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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito


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Pressão alta, depressão, diabetes: os "melhores" exercícios para 14 doenças

Qualquer exercício é ótimo para reduzir o risco e ajudar no tratamento de problemas de saúde - iStock
Qualquer exercício é ótimo para reduzir o risco e ajudar no tratamento de problemas de saúde Imagem: iStock

Fernanda Beck

Colaboração para o VivaBem

31/01/2020 04h00

Praticar atividade física regularmente é essencial para a saúde física e mental e reduz o risco de várias doenças, você sabe. Mas não é só isso: além de serem ótimos para prevenir patologias, os exercícios podem ajudar (e muito!) no tratamento de diversos quadros clínicos.

Com liberação médica e orientação de um profissional de educação física, qualquer exercício pode ajudar você a combater uma doença. Porém, algumas modalidades trazem benefícios específicos que podem auxiliar ainda mais a tratar ou aliviar sintomas de certos problemas de saúde. Veja a seguir quais são.

Asma e bronquite: natação

Tradicionalmente recomendada para quem tem doenças respiratórias, a natação é especialmente indicada por ter forte componente aeróbico e ser praticada em um ambiente úmido (que facilita a respiração). As braçadas na piscina trabalham a musculatura respiratória, responsável pela capacidade de expansão torácica, aumentam a capacidade ventilatória e ajudam a controlar os fatores inflamatórios que desencadeiam crises.

Mas, cuidado: quem tem crises de asma e bronquite desencadeadas por alergias precisa prestar atenção se o cloro (ou outra substância na água da piscina) não é um fator irritante —o que pode induzir crises. Nesse caso, uma boa é optar por outras atividades aeróbicas, como ciclismo.

Depressão e ansiedade: futebol, vôlei, basquete ou corrida

Esportes coletivos promovem a socialização e ajudam a combater o isolamento, um dos primeiros sintomas da depressão. Além disso, estimulam a liberação de substâncias no organismo que trazem bem-estar e melhoram o humor, como a endorfina. Isso ajuda não só a reduzir o estado depressivo, como também combate outros problemas emocionais, por exemplo, a ansiedade.

A corrida também é uma modalidade muito famosa por "turbinar" a produção de endorfinas e tem como vantagem o fato de você não depender de outras pessoas (para formar dois times) para realizar a atividade. E, mesmo sendo um esporte individual, há muitos grupos de corrida que podem favorecer o convívio social.

Câncer: caminhada

No caso do câncer, é complicado cravar uma "modalidade ideal", pois os médicos precisam levar em consideração alguns fatores antes de indicar uma atividade física ao paciente, como o tipo de câncer, a condição da pessoa e o estágio em que está o tratamento. No entanto, a caminhada costuma ser muito recomendada por ter baixo impacto e intensidade leve.

O exercício fortalece o corpo e estimula a produção de endorfinas que trazem bem-estar, fazendo com que o paciente suporte bem a quimioterapia e radioterapia. Além disso, reduz os efeitos do chamado "chemo brain", que é o déficit cognitivo e mental que o tratamento traz. Também melhora a condição muscular e óssea, muito prejudicada pelos medicamentos.

Colesterol alto: musculação e aeróbico

A prática do exercício físico leva a uma melhora na composição corporal, ou seja, aumento de massa magra (músculos) e perda de gordura. Quando a musculatura do corpo está fortalecida, suas respostas enzimáticas melhoram e há uma melhora na degradação de lipídeos, diminuindo o colesterol no sangue. Escolha exercícios que exijam da parte cardiovascular, como corrida e ciclismo, e que trabalhem a força e a estabilidade, como a musculação.

Artrose: ioga, pilates ou hidroginástica

Quem sofre com o desgaste das cartilagens pode investir em exercícios em que existe a contração muscular sem exigir demais da articulação. Opte por atividades sem impacto (saltos, corrida) ou movimentos repetidos continuamente. São boas opções ioga, pilates, exercícios isométricos e hidroginástica (que apesar de ter movimentos repetidos possui baixo impacto).

Diabetes: musculação e exercícios aeróbicos

O ganho de músculos traz maior sensibilização das células à insulina e as atividades aeróbicas ajudam a reduzir o nível de açúcar no sangue. Junto com uma alimentação adequada, essa combinação de benefícios pode levar à diminuição da quantidade de medicamento utilizada pelo paciente ou até mesmo, no caso do diabetes tipos 2, controlar a doença e dispensar o uso de remédios.

Atenção: o exercício tem que ser ajustado conforme a dose de medicamento que a pessoa toma e onde ele é aplicado, para não gerar complicações.

Dor de cabeça crônica: alongamento

Claro que você pode e deve praticar outros exercícios, mas procure também investir em exercícios que ativem a musculatura cervical do pescoço e a relaxem, como os de flexibilidade. E atenção à contração exagerada da musculatura do pescoço, que diminui o fluxo sanguíneo para o cérebro, podendo ser um fator causador da dor. Em casos de enxaqueca associados ao ciclo menstrual, o exercício também é benéfico pois pode aliviar os sintomas da TPM, responsável pelo desconforto.

Dor nas costas: treino funcional e pilates

Grande parte dos exercícios dessas modalidades têm como foco o fortalecimento do core (músculos do abdome, quadril e lombar). Essa região do corpo é importante para manter a estabilidade do tronco. Fortalecer o core ajuda a evitar uma sobrecarga na região das costas e melhora a postura, minimizando as dores.

Pressão alta e varizes: caminhada, corrida e ciclismo

Essas atividades aeróbicas estimulam a circulação sanguínea nas pernas (e também no restante do corpo), melhorando a vascularização periférica. Os exercícios aeróbicos ainda dilatam as veias e artérias, reduzindo a pressão dentre delas —por isso ajudam a combater a hipertensão.

Osteoporose: caminhada e corrida

Atividades de impacto estimulam a mineralização e produção óssea, fortalecendo o esqueleto. Além disso, quando essas modalidades são praticadas ao ar livre durante o dia, a exposição solar promove a síntese de vitamina D, substância que melhora a captação de cálcio pelos ossos. Apesar de não ter impacto, a musculação também incentiva a produção de tecido ósseo, pois a musculatura traciona o osso, e pode ser outra boa aposta.

Obesidade: musculação

Apesar de os exercícios aeróbicos serem a primeira opção de atividade física que vem à cabeça de quem deseja emagrecer, o treino de força tende a ser uma melhor opção. Além de ser capaz de proporcionar um bom gasto calórico quando realizada de maneira intensa, a musculação faz com que seu corpo gaste mais calorias quando você está em repouso, pois quanto mais músculos você tiver, maior é seu metabolismo em repouso. A musculação ainda tem como vantagem o baixo impacto: ou seja, não vai sobrecarregar as articulações de quem está com excesso de peso, como a corrida.

Lógico que também é possível combater a obesidade com exercícios aeróbicos e eles não são ruins para isso, a musculação só surge como uma melhor opção por promover uma perda de peso mais saudável: isso é, reduz a gordura e aumenta a massa magra (músculos).

Fontes: Ricardo Eid, médico especialista em medicina do esporte e exercício do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Tiago Lazzaretti, médico do esporte do Instituto de Ortopedia e Traumatologia da USP (Universidade de São Paulo); Flavio Rebustini, professor do mestrado em Gerontologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

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