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Mercado automotivo dá bons sinais de recuperação, mas momento exige cautela

Mateus Bruxel/Folhapress
Imagem: Mateus Bruxel/Folhapress
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL*

11/09/2020 07h58

Ao mesmo tempo em que a pandemia trouxe uma série de incertezas fez com que o mercado automotivo ficasse muito mais atento a todos os sinais vindos da ponta da cadeia, ou seja, do consumidor.

Agora é imperativo observar com bastante atenção o comportamento das diversas modalidades de vendas minuto a minuto para projetar o dia seguinte, ao contrário do que acontecia antes: com resultados apontando crescimento constante na pré-pandemia era possível enxergar, e planejar, vendas meses à frente.

Os financiamentos e a venda de usados são dois termômetros importantes neste momento e os seus resultados sugerem que as coisas começam a voltar aos eixos numa velocidade um tanto maior do que supunham algumas projeções do setor.

Em agosto a venda de usados cresceu 10,6% sobre julho e o recuo na comparação com igual mês do ano passado foi de 3,2%, segundo a Fenauto. A entidade confirma que na primeira semana de setembro verificou a manutenção do ritmo crescente das vendas.

Já os financiamentos totais em agosto, considerando aí os negócios feitos com carros novos e usados, cresceram 3,7% ante julho. E a queda na comparação com agosto de 2019 foi de 5,5%.

Esses resultados, ainda inferiores ao desempenho do ano passado, mas com queda porcentual de apenas um dígito, insinuam que a recuperação está acontecendo mais rápido do que o esperado pelos executivos no primeiro trimestre de 2020, os piores meses da pandemia para a indústria até agora.

Alguns presidentes de montadoras disseram a AutoData que o pessimismo era maior no primeiro trimestre. Além disso, naquele momento, qualquer tentativa de projetar o desempenho do mercado no segundo semestre que fosse mais otimista à da Anfavea, queda de 40% das vendas em 2020, soaria como pura especulação.

Mas os últimos dois meses demonstraram que a economia, ao menos a faixa de consumidores aptos a comprar um bem de consumo de alto valor agregado como um veículo, tem melhorado. Porém o momento requer atenção e cautela. É bom ficar de olho em eventual redução dos financiamentos automotivos nos próximos meses. Esse pode ser o sinal da segunda onda.

R$ 75 mil? O preço do Peugeot 208, nova geração produzida na Argentina, assusta. Segundo a fabricante o modelo não mira os hatches de entrada Chevrolet Onix e Hyundai HB20, os mais vendidos do segmento: o foco é Toyota Yaris e Volkswagen Polo.

Favorável. A diretora geral da Peugeot, Ana Theresa Borsari, classifica a prateleira mais alta do segmento hatch B compacto como "uma das mais promissoras do mercado brasileiro".

E os SUVs? Os SUVs, segundo ela, estão com volume de vendas concentrado nos degraus mais baixos do segmento, em especial para PcD. Aí a rentabilidade não é tão alta quanto a dos hatches mais caros.

Caminhão off-road. O governo do Estado do Paraná espera pelo investimento de R$ 102 milhões da tcheca Tatra Trucks, com quem assinou acordo de incentivos fiscais na semana passada. Eles produzem caminhões fora-de-estrada e focam mineração, construção e o ramo sucroalcooleiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.