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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito


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"Viciada em dietas", ela decidiu abandonar fisiculturismo e focar na saúde

Sarita Federle ganhou várias competições de fisiculturismo, mas começou a sofrer crises de compulsão alimentar após os campeonatos - Arquivo pessoal
Sarita Federle ganhou várias competições de fisiculturismo, mas começou a sofrer crises de compulsão alimentar após os campeonatos Imagem: Arquivo pessoal

Marcelo Testoni

Colaboração para o VivaBem

11/08/2019 04h00

Sarita Federle, 37 anos, quando mais jovem queria conquistar o 'corpo perfeito'. Treinar nunca foi um problema para a paranaense, que sempre gostou de musculação, fez faculdade de educação física e trabalhou como personal trainer. Sua maior dificuldade era manter um cardápio saudável.

"Eu me alimentava bem, mas tinha fases em que comia demais, ganhava peso e queria emagrecer. Então, fazer dieta acabou virando obsessão, um vício. O pior é que nunca estava satisfeita com os resultados e buscava sempre 'melhorar'", revela Sarita, que nessa época tinha 25% de gordura corporal, o que não é considerado ruim para mulheres jovens.

A entrada no mundo do fisiculturismo

Decidida em perder peso, ela intensificou sua frequência na academia e adotou uma dieta controlada. Cortou todas as guloseimas, que antes devorava aos finais de semana, e montou um cardápio à base de alimentos integrais, saladas e proteínas (frango, carne, peixe, ovo).

Com o ritmo puxado na musculação e o incentivo de colegas, não demorou muito para surgir o desejo de buscar cada vez mais definição muscular e competir no fisiculturismo, modalidade em que se dedicou de 2011 a 2018. Sarita começou a treinar todos os dias da semana, durante uma hora e meia (o que depois evoluiu para cinco horas) e se lançou em pequenos campeonatos municipais com um físico de alto nível.

Quando disputava campeonatos, Sarita chegou a ter só 5% de gordura corporal, taxa que não é saudável para uma mulher - Arquivo pessoal
Quando disputava campeonatos, Sarita chegou a ter só 5% de gordura corporal, taxa que não é saudável para uma mulher
Imagem: Arquivo pessoal

"Quando competi pela primeira vez na minha cidade fiquei em segundo lugar e no campeonato seguinte ganhei. Na sequência, até pensei em voltar para minha área, a educação física, mas aí em 2015 surgiu uma oportunidade de ir para os Estados Unidos, onde poderia me preparar para competir em eventos maiores, de nível internacional, e resolvi arriscar", explica Sarita.

Em Orlando, onde ficou cinco meses em preparação física intensa, Sarita ganhou seu primeiro título como atleta profissional, pela federação WBFF (World Beauty Fitness & Fashion), que compara a um concurso Victoria's Secret de mulheres musculosas.

Os problemas com a compulsão alimentar

Sarita hoje defende que é importante cuidar da boa forma, mas sem neuras e sempre respeitando a saúde - Arquivo pessoal
Sarita hoje defende que é importante cuidar da boa forma, mas sem neuras e sempre respeitando a saúde
Imagem: Arquivo pessoal
Desde então, ela não parou mais de competir e obteve diversos títulos, tanto nacionais como internacionais, inclusive integrando o Top 10 Mundial Profissional Diva Fitness, em Las Vegas, onde concorreu com 58 atletas do mundo inteiro e ficou entre as sete melhores.

Tudo parecia que ia de vento em popa, até Sarita disputar em 2016 um campeonato em Los Angeles e terminar em quinto lugar. Isso depois de se preparar por oito meses contínuos e estar com apenas 5% de gordura no corpo. Do ponto de vista médico, abaixo dos níveis saudáveis.

"Foi uma decepção muito grande terminar em quinto lugar, pois, me esforcei demais e cheguei ao meu limite. Então, depois dessa competição, comecei a ter ansiedade e alguns episódios de compulsão alimentar", desabafa Sarita.

Ela sabia que havia algo de errado com sua saúde, pois toda vez, pós-competição, sentia uma vontade incontrolável de comer exageradamente tudo o que encontrava pela frente. Chegava a engordar dez quilos em duas semanas. Ao perceber que não conseguiria vencer o transtorno sozinha, Sarita buscou ajuda médica e considerou abandonar o fisiculturismo para cuidar de si. A aceitação, porém, ocorreu aos poucos e ela só parou de competir definitivamente em 2018.

O fim das dietas e o início de uma vida mais saudável

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Hoje, recuperada, ela tem focado em compartilhar suas experiências pessoais nas redes sociais e incentiva seus seguidores a cuidarem da boa forma, mas sem neuras e sempre com cuidado e respeito à saúde. Ela também retomou os estudos em educação física e tem se dedicado ao empreendedorismo.

Sarita deixou de fazer dietas restritivas e come de tudo com moderação. Se antes andava com sete, oito potes de marmita fitness com frango e batata-doce a tiracolo e até mesmo evitava ir a aniversários para não comer "besteiras", hoje ela garante experimentar de tudo. "Tenho outra percepção e minha vida está muito mais leve."

Apesar dos traumas e de estar fora das competições, ela não parou de se exercitar e se diz satisfeita por não seguir rotinas extenuantes. Em vez disso, dedica uma hora inteira todos os dias ao que mais gosta, como musculação, atividades aeróbicas e pilates, sem se preocupar em mudar a ordem dos treinos.

Sarita revela ainda receber muitas mensagens de mulheres que buscam motivação, não só apenas para conquistar um físico, como uma autoestima saudável. "Além da imposição de padrões de beleza, somos educados a acreditar que existe um corpo perfeito. Todos nós, especialmente as mulheres, precisamos entender que não devemos trocar a boa forma pela saúde e tentar emagrecer a qualquer custo", finaliza.