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Como Tracker encara quarentena e alta de preços com vendas bombando

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

16/08/2020 04h00

Lançado praticamente junto com o início da quarentena da pandemia de coronavírus, a nova geração do Chevrolet Tracker poderia muito bem ter amargado um período de frustração, ainda mais se tratando de um modelo todo reformulado e que participa de um segmento equilibrado, com várias opções interessantes.

Mas, para alegria da fabricante, o resultado foi diferente, com vendas que chegaram a zerar o estoque durante a pausa forçada na produção provocada pela pandemia. Sinal de que a receita que reúne desenho mais provocativo, oferta de dois motores turbo flex de 03 cilindros e requintados sistemas de segurança foi acertada.

Falando do que mudou, dentro é indisfarçável a semelhança com a família Onix, pois painel, conjunto de instrumentos e sistema multimídia são praticamente iguais. Só não pense que vai encontrar simplicidade no acabamento, que no Tracker é diferente. Depois, pelo menos pra mim, esta nova geração despertou muita curiosidade a respeito do motor 1.2 turbo de 133 cavalos de potência. Ele substituiu o antigo 1.4 também turbo, mas que era mais forte, com 153 cavalos.

Para os mais apressados e que se preocupam com a potência menor, a verdade é que o 1.2 turbo não fica devendo em quase nada em relação ao que era oferecido na geração anterior. A nova realidade do Tracker - agora com uma carroceria mais aerodinâmica e quase 150 quilos mais leve - facilitou o trabalho do propulsor menor.

Na versão de entrada, equipada com o motor 1.0, há o câmbio manual de seis marchas, mas nas versões 1.2 a transmissão é sempre automática de 6 marchas. Nesse caso, o acerto é muito confortável para as trocas, que são feitas com agilidade também quando necessário. E sim, os mais exigentes vão observar que mesmo neste novo Tracker ainda falta a opção de trocas manuais por aletas no volante.

Mas, no geral, andar com o esse SUV compacto está mais agradável, seja para um bom passeio com a família ou para encarar a estrada com peso no porta-malas; a suspensão entrega conforto e firmeza necessária em situações perto do limite, a direção com assistência elétrica facilita as manobras e passa segurança em alta velocidade.

Pacotão de segurança faz a diferença

O Tracker é bem equipado desde a primeira versão, com seis airbags, controles eletrônicos de tração e estabilidade, luz diurna de LED, sensor de estacionamento traseiro, central multimídia MyLink com tela de 8 polegadas, e por aí vai. Mas a situação é muito boa, como é de se imaginar, na versão Premier.

Nela carrega requintados sistemas de segurança, como o indicador de distância do veículo a frente com alerta de colisão e frenagem automática, e o sistema de vetorização de torque que atua nos freios para distribuir a força nas rodas dianteiras em situações limite de perda de aderência. Ou seja, dirigir um modelo desse porte e que oferece até a possibilidade de experimentar um pouco do que é uma direção semi-autônoma é um diferencial considerável.

Vendas seguem em alta, apesar do reajuste no preço

tracker - Marcos Camargo/UOL - Marcos Camargo/UOL
Imagem: Marcos Camargo/UOL

O fato é que, com essa nova proposta e em plena pandemia, o novo Tracker mal chegou e conseguiu superar até o líder Jeep Renegade. Isso aconteceu nos meses de abril e maio, situação que tem tudo para se repetir, pois o SUV da GM segue embalado nas vendas. O rival lidera com folga porque contabiliza as vendas desde o início do ano; mas no mês a mês, o Tracker é o segundo e já com certa distância dos demais concorrentes.

O objetivo de ser líder da categoria anunciado em seu lançamento não parece tão difícil assim. A não ser que o reajuste de preço atrapalhe, pois o valor inicial a partir de R$ 82 mil já pulou para R$ 87.490.