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Com redução do IPI, mercado de veículos ganha mais 150 mil unidades em 2022

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Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

12/03/2022 00h13Atualizada em 12/03/2022 13h21

A Anfavea evitou responder diretamente a pergunta de jornalistas na sua última entrevista coletiva de imprensa, esta semana. Mas a Bright Consulting, consultoria especializada na indústria automotiva, fez sua estimativa: a redução do IPI pode acrescentar ao mercado de 100 mil a 150 mil veículos somente este ano. É cerca de um mês de vendas considerando o ritmo do primeiro bimestre - em janeiro foram emplacados 116,8 mil automóveis e comerciais leves e em fevereiro 120,5 mil.

Anunciada pelo governo na véspera do Carnaval a redução de 18,5% do IPI trouxe um certo alívio aos consumidores, embora neste momento os descontos estejam na casa de 1% a 3%, de acordo com cálculos da mesma Bright. Em alguns casos, as marcas estão anulando os aumentos concedidos nos últimos meses quando, pressionadas pelos custos em elevação, precisaram corrigir suas tabelas de preços.

O conflito na Ucrânia, que pode gerar pressão nos custos de insumos e de componentes ofuscou, de certa forma, a notícia positiva de redução nos impostos, vista pela Anfavea como um primeiro passo para a tão sonhada reforma tributária. Disse o presidente Luiz Carlos Moraes que "toda redução no custo Brasil é bem-vinda".

Talvez pelo fato de ainda não ter elementos suficientes para mensurar os efeitos do conflito na Ucrânia nos negócios das montadoras o executivo evitou traduzir, em números, o impacto da redução do IPI no desempenho do mercado nacional. Moraes manteve as projeções da entidade, divulgadas em janeiro: crescimento de 8,5%, para 2,3 milhões de veículos.

Ou talvez porque imediatamente a redução do IPI não terá efeito concreto. Sabendo disso, clientes aguardam o melhor momento para consumir, até que o preço final contemple o desconto integral do tributo. Há, ainda, estoques na rede ofertados a valores anteriores ao decreto do governo federal. Além disso, existem clientes que aguardam a entrega dos seus veículos, atrasada por causa da falta de peças nas linhas de montagem nacionais.

O cenário pede prudência. Mas já não há apenas más notícias, como guerra e inflação. As boas novas começaram a surgir, como a redução no IPI e o iminente fim da pandemia. Os consumidores estão tirando as máscaras.

* Colaboraram André Barros, Caio Bednarski, Soraia Abreu Pedrozo e Vicente Alessi-Filho