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Impressão é que o vírus vai começar a se esgotar, diz criador do álcool gel

O médico suíço Didier Pittet  - Jean-Marc ZAORSKI/Gamma-Rapho via Getty Images
O médico suíço Didier Pittet Imagem: Jean-Marc ZAORSKI/Gamma-Rapho via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

18/10/2021 18h08

O inventor do álcool em gel, o médico sanitarista suíço Didier Pittet disse acreditar que a tendência do coronavírus é "começar a se esgotar um pouco". Por isso, para ele, pode ser que uma revacinação anual contra a covid-19 não seja necessária.

Ele explicou que no caso da gripe isso acontece pois o vírus dessa doença é muito mutável e há diferentes vírus. Também por isso a vacina, nesse outro caso, inclui mais de um tipo, sendo eles os que mais têm chances de criar epidemias no ano.

"Já com relação ao coronavírus, não podemos saber ainda hoje se ele continuará a sofrer mutação ou fazer novas variantes. Parece que provavelmente não", afirmou, em entrevista ao jornal Valor Econômico. E completou: "isso faz parte de um cenário um pouco catastrófico. Mas hoje não temos a impressão, com base em dados científicos, que esse vírus vai se comportar assim. Temos mais a impressão de que esse vírus vai a um certo momento começar a se esgotar um pouco, se extinguir um pouco."

O médico ressalta, porém, que toda vigilância é importante já que não há uma resposta definitiva sobre o tema. O suíço lembrou, por exemplo, que ainda podem existir "uma ou duas novas variantes" e que, eventualmente alguma delas pode conseguir driblar as vacinas ou reduzir a eficácia delas, o que resultaria na necessidade de nova dose ou até mesmo "de uma vacina um pouco diferente".

"Isso não quer dizer que ele vai desaparecer, e sim que vai provavelmente fazer parte da família de coronavírus com a qual vivemos há centenas de anos, sem necessidade de vacinação cada ano", disse.

De pandemia para epidemia

Além de criador do álcool em gel, Pittet é médico-chefe do serviço de prevenção e controle de infecções do Hospital Universitário e da Faculdade de Medicina de Genebra. O médico é, ainda, presidente da comissão independente criada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para conduzir a pandemia no país.

O especialista acredita que a pandemia passará ao quadro de pandemia quando países apresentarem controles maiores da doença e tiverem apenas surtos epidêmicos, como o caso da Noruega, onde a situação está melhor. Por outro lado, ressalta que os baixos números de cobertura vacinal no mundo mantêm o cenário pandêmico.

"Por exemplo na África a vacinação é da ordem de apenas 4% da população, e há menos de 20 países que vacinaram 10% da população. Estaremos sempre com risco de pandemia. Por que uma pessoa vacinada é protegida, mas uma não vacinada continua a não estar protegida, ameaça as outras e ameaça a si mesma", explicou.

Por isso, para o médico suíço, pode ser que em alguns meses tenhamos "uma situação não controlada em alguns lugares e novas variantes menos sensíveis às vacinas que dispomos". No caso do Brasil, o sanitarista acredita que caso haja vacinas suficientes para revacinar toda população, essa é uma boa iniciativa para 2022.