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Por que vacinas dão reação? É verdade que a da AstraZeneca é pior?

Imagem: Matthew Horwood Colaborador Getty Images

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

08/07/2021 17h25

Com o avanço da vacinação contra a covid-19 no país, é esperado que surjam relatos de quem sentiu reações adversas ao imunizante, como mal-estar, febre, dor no corpo, coriza, diarreia, entre outros. Todos esses efeitos passam em poucos dias.

Essas reações leves ou moderadas podem mesmo acontecer, inclusive com qualquer outro tipo de vacina e não só com as que protegem da covid-19. Isso porque as vacinas são medicamentos imunobiológicos, ou seja, derivam de substâncias biológicas —como um vírus, no caso da contra a covid-19—, que atuam no sistema imunológico, responsável por proteger o corpo de doenças.

É esse imunobiológico que vai fazer a função de "apresentar" a fração do vírus ou bactéria para nossas células de defesa, chamadas de linfócitos. Essas células "olham" para esse "ser estranho" e reagem produzindo anticorpos para combatê-lo —e que protegerão o organismo caso ocorra uma infecção no futuro.

E como toda invasão ao organismo, é normal que ocorra uma reação inflamatória, segundo Fátima Rodrigues Fernandes, membro do Departamento Científico de Imunização e 2º vice-presidente da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

"Em alguns indivíduos ela vai passar batido. Em outros, pode gerar sintomas como febre, mal-estar, entre outros. É até positivo saber que a vacina gera algum grau de sintoma, porque você vê que ela realmente está estimulando o sistema imunológico."

Mas isso não quer dizer que quem não tem reação está "desprotegido" ou que a vacina não fez efeito. Essas reações variam muito de acordo com o organismo, não existe uma regra de como os imunizantes vão se comportar em cada indivíduo.

"Depende do tipo de vacina e da resposta individual. Se fosse só depender da vacina, todo mundo teria alguma reação. Mas como nosso corpo é muito individualizado, os efeitos ocorrem de maneira diferente em cada pessoa", diz Flávia Bravo, pediatra e diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Os idosos, por exemplo, possuem o sistema imunológico enfraquecido por causa do envelhecimento natural do corpo. Por isso, podem sentir menos reações adversas.

"A tendência é que o idoso responda pior a todas as vacinas, mas isso não significa que eles não se protegem com essa resposta menor, pelo contrário", afirma Bravo.

Vacina da AstraZeneca pode dar mais reação?

Sim, segundo os especialistas, ela pode causar mais reações do que outros imunizantes —CoronaVac e Pfizer, por exemplo. Mas isso significa que todo mundo vai sentir os efeitos adversos? Não, cada corpo reage de uma forma.

Na bula da vacina da AstraZeneca, a empresa explica que, nos estudos clínicos, "a maioria dos efeitos colaterais foi de natureza leve a moderada e resolvida dentro de poucos dias''.

De acordo com as médicas consultadas, o fato de o imunizante produzido no Brasil pela Fiocruz gerar mais reações tem uma explicação simples: a tecnologia aplicada. A vacina da AstraZeneca é de "vetor viral", tem como base outro vírus (um adenovírus de chimpanzé) que foi debilitado e geneticamente modificado para impedir que o coronavírus se reproduza no organismo humano. Essa tecnologia também é a mesma da Janssen, que só precisa de uma dose.

"Isso condiciona você a ter um estímulo maior do sistema imunológico, além de uma potencial resposta adversa mais intensa também. Mas o que é essa resposta adversa? Nada mais é, na maioria dos casos, do que respostas leves e contornáveis", explica Fernandes, também médica do Instituto Pensi (Pesquisa e Ensino em Saúde Infantil), do Hospital Sabará (SP).

As crianças já vivenciam isso quando tomam a vacina contra o sarampo, por exemplo, que pode causar febre, mal-estar e vermelhidão. "Mas é muito mais seguro do que deixar a criança sem uma vacinação", diz a imunologista.

Outro ponto que chama a atenção é que, de fato, a vacina da AstraZeneca tende a causar esses efeitos colaterais principalmente na primeira dose. "Menos efeitos colaterais foram relatados após a segunda dose", conforme informa a bula.

Por outro lado, segundo a diretora da SBIm, foi observado, nos estudos de licenciamento, que mais pessoas relataram sentir efeitos adversos da Pfizer após a segunda dose (veja a bula aqui).

Por fim, o que precisa ficar claro é que você deve tomar a vacina contra a covid-19, independentemente da marca. "As vacinas, assim como outros medicamentos, podem ocasionar os efeitos adversos, mas elas só são aprovadas em humanos se comprovam a segurança. Os riscos de um efeito grave são baixíssimos", pontua Bravo.

Quais são as possíveis reações da AstraZeneca?

A bula da vacina separa em efeitos adversos muito comuns, comuns, incomuns, raros e desconhecidos; confira:

Muito comum (pode afetar mais de 1 em cada 10 pessoas)

  • Sensibilidade, dor, sensação de calor, coceira ou hematoma (manchas roxas) onde a injeção é administrada
  • Sensação de indisposição de forma geral
  • Sensação de cansaço (fadiga)
  • Calafrio ou sensação febril
  • Dor de cabeça
  • Enjoos (náusea)
  • Dor na articulação ou dor muscular

Comum (pode afetar até 1 em cada 10 pessoas)

  • Inchaço, vermelhidão ou um caroço no local da injeção
  • Febre
  • Enjoos (vômitos) ou diarreia
  • Sintomas semelhantes aos de um resfriado ou gripe, como febre acima de 38 °C, dor de garganta, coriza (nariz escorrendo), tosse e calafrios

Incomum (pode afetar até 1 em cada 100 pessoas)

  • Sonolência ou sensação de tontura
  • Diminuição do apetite
  • Dor abdominal
  • Linfonodos (ínguas) aumentados
  • Sudorese excessiva, coceira na pele ou erupção na pele

Muito raro

Coágulos sanguíneos importantes em combinação com níveis baixos de plaquetas no sangue (trombocitopenia) foram observados com uma frequência inferior a 1 em 100 mil indivíduos vacinados. Os cientistas seguem indicando o imunizante. No Brasil, a vacina da AstraZeneca não é indicada para gestantes.

Desconhecida (não pode ser calculada a partir dos dados disponíveis)

  • Reação alérgica grave (anafilaxia)
  • Inchaços graves nos lábios, face, boca e garganta (que pode causar dificuldade em engolir ou respirar)

Tive um efeito adverso: para quem devo informar?

Se os efeitos adversos não passarem em aproximadamente dois dias, a orientação é procurar um médico para que ele investigue o caso. Não necessariamente pode ser uma reação da vacina, mas, sim, de outra condição preexistente.

No Brasil, é possível informar o ocorrido na Anvisa, principalmente, por meio deste link. Também existem outras formas, como pelo canal das próprias farmacêuticas; veja:

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