PUBLICIDADE
Topo

Carnaval 2022: como fica a 'sobrevida' dos blocos após cancelamentos

Bloco Bangalafumenga desfilando no Carnaval de São Paulo - Soul em Cena / Divulgação
Bloco Bangalafumenga desfilando no Carnaval de São Paulo Imagem: Soul em Cena / Divulgação

Lucas Pasin

De Splash, no Rio

19/01/2022 04h00

Milhares de blocos aguardavam o Carnaval 2022 para retornarem às ruas, movimentando não só muitos foliões, mas também a cena cultural de músicos e aprendizes que esperam ansiosos os dias de festa e também a possibilidade de lucrarem com eventos e patrocinadores.

No entanto, com o aumento de novos casos da covid-19 por conta da variante ômicron e com as principais capitais já confirmando o cancelamento do Carnaval de rua, como Rio e São Paulo, surge a pergunta: como fica a "sobrevida" de blocos após dois anos sem desfilarem?

Splash conversou com alguns organizadores de movimentos, que tentam se manter criando oficinas, eventos on-line, e sonham com a autorização para ainda em 2022, colocarem o bloco na rua, mesmo que fora de época.

César Pacci, diretor da Oficina da Alegria, em São Paulo, que cuida dos blocos Bangalafumenga, Sargento Pimenta, Fogo & Paixão, Os Capoeira e Galo da Madrugada, não pensa em desistir do Carnaval, mesmo que realizado em outro momento de 2022. Ele explica:

Como empreendedores do setor de eventos passamos por diversos momentos de superação. Ficar paralisado nunca foi uma opção. Fizemos eventos on-line, campanhas digitais para marcas, desenvolvemos um método de ensino de percussão completamente digital, conseguindo remunerar músicos e outros profissionais envolvidos com os blocos. Mas o desfile tem seu fator cultural, sua necessidade democrática e econômica e sua potência histórica e não deixaremos de lutar para viabilizar isso.

Insistir para que os desfiles possam acontecer em algum momento do ano também faz parte do plano de Maíra Blasi, co-fundadora do bloco Obscênicas, formado só por mulheres, que desfila em São Paulo:

É um momento de entender as possibilidades. As integrantes do bloco estão tristes, mas, se em algum momento disserem que está liberado, desfilamos no dia seguinte, do jeito que der, desafinadas mesmo se for o caso. É preciso entender os protocolos e viabilizar algo. Shows menores? Talvez. Apostar mais um pouco no on-line? Pode ser uma solução.

Cansados dos eventos on-line

Diversos blocos apostaram, assim como outros segmentos, nos eventos on-line para se manterem vivos. Oficinas e ensaios aconteceram, promovendo a interação entre os integrantes e mantendo a "chama" carnavalesca acesa. Para 2022, os foliões esperavam não ter mais que ficar atrás de uma tela de computador ou celular, mas, com o impedimento dos eventos, não descartam a opção.

"O on-line, atualmente, servirá apenas de apoio. Sempre tivemos a tradição de realizar festas no verão e no pré-carnaval, previstas para janeiro e fevereiro, que só ocorrerão se estivermos totalmente seguros: público, artistas e profissionais envolvidos. E, logicamente, seguindo todos os protocolos exigidos pelo poder público", destaca César Pacci sobre os blocos da Oficina da Alegria em São Paulo.

No Rio, Jô Codeço, diretor do bloco Me Enterra na Quarta, diz que o "on-line" atualmente, serve apenas para não deixar o papo sobre o Carnaval morrer de vez:

O Me Enterra tem 18 anos, não há a possibilidade do bloco acabar. Mas, desfilar? Só o tempo dirá se é possível. O Carnaval on-line não tem a menor graça, na minha opinião. No nosso grupo de Whatsapp, por exemplo, tem 245 pessoas. São mais de mil mensagens por dia apenas discutindo o que faremos após esse cancelamento. A gente ri, chora e segue de teimoso.

Incentivos culturais:

A expectativa de alguns blocos, como o Obscênicas, em São Paulo, é poder contar com incentivos vindos do Governo, que possam manter blocos vivos durante todo o ano.

"Ano passado fomos premiados por uma lei de Cultura e conseguimos fazer oficinas on-line, gravamos videoclipe e fizemos um evento ao vivo focado em mulheres. Essa premiação nos ajudou a remunerar artistas e nos manter vivos. Esse ano temos que entender como esses incentivos vão acontecer e tentar algum espaço nele", diz Maíra Blasi.

A cobrança por apoio e incentivo vem também por parte de Jô Codeço:

Neste momento, a prefeitura e as empresas, que mais lucram com o nosso trabalho, deveriam estender a mão. Carnaval é cultura, arte e alegria, mas também movimenta uma enorme cadeia produtiva que sustenta diariamente milhares de pessoas.