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Como pandemia e tecnologia estão impulsionando a venda de carros

Concessionária Ford - Divulgação
Concessionária Ford Imagem: Divulgação
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

16/10/2020 08h10

Três movimentos na semana passada demonstram como os negócios na indústria automobilística vêm se adaptando rapidamente aos impactos de uma nova ordem social imposta não apenas pela pandemia mas, principalmente, pelo avanço da tecnologia na vida das pessoas.

A preocupação recente com o distanciamento social tem afastado os brasileiros do transporte público. Essa é, ao menos, a resposta da última pesquisa da consultoria de inteligência de mercado Globo com 1,5 mil entrevistados.

Antes da pandemia 60% sinalizaram sua preferência pelos modais comunitários. Agora, apenas 40% dessa amostra renova sua predileção ao transporte público.

Na primeira rodada 58% dos entrevistados desejavam utilizar um meio de transporte individual. Em sete meses esse número saltou para 68% das pessoas que participaram da pesquisa.

O que isso quer dizer? Que há demanda para vender automóveis no Brasil mesmo que ainda todas as condições para que isto aconteça não estejam alinhadas: uma oferta de crédito suficiente para atender a esses consumidores e condições macroeconômicas que reduzam a pressão dos custos e os preços fiquem melhores. A agenda é extensa: dentre tantas outras coisas destacamos a taxa de desemprego, que precisa cair para trazer de volta esses consumidores para o mercado.

O entusiasmo com esses dados carrega outro movimento importante do consumidor: o desejo de utilizar canais online em sua jornada de compra. Já abordamos este tema e apontamos algumas tendências em publicações anteriores, que demonstram claramente que o cliente e suas preferências estão no centro da estratégia das empresas. As automotivas e as de tecnologia.

Facilitar a conversa com os clientes é a principal razão das montadoras, especialmente, ocuparem quase todos os canais da mídia tradicional e da mídia social. E a tecnologia está, de fato, encurtando esse caminho.

Os concessionários, por exemplo: donos de uma carteira valiosa de clientes em seus banco de dados conseguem agora retomar o diálogo usando o Whatsapp. Uma plataforma rápida, limpa e eficiente para conversar reservadamente sobre as condições de compra de um veículo.

A praticidade do sistema que a aplicação Whatsapp Business API oferece aos grupos concessionários está na redução de 70% do tempo de atendimento na comparação com a conversa do vendedor e seu cliente por meio do tradicional telefone.

Outro exemplo de rápida conexão com a ponta dessa cadeia, ou seja, os ouvidos e os olhos do consumidor, é o marketplace. Estão sendo criados diversos canais de vendas em mídias sociais e no Mercado Livre, uma plataforma com 51,5 milhões de usuários ativos em setembro.

Chama a atenção que as próprias empresas dedicadas à fabricação de veículos estão organizando essa estrutura online porque perceberam que além do automóvel elas precisam oferecer a velocidade e a praticidade que o consumidor deseja para realizar o seu sonho.

O que se testemunha neste momento é uma transformação surpreendentemente rápida para os padrões da indústria automotiva. E o que parece é que o setor está trocando o pneu com o carro em movimento. Sentado no banco de carona de um daqueles esportivos bem ariscos.

100% online. A Hyundai concluiu a integração de sua rede de concessionárias ao marketplace Mercado Livre. Cotações, simulações e reserva online dos modelos 0 KM HB20 e Creta são feitas ali. E o cliente pode interagir com o concessionário mais próximo ou com a casa Hyundai que bem desejar.

Revenda virtual. Cada concessionário tem sua loja virtual, acessível por meio da página oficial da Hyundai e na seção do Mercado Livre dedicada a automóveis. As interações com as revendas somam, de acordo com a Hyundai, 23 mil clientes que puderam escolher algum dos 2,1 mil veículos disponíveis.

Cabe no bolso? Eduardo Petribu, diretor de negócios para os setores financeiro e automotivo da Globo disse à reportagem de AutoData para prestarmos atenção à parcela de 30% dos entrevistados da sua pesquisa que mostraram interesse pela aquisição de um veículo. E ressaltou: "O que chama a atenção neste extrato de pessoas é que o fator determinante para a compra está ligado ao seu orçamento, ou seja, não importa se o veículo é novo ou seminovo, mas se ele cabe no bolso".

Quem ficará de fora? A Syonet, que trabalha com tecnologia CRM para concessionárias, negociou com o Whatsapp redução de 50% nos custos de utilização da ferramenta Business API. A empresa acredita que este será o principal aplicativo de comunicação direta do concessionário com o seu cliente.

* Colaboraram: André Barros, Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.