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Sintomas e tratamentos da doença


Graça Araújo morre após derrame em academia. Treinar pode desencadear AVC?

A apresentadora Graça Araújo morreu durante um treino, mas o exercício é apontado mais como uma forma de prevenção do que uma causa da doença - Reprodução/TV Jornal
A apresentadora Graça Araújo morreu durante um treino, mas o exercício é apontado mais como uma forma de prevenção do que uma causa da doença Imagem: Reprodução/TV Jornal

Maria Júlia Marques

Do UOL VivaBem, em São Paulo

10/09/2018 18h26

A apresentadora Graça Araújo, da TV Jornal, afiliada do SBT no Recife, morreu aos 62 anos após sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral) neste sábado (8). A jornalista estava internada desde quinta-feira, quando se sentiu mal e perdeu a consciência durante um treino de musculação.

Em um depoimento emocionado, o personal trainer de Graça lamentou não poder ajudar. "Ainda vejo você caindo nos meus braços na academia e não poder ter feito nada", escreveu Pedro Henrique.

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O AVC é a interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro, que causa a morte de células do órgão. Ele pode ter diversas causas, e a atividade física costuma estar mais relacionada como uma forma de prevenção da doença do que uma causa do problema.

O exercício pode desencadear o AVC?

"O esforço físico por si só não pode causar AVC, outros fatores devem estar associados", afirma Edson Issamu, neurologista da rede de hospitais São Camilo. Não é possível cravar o que houve com a jornalista, uma vez que a reportagem não tem acesso aos laudos médicos, mas existem algumas hipóteses.

Antes de tudo, é importante saber que em casos de AVC hemorrágico, como o da apresentadora, o que acontece é que um vaso ou artéria se rompe, gerando vazamento de sangue na região e interrompendo o fluxo apropriado.

"Exercícios de musculação exigem força e aumentam a pressão arterial no corpo todo, o que pode desencadear doenças cardiovasculares, como AVC ou infarto, em quem já tem predisposição", diz Roberto Bizaco, médico do esporte do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). Ou seja, praticar exercícios que exigem força pode ser um gatilho para o AVC, mas não a causa.

A chance de sofrer um AVC aumenta com fatores de riscos modificáveis como pressão alta, diabetes, colesterol alto, tabagismo, uso de drogas, obesidade, sedentarismo e estresse. Mas também há causas que não temos controle, como idade (o problema é mais comum em idosos), genética e até sexo (ocorre mais em homens).

Além disso, os médicos afirmam que no caso da jornalista pode ter ocorrido um aneurisma. "Nesse caso, a artéria fica inchada e enfraquecida e muitas vezes a pessoa nem tem sintomas. Com a pressão do exercício, essa área fraca não aguenta e se rompe", diz Custódio Michailowsky, neurologista do Hospital 9 de Julho.

De qualquer forma, é difícil de especificar quando o AVC pode acontecer, e a pessoa pode sofrer um derrame em casa ou no trabalho, por exemplo, e não só na academia. Mesmo que desencadeado por esforço, o problema pode surgir em algo mais corriqueiro, como ao subir a escada do metrô ou correr para atravessar a rua.

"Algum fator de predisposição importante desencadeou o problema, nem que seja genética. O exercício físico previne o AVC até por afastar causas como obesidade e sedentarismo, mas medicina é isso: nós fazemos o máximo para inibir, mas infelizmente não conseguimos prever tudo", completa Michailowsky.

Como ajudar?

Uma forma de tentar prevenir acidentes assim é sempre manter o check-up em dia. "Na academia, o correto é pedir exames e atestado médico sempre para acompanhar a saúde dos alunos, é uma forma de entender o limite de cada um e dar uma atenção especial", conta Bizaco.

Em casos imprevisíveis, o personal de Graça agiu da melhor forma possível. "O importante é ligar imediatamente para o serviço de emergência. Isso porque eles sabem diagnosticar com melhor precisão o que houve com o paciente e levar para hospitais que conseguem dar tratamento adequado. Nem todos centros médicos possuem atendimento imediato para pacientes com AVC, e a demora por socorro agrava o quadro", alerta Bizaco.

Como evitar o AVC?

Obviamente, a melhor forma de driblar um derrame é evitar os fatores de risco modificáveis. "Só que você pode ter um AVC mesmo assim. Porém, é importante deixar claro que em cerca de 80% dos casos a pessoa poderia ter feito algo para mudar o desfecho. Você precisa realizar atividade física, controlar seu peso, sua gordura abdominal e sua pressão arterial, reduzir o colesterol, não abusar do álcool, evitar o estresse, não fumar e fazer acompanhamento médico", disse Letícia Januzi, neurologista vascular do Hospital Universitário da Universidade Federal de Alagoas.

A neurologista vascular Andrea Almeida, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, afirma que controlar alguns fatores pode diminuir muito os casos. "Há um aumento de 50% a 54% no risco de AVC se você tem hipertensão. Então, veja o tamanho do benefício de você controlar sua pressão. O diabetes, como outro exemplo, pode aumentar a probabilidade de AVC em 13%, já o estresse em 23%," concluiu Almeida.

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