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Paola Machado

OPINIÃO

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Pesado ou inchado no verão? Fique atento a medidas simples

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

19/01/2022 04h00

E, de repente, o verão chegou e quando menos gostaria, você percebe que seu corpo está mais pesado e inchado. Você se pergunta se seria resultado do abuso das festas de fim de ano ou talvez do mau resultado do "detox" que você jurou fazer ao começar o ano novo.

Mas a verdade é que, no verão, para dissipar o calor, nosso corpo produz algumas reações que se associadas a alguns maus hábitos também podem aumentar a retenção de líquidos no corpo.

No calor é bastante comum observar tornozelos, pés e dedos inchados, o que também pode ocorrer no restante do corpo como na barriga, pernas e braços. Esse inchaço se caracteriza pelo acúmulo de líquidos ao redor dos tecidos do corpo, prejudicando a circulação sanguínea e a tornando mais lenta, elevando o ganho de peso na balança.

Por isso, antes de se desesperar achando que, de repente, ganhou gordura no verão, repense se você não está apenas inchada e fique em paz com a balança adotando medidas simples.

Entenda o inchaço

O inchaço ou edema, como disse, é o resultado do acúmulo de líquido que extravasa dos vasos sanguíneos para ao redor dos tecidos. A dieta rica em carboidratos, ultraprocessados e a baixa ingestão de água podem influenciar no acúmulo de líquidos, bem como as variações hormonais, o que justifica o fato de as mulheres serem as mais afetadas, em especial, na gestação.

Um problema associado à maior retenção de água e ao trânsito mais lento de líquidos dos vasos é a maior deposição de gordura.

Atenção! No inchaço, há também condições médicas que podem estar envolvidas como as doenças renais, hepáticas e a insuficiência cardíaca que podem causar retenção aguda. Nesses casos, procure sempre orientação médica.

Testes para identificar inchaço

  • Observe seu corpo —geralmente as suas extremidades como as mãos e pés denunciam o acúmulo de líquido. As roupas marcadas e a dificuldade de tirar o anel do dedo também.

  • Ganho de peso em um curto espaço de tempo.

  • Ao pressionar por 2 segundos a pele na região inchada, por exemplo, os tornozelos, a marca do dedo na pele permanece por um tempo maior que 3 segundos.

Embora esse tipo de retenção de líquido típico do verão não seja motivo de preocupação a não ser do ponto de vista estético, é possível combatê-lo com medidas simples.

  • Beba muita água.
  • Evite roupas apertadas e opte por tecidos que permitam que a pele respire, minimizando o atrito.
  • Não fume.
  • Evite permanecer sentado ou parado na mesma posição por longos períodos.
  • Faça pausas para caminhar, estimular o retorno venoso e combater o edema.
  • Mantenha-se ativo.
  • Ingira alimentos naturais e evite embutidos, sal e excesso de doces e carboidratos simples.
  • Invista em drenagem linfática para auxiliar o retorno venoso e a reabsorção dos líquidos. O mais recomendado para se livrar da retenção de líquidos é associar a drenagem linfática ao exercício físico.

Efeitos da drenagem linfática associada ao exercício

O exercício promove um maior fluxo sanguíneo e linfático, a musculatura promove o bombeamento e estimula o retorno venoso. A drenagem reduz a retenção de líquidos, elimina resíduos metabólicos no tecido conjuntivo dérmico, característicos da celulite.

A drenagem quando associada pode aumentar a velocidade de transporte da linfa pelos vasos e ductos linfáticos estimulando o sistema linfático que fica localizado em uma camada bem superficial da pele.

A técnica bem aplicada consiste em movimentos suaves e rítmicos que estimulam a reabsorção dos líquidos para posterior eliminação.

*Colaboração de Renata Luri, fisioterapeuta doutora pela Unifesp e Juliana Satake, fisioterapeuta especializada da Clínica La Posture

Referências:

- Clare BA, Conroy RS, Spelman K. The diuretic effect in human subjects of an extract of Taraxacum officinale folium over a single day. J Altern Complement Med. 2009 Aug;15(8):929-34. doi: 10.1089/acm.2008.0152. PMID: 19678785; PMCID: PMC3155102.

- Cunha, Marisa Gonzaga da; Cunha, Ana Lúcia Gonzaga da; Machado, Carlos A.Fisiopatologia da lipodistrofia ginoide / Physiophatology of gynoid lipodystrophy. Surg. cosmet. dermatol. (Impr.) ; 7(2): 98-103, Abr.-Jun. 2015.

- Lawrence E. Armstrong, Matthew S. Ganio, Douglas J. Casa, Elaine C. Lee, Brendon P. McDermott, Jennifer F. Klau, Liliana Jimenez, Laurent Le Bellego, Emmanuel Chevillotte, Harris R. Lieberman, Mild Dehydration Affects Mood in Healthy Young Women, The Journal of Nutrition, Volume 142, Issue 2, February 2012, Pages 382-388, https://doi.org/10.3945/jn.111.14200.

- Rakova N., Luft F., Titze J. Increased salt consumption induces body water conservation and decreases fluid intake. J Clin Invest. 2017;127(5):1932-1943.

- Shonvvetter, B; Soares, J.L; Bagatin, E. Longitudinal evaluation of manual lymphatic drainage for the treatment of gynoid lipodystrophy* . An Bras Dermatol. 2014;89(5):712-18.