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Paola Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Por que minha patela parece sair do lugar?' Entenda as causas do problema

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Imagem: iStock
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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do VivaBem

06/04/2022 04h00

Antes de compreender as causas da instabilidade patelofemoral e seus sinais de alerta, vale rever o que é a patela —que ainda hoje é lembrada por muitos como rótula, seu antigo nome.

A patela é um osso sesamoide de formato triangular e arredondado, localizado bem na frente do joelho. Ela se encaixa no fêmur, o osso da coxa. A parte de cima da patela fica inserida no quadríceps e a porção debaixo como origem do ligamento patelar.

Função

A patela protege a articulação do joelho e tem função na extensão da perna, aumentando a força desse movimento. A articulação patelofemoral é formada justamente pela patela e o fêmur. A estrutura do fêmur que se articula com a patela é chamada tróclea.

A tal tróclea tem papel fundamental, pois atua como um "trilho" para o deslizamento da patela durante os movimentos de flexo-extensão da perna.

Em alguns casos, quando esse "encaixe" não ocorre perfeitamente, o trilho não funciona adequadamente. Com isso, a patela pode se deslocar.

O deslocamento pode ser leve e o osso retornar para o trilho, o que chamamos de subluxação. Quando o deslocamento é mais intenso e a patela sai do trilho ocorre uma luxação patelar, gerando uma instabilidade nessa articulação

Quem são os mais acometidos pela instabilidade patelofemoral?

Normalmente, as luxações ocorrem em movimentos de torção ou trauma (pancada). Mas, quando se tornam recorrentes, podem acontecer em diversos contextos. Adolescentes, adultos jovens meninas e mulheres são mais comumente acometidos.

Fatores de risco

  • Patela alta: se a patela está mais alta do que deveria, seu "encaixe" com a tróclea fica prejudicado;
  • Tróclea rasa: como ela é o "trilho" em que a patela se encaixa e desliza, se estiver mais rasa há uma tendência da patela escapar;
  • Frouxidão ligamentar: os ligamentos têm papel importante para estabilização do joelho. Se esses estão ou são frouxos, a articulação fica mais instável;
  • Joelho valgo: o famoso joelho para dentro favorece a lateralização da patela, devido às forças tensionais que ocorrem nessa posição;
  • Desequilíbrio muscular: os músculos são grandes estabilizadores do joelho. Caso não desempenhem a sua função correta, isso é, se não há força na musculatura, isso pode levar à instabilidade articular;
  • Pé plano ou rotação interna de quadril: apesar de atuar de maneira indireta, favorece o joelho valgo, que facilita o mecanismo de luxação.

Sintomas da luxação

Atenção: é visível que a patela está fora do lugar! Além disso, na maioria dos casos também tende a ocorrer:

  • Dor intensa
  • Edema
  • Limitação para movimentar o joelho.

Após o episódio de luxação ou em casos de subluxação, há uma sensação de instabilidade e insegurança. O alerta fica para quem sofre de luxações recorrentes, uma vez que isso pode causar degeneração da cartilagem durante o trauma da luxação. Há dados apontando que até 44% dos pacientes evoluem para a instabilidade crônica dessa articulação.

Como tratar

O tratamento é feito de maneira individualizada, de acordo com avaliação de cada paciente, levando em consideração a idade, fatores de risco, nível de atividade física, histórico de luxações e outras lesões associadas.

O tratamento conservador, isso é, não cirúrgico, é baseado em fortalecimento e reequilíbrio muscular, recursos analgésicos e anti-inflamatórios em casos agudos e de dor —e até mesmo a liberação de possíveis tensões musculares que tracionam a patela para lateral.

Existem diferentes tipos de abordagens cirúrgicas e a escolha mais adequada varia de acordo com cada paciente. A cirurgia entra em casos de falha no tratamento conservador, luxações recidivas, pessoas com nível mais alto de atividade física ou em quadros em que há lesões associadas.

A fisioterapeuta especializada em ortopedia e gestora da Clínica La Posture, Ana Clara Desiderio, explica que tão importante quanto o tratamento é a prevenção nesses casos. É fundamental que sejam observados os fatores de risco ou sinais de instabilidade para uma intervenção adequada, prevenindo a piora do quadro. Reforça, ainda, que os sinais de atenção estão em casos de frouxidão ligamentar, desequilíbrio muscular, joelho valgo, rotação interna de quadril e pé plano.

A especialista afirma que muitos casos podem ser minimizados com uma abordagem correta de fortalecimento, por exemplo. Se você tem sintomas de instabilidade patelar, procure pelo médico ortopedista e por um fisioterapeuta, para avaliação e tratamento adequados.

Referência:

Bailey, Morgan EA, et al. "Consensus guidelines for management of patellofemoralinstability." The Knee 29 (2021): 305-312. Toms AP, Cahir J, Swift L, Donell ST. Imaging the femoral sulcus with ultrasound, CT, and MRI: reliability and generalizability in patients with patellar instability. Skeletal Radiol. 2009;38(4):329-38. White BJ, Sherman OH, Bull NYU. Patellofemoral instability. Hosp Jt Dis. 2009;67(1):22-9.