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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Covid-19: como variante delta pode aumentar escassez de carros no Brasil

Chevrolet Onix voltou a ser produzido, mas variante delta ainda ameaça fabricação de carros zero km - Foto: Chevrolet | Divulgação
Chevrolet Onix voltou a ser produzido, mas variante delta ainda ameaça fabricação de carros zero km Imagem: Foto: Chevrolet | Divulgação
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Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

20/08/2021 08h40

Na segunda-feira, 16, a General Motors voltou a produzir o Chevrolet Onix em Gravataí (RS), depois de quase quatro meses. O hatch, que liderou o mercado brasileiro nos últimos seis anos, sumiu do top dez em alguns momentos de 2021 e desesperou a rede concessionária, que viu seus volumes de negócios despencar.

Mas o que seria boa notícia aos revendedores Chevrolet logo foi ofuscada pelas informações que começaram a chegar do outro lado do mundo: nova onda de covid-19 na Ásia está fazendo com que a já limitada produção de semicondutores fique ainda mais escassa.

Países como Japão, Filipinas, Tailândia, Vietnã e Malásia ampliaram as restrições de circulação para conter a variante delta, que tem se espalhado em ritmo veloz na região. Assim, fábricas deixaram de produzir - e não apenas as de chips, mas de veículos e outros componentes.

A Toyota já anunciou que sua produção em setembro será 40% menor. O corte em catorze fábricas equivale a 360 mil carros, dos quais 140 mil em fábricas japonesas. Os demais nos Estados Unidos, China, Europa e em outros países asiáticos. A Volkswagen admitiu que poderá ser obrigada a tomar decisão parecida.

Sabemos as consequências disso: quando uma borboleta bate as asas do outro lado do mundo é preciso acender o sinal de alerta porque um furacão pode chegar por aqui. As já constantes paradas nas linhas nacionais por escassez de peças tendem a ficar mais intensas. A prioridade nessa crise da crise dos semicondutores não será o Brasil porque nas contas das montadoras produtos que entregam margens de lucro mais interessantes em outros mercados estão mais cotados a receber os chips.

As próximas semanas serão decisivas para avaliar o impacto das restrições de produção na Ásia. Por cautela a Volkswagen já protocolou pedido de férias coletivas, mais uma, em Taubaté (SP), para o fim do mês. É a tempestade que se aproxima?

6 milhões. Esse é o tamanho estimado para o mercado da América Latina, excluindo o México, pela Aladda, Associação Latino-Americana de Distribuidores de Veículos. Seu presidente, Alejandro Saubidet, palestrou no 3º Congresso Latino-Americano de Negócios da Indústria Automotiva, organizado pela AutoData.

Quanto em cada. O Brasil tem potencial para 3,5 milhões de unidades, de acordo com a entidade. Outras 900 mil na Argentina, 500 mil no Chile e pouco mais de 1 milhão nos demais países.

Usados. Poderia ser mais, não fosse a liberação, por alguns países, da importação de veículos usados. Só no Paraguai, nos últimos dois anos, entraram quase 50 mil carros usados, com idade média de dezoito anos.

Mais uma fabricante nacional. A Great Wall Motor comprou a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis, SP, e pretende produzir 100 mil veículos por ano lá. Será a quarta marca chinesa a manufaturar veículos no Brasil: antes dela vieram Chery, Foton e BYD.
Sucessão na família. A viúva de CAOA, Izabela Andrade, foi nomeada para presidir o Conselho de Administração da companhia.

* Colaboraram André Barros, Caio Bednarski e Soraia Abreu Pedrozo

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL