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Preços nas alturas: por que carros devem ficar ainda mais caros em 2022

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Imagem: Shutterstock
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Leandro Alves

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Colunista do UOL

14/01/2022 10h45

Ano novo, preço novo. No primeiro dia útil de 2022 a tabela de algumas montadoras já apresentava correção, para cima, dos preços praticados no não tão distante 2021. O combustível acompanhou os carros esta semana, com reajuste de R$ 0,11 [o litro], em média, para a gasolina e de R$ 0,24 para o diesel vendidos pela Petrobras às distribuidoras.

Houve ainda casos de dois aumentos em menos de quinze dias, como relatado pelo Motor1.com nos SUVs Nivus e T-Cross, da Volkswagen. E o consumidor que pesquisar os catálogos das versões 2023 que acabaram de chegar em algumas concessionárias verá que os preços continuam a subir. É, a vida não tem sido fácil nesses primeiros dez dias úteis.

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Mas este movimento segue, mais ou menos, o roteiro praticado no mercado automotivo ano passado. De acordo com levantamento da KBB, Kelley Blue Book, naquele período os carros 0 KM subiram, em média, 18,9% - aqueles catalogados como modelo 2022. Enquanto isso, a inflação medida pelo IPCA, do Banco Central, fechou o ano em 10%.

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, associação que representa as montadoras nacionais, justifica os reajustes como sendo um fenômeno global. Ele comparou, na primeira coletiva da entidade, semana passada, o Brasil com os Estados Unidos: aqui, segundo as contas da Anfavea, os aumentos foram de 14%, em média. Lá os preços subiram 12%, na média.

Ele culpa os preços dos insumos, como o aço, que dobrou ao longo de 2021, o aumento nos fretes marítimos e o dólar, que no início de 2020 era cotado a R$ 4 mas terminou o ano passado na casa dos R$ 5,60. Tudo isso precisou ser repassado em alguma medida para os preços dos carros.

E, pasmem, ou não: o consumidor está aceitando! José Maurício Andreta Júnior, presidente da Fenabrave, garantiu que o fluxo em lojas continua elevado, mesmo com as correções nos preços e a demora nas entregas, reflexo do descompasso na cadeia causado pela pandemia e agravado pela escassez global de semicondutores. Em dezembro as vendas somaram 207,1 mil unidades, o melhor resultado mensal em doze meses.

À essa altura o nobre leitor já se perguntou? "Até quando consumidores continuarão absorvendo esses aumentos de preços?" É possível estender a questão para os combustíveis e os alimentos, ou para a conta de luz, que poderia ter sido reduzida agora que as chuvas abasteceram os reservatórios. São tantas incertezas que fica difícil responder cada uma delas. As montadoras, no entanto, têm suas apostas.

A Anfavea acredita que este ano serão vendidos 2,3 milhões de veículos no mercado brasileiro, volume 9,4% superior ao do ano passado. Em cenário de inflação, aumento de juros, emprego fragilizado, pandemia, eleições presidenciais e Copa do Mundo.

Enquanto houver resposta positiva do consumidor, enquanto houver demanda nas concessionárias, o movimento de reajuste de preços tende a continuar. É a clássica lei da oferta e da procura.

De volta pra fábrica. 691 trabalhadores da General Motors em São José dos Campos, SP, retornaram de lay off na segunda-feira, 10. Sem problema de semicondutores e com a demanda pela Chevrolet S10 e Traiblazer em alta, a fábrica voltou a operar em dois turnos.

SUVs em alta. 43% dos automóveis vendidos no ano passado foram utilitários esportivos, informou a Anfavea. Deixaram os hatches para trás como principal segmento do mercado brasileiro. As vendas estão crescendo, também, em tíquete médio.

* Colaboraram André Barros, Caio Bednarski e Soraia Abreu Pedrozo

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL