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Benê Gomes


Como saber que o motor esconde um problema sério ao comprar um carro usado

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Imagem: Reprodução
Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

22/03/2020 04h00

Quem vai comprar um carro usado sabe o quanto é importante a ajuda de um mecânico de confiança, forma mais simples e segura para não pegar um carro bonito por fora, mas que esconde problemas sérios por dentro, como um motor prestes a fundir.

São vários os pontos que você deve observar quando vai comprar um modelo usado ou seminovo, mas hoje chamo sua atenção para o motor, considerado o coração de um automóvel e que pode gerar um alto custo com reparo caso esteja com algum problema.

Para avaliar bem as condições de um motor com quilometragem mais avançada, é preciso um pouco de intimidade com mecânica e até uma dose de malícia para perceber algumas características. Um bom exemplo é o motor rajando, já ouviu falar?

Para ficar claro, é importante lembrar que dentro do motor existem algumas peças móveis que sofrem desgaste natural com o tempo de uso. É quando podem surgir alguns barulhos no interior do motor, algo provocado, por exemplo, por folgas nas bielas e virabrequim.

Nessa condição, mesmo em marcha lenta, é comum ouvirmos um espécie de rajada; sim, aquele ruído que lembra muito o som de uma metralhadora, por isso leva esse nome bem popular nas oficinas mecânicas. Mas isso pode ser provocado também pela folga excessiva nas bronzinas, conhecidas como casquilhos.

"Esse tipo de barulho aparece porque as bronzinas estão com folga e batem contra os colos dos mancais e das bielas; aí não tem jeito, o resultado é a rajada", explica Cesar Alves, da Sady Retífica de Motores. "O problema maior é que muita gente considera esse ruído algo normal, que aparece em qualquer motor depois de um tempo; mas a história não é bem assim".

Novos motores são projetados para superar os 200 mil quilômetros sem ruídos. É verdade que atualmente um motor que passa por todas as manutenções de rotina, supera fácil os 200 mil km rodados e sem apresentar barulho algum.

"Agora, aquele motor que não recebe os devidos cuidados, aí sim, pode começar a rajar e em quilometragens baixas, como 20 ou 30 mil quilômetros", lembra Cesar.

Ou seja, caso esteja analisando um modelo usado e o seu mecânico diga que o motor está rajando, é praticamente certo que será necessário fazer a retifica na parte de baixo, pois essa é a única forma de resolver o problema.

Por último, tem um outro alerta e que tem a ver com a malícia de alguns vendedores de carro, algo ainda muito presente por aqui, infelizmente. Fique atento, pois tem gente que coloca lubrificante mais grosso ou mesmo aditivos no motor que está rajando. Um jeito de aliviar os ruídos internos de um motor comprometido.

Benê Gomes