essenciais, como os revestimentos.

Numa conversa com Eduardo Lourenço, diretor da Alternativa Veículos Especiais, descobrimos que depois da ampla utilização da madeira naval e do composto de plástico com fibra de vidro na estrutura interna das ambulâncias, a empresa deu um passo adiante ao desenvolver com seus parceiros e fornecedores especializados, os revestimentos feitos com o plástico ABS (Acrilonitrila Butadieno Estireno). É um material amplamente utilizado nos revestimentos dos automóveis, muito resistente, versátil para moldagem e, importante, 100% reciclável.

Um pouco depois veio outro aprimoramento para esse produto, com a introdução do aditivo antimicrobiano no composto de plástico ABS, combinação que criou um material com altíssima capacidade de proteção contra contaminação.

"O ABS já estava disponível para qualquer empresa especializada em produção de ambulâncias. O que fizemos foi procurar uma solução para aperfeiçoar esse produto, lançando aqui um composto que já é muito utilizado em países europeus, por exemplo", explica Eduardo.

Falando com o especialista, dá para listar vários trunfos do plástico ABS quando utilizado em uma ambulância. Começa pelo peso reduzido, passa pela versatilidade para moldagem de peças e chega a um diferencial de grande valor para um veículo de socorro médico: em caso de acidente, as peças em ABS se deformam e retomam o formato original. Ou seja, não quebram e nem criam objetos cortantes, algo que normalmente acontece materiais produzidos com o composto de plástico com fibra de vidro.

Além disso, o ABS permite assepsia completa com água, outro diferencial valiosíssimo para um ambiente que exige proteção contra contaminantes. "O plástico ABS com antimicrobiano garante 97,7 % de proteção contra vírus e bactérias em um ambiente confinado, como é o caso da ambulância; quando o vírus ou a bactéria toma contato com a superfície com antimicrobiano, rapidamente deixa de se reproduzir.

Mais proteção

Recentemente, outra boa notícia, quando a empresa e seus parceiros conseguiram avançar no quesito proteção contra vírus e bactérias, pois passaram a produzir também os móveis e compartimentos em ABS com antimicrobiano. Junto com essa proteção quase 100% no interior do veículo, vieram outros benefícios que impactam diretamente no orçamento do empresário do setor.

Com o uso massivo de ABS, o peso da ambulância pode ser reduzido em até 150 kg; ou seja, um carro mais leve gasta menos combustível e alivia o desgaste de componentes dos sistemas de freio e de suspensão, diminuindo os gastos com manutenção.

Aliadas para atendimento hospitalar no período de pandemia

Indo adiante, essas novas ambulâncias podem ser encaradas como grandes aliadas dos hospitais brasileiros neste momento em que a demanda de atendimento subiu exponencialmente devido os casos de covid-19. "Casos como vimos na cidade de Manaus, no início do ano, poderiam ser bem aliviados com as ambulâncias UTI dotadas com essa alta capacidade de proteção oferecida pelos móveis e revestimentos com antimicrobiano, destaca Eduardo.

Neste momento a Alternativa conta com projeto pronto desenvolvido para produção de dois modelos: Mercedes Sprinter de 10,5 metros cúbicos; e Renault Master L2H2. Para o executivo, com o andamento normal de produção "e um pouco mais de atenção das autoridades de saúde para criar regras e exigências para o uso desse tipo de composto", as novas ambulâncias com móveis e revestimentos em ABS com antimicrobiano poderão ganhar mais popularidade e rápido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL