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Como compartilhamento de viagens continuará crescendo após pandemia

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Imagem: Shutterstock
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

25/09/2020 07h45

Imagine um mundo sem pandemia, em que as pessoas valorizavam as interações com as outras. E também utilizavam a tecnologia para encontrar formas de locomoção mais baratas e eficientes. Unir esses dois interesses provavelmente faria o sujeito dizer o que é muito comum aqui em São Paulo: "Formô!".

Os serviços compartilhados de mobilidade se apoiaram nesses pilares para oferecer esta alternativa no País, sobretudo nos grandes centros e em deslocamentos regionais de curta e média distâncias.

Mas a principal motivação que trouxe para o Brasil empresas como a BlaBlaCar e iniciativas como a do Waze Carpool era a possibilidade de reduzir as emissões com o compartilhamento de viagens. Infelizmente o argumento de uma atitude mais, digamos, sustentável, não emplacou como o principal motivo pelo qual as pessoas escolhem essas modalidades. A economia fala mais alto. O bolso.

Mas no mundo com pandemia, e com a necessidade de distanciamento para evitar a contaminação e a proliferação do vírus, a lógica do compartilhamento de viagens pelo interesse das pessoas na interação com as outras poderia colocar um freio na crescente adesão a esses modelos de negócios. A boa notícia é que parece que isso não vai ocorrer.

AutoData conversou com os executivos de BlaBlaCar e da Waze Carpool e, apesar da redução das emissões ainda não fazer parte das prioridades dos usuários, a tendência é que o compartilhamento continue como uma opção interessante no mercado da mobilidade.

As caronas obviamente diminuíram nos últimos cinco meses, mas no feriado de 7 de setembro o movimento voltou. Ricardo Leite, diretor geral da BlaBlaCar no Brasil, acredita que no fim do ano isso se repita porque é período de férias: "Viagens e destinos mais próximos podem ocupar o lugar das viagens internacionais, e aí o compartilhamento surge como um modal alternativo".

Mesmo com a insegurança de compartilhar a viagem com alguém supostamente estranho as empresas de mobilidade apostam na equação custo menor que uma viagem de avião e de ônibus, por exemplo, para projetar um crescimento da adesão às caronas em 2020. Basta o consumidor fazer a comparação.

É preciso colocar na ponta do lápis o valor gasto com cada uma das opções. E tomar precauções para evitar ao máximo qualquer possibilidade de contágio. A escolha é sua. As empresas que oferecem o compartilhamento garantem que são mais competitivas.

Para Douglas Tokuno, coordenador da Waze Carpool, o custo de propriedade de um veículo faz com que muitos brasileiros busquem outras alternativas: "Ter um veículo tem mais custos envolvidos do que usar os serviços de compartilhamento. E o momento no Brasil é de redução de custos. As pessoas buscam oportunidades de gastar menos com o conforto".

Alguns estudos da BlaBlaCar mostram que a taxa de ocupação de um veículo que oferece carona por meio de seu aplicativo é de 3,8 [se supõe que quase quatro pessoas, em média, estão dentro dos carros]. Já a taxa média brasileira é de 1,8 por veículo. O Waze Carpool disse que realizou 2 milhões de operações no ano passado.

Esses números demonstram o potencial da mobilidade com compartilhamento de viagens para os próximos anos mesmo com as enormes dificuldades impostas pelas restrições de segurança contra a covid-19.

Para Douglas Tokuno, coordenador da Waze Carpool, o usuário tem demonstrado que pretende fazer algumas mudanças nas suas opções de transporte: "Fizemos uma pesquisa para entender os motivadores das caronas. O que mais surpreendeu foi que a opção pela carona está apoiada na sustentabilidade, na socialização, no compartilhamento e na gentileza. A força maior desse sistema é que o usuário percebe que está prestando um serviço e colaborando com o bem estar social".

Diversificar. Enquanto a base de usuários das plataformas não retoma à frequência pré-pandemia o momento é de buscar novos clientes. Os aplicativos estão em negociação com empresas de diversos setores para oferecer aos funcionários a opção do compartilhamento de viagens. Será que vai ficar mais prático e barato que o fretadão?

Quem liga? A BlaBlaCar diz que as caronas efetuadas pela sua plataforma evitaram a emissão de 1,6 milhão de toneladas de CO2 na atmosfera no ano passado. O usuário deveria prestar mais atenção nesses dados.

Bla-Bla-Bla. Até 2023 a empresa trabalha com a possibilidade de fazer saltar para 6,4 milhões de toneladas de CO2 a contribuição das caronas na redução das emissões. Estaremos atentos e na torcida para que este número seja ainda maior.

* Colaborou Bruno de Oliveira

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.