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Paola Machado

Desequilíbrio eletrolítico gera fraqueza e até arritmia; entenda problema

A produção excessiva de suor durante o exercício, sem a correta reposição de água e minerais, pode causar desequilíbrio eletrolítico no organismo - iStock
A produção excessiva de suor durante o exercício, sem a correta reposição de água e minerais, pode causar desequilíbrio eletrolítico no organismo Imagem: iStock
Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do VivaBem

18/11/2020 04h01

Quem pratica atividades físicas provavelmente já ouviu falar sobre os eletrólitos perdidos no suor e a importância de repor essas substâncias. Mas você sabe o que são e qual a função delas no organismo?

Eletrólito é o termo genérico para partículas que carregam uma carga elétrica positiva ou negativa. Na nutrição, o termo se refere aos minerais essenciais encontrados no sangue, suor e urina (sódio, potássio, cálcio, magnésio etc.). Quando esses minerais se dissolvem em um fluido, eles formam eletrólitos —íons positivos ou negativos usados em processos metabólicos.

Os eletrólitos estão envolvidos em muitos processos essenciais em seu corpo. Eles desempenham papel na condução dos impulsos nervosos, contração dos músculos (inclusive do coração), manutenção do equilíbrio hídrico e regulação do pH do organismo. Portanto, você precisa obter uma quantidade adequada de eletrólitos com a dieta para manter seu corpo funcionando como deveria.

Problemas trazidos pelo desequilíbrio

O desequilíbrio de eletrólitos (quando o nível dessas substâncias no sangue fica muito alto ou muito baixo) é prejudicial à saúde e costuma ocorrer devido à desidratação causada pelo excesso de calor (que aumenta a produção de suor, que contém eletrólitos), vômitos ou diarreia, por exemplo. É por isso que você deve estar atento para repor quaisquer fluidos perdidos quando estiver calor, ao fazer exercícios ou quando estiver doente. Além disso, algumas doenças, incluindo as renais, distúrbios alimentares e lesões —como queimaduras graves— podem causar desequilíbrios eletrolíticos.

As formas leves de distúrbios eletrolíticos podem não apresentar sintomas e passarem batidas até que sejam descobertas durante um exame de sangue de rotina. Os sintomas geralmente começam a aparecer quando um determinado distúrbio se torna mais grave.

Os sintomas comuns de um distúrbio eletrolítico incluem:

  • Arritmia cardíaca;
  • Aceleração dos batimentos cardíacos;
  • Fadiga;
  • Letargia;
  • Convulsões ou ataques;
  • Náusea ou vômitos;
  • Diarreia ou constipação;
  • Cólica abdominal;
  • Cãibra muscular;
  • Fraqueza muscular;
  • Irritabilidade;
  • Confusão mental;
  • Dores de cabeça;
  • Dormência;
  • Formigamento.

Caso note esses sintomas e suspeite de alguma desordem eletrolítica, procure um médico.

Conheça os minerais

Existem diversos tipos de distúrbios eletrolíticos, cada um, obviamente, provocado pela falta (hipo) ou excesso (hiper) de um determinado mineral. Nesse texto vou citar alguns deles de forma sucinta e seus desequilíbrios.

CÁLCIO
O cálcio é o mineral mais abundante no nosso organismo e extremamente importante para diversas funções, que vão desde a formação de ossos e dentes até a produção de hormônios importantes, liberação de várias enzimas, funcionamento adequado do sistema imunológico, coagulação sanguínea e até mesmo na contração muscular durante a atividade física.

A hipercalcemia ocorre quando há muito cálcio no sangue. Isso geralmente é causado por doença renal, distúrbios da tireoide, doenças pulmonares, certos tipos de câncer, uso excessivo de antiácidos e suplementos de cálcio ou vitamina D e uso de alguns medicamentos. Alguns sintomas incluem aumento da sede e da micção, dor de barriga, náuseas, dor óssea, fraqueza muscular, confusão mental e fadiga.

A hipocalcemia ocorre devido à falta de cálcio adequado na corrente sanguínea. As causas podem incluir falência renal, hipoparatireoidismo, deficiência de vitamina D, pancreatite, câncer de próstata, má absorção do mineral e certos medicamentos. Alguns sintomas incluem fadiga, batimento cardíaco irregular, dormência e formigamento, confusão, fraqueza muscular e cãibras, dores de cabeça e convulsões.

CLORETO

É necessário para manter o equilíbrio adequado dos fluidos corporais.

A hipercloremia pode acontecer como resultado de desidratação severa, falência renal, diálise. Alguns sintomas incluem hipertensão arterial, sede intensa, diarreia e vômitos (quando a causa é desidratação), hiperglicemia, fraqueza etc.

A hipocloremia Geralmente é causada por problemas de sódio ou potássio, por transtornos alimentares e insuficiência renal aguda. Alguns sintomas incluem diarreia, vômitos ou sudorese (quando a causa é desidratação), hipertonia muscular, fraqueza muscular, espasmos musculares, respiração superficial e diminuída.

MAGNÉSIO

Está associado à ativação de muitas enzimas. Entretanto, uma das principais funções do magnésio consiste no controle dos batimentos cardíacos, estimulação dos vasos sanguíneos, pressão arterial e contração muscular.

A hipermagnesemia afeta principalmente pessoas com doença de Addison e doença renal em estágio terminal. Os sintomas incluem hiporreflexia, hipotensão, depressão respiratória e parada cardíaca.

A hipomagnesemia tem como causas comuns o uso excessivo de álcool, desnutrição, má absorção do nutriente, diarreia crônica, suor excessivo e insuficiência cardíaca. Os sintomas incluem anorexia, náuseas, vômitos, letargia, fraqueza, alteração de personalidade, tetania.

FOSFATO

Os rins, ossos e intestinos trabalham para equilibrar os níveis de fosfato no corpo. O mineral é necessário para uma ampla variedade de funções e interage intimamente com o cálcio.

A hiperfosfatemia pode ocorrer devido a baixos níveis de cálcio, doença renal crônica, dificuldades respiratórias graves, glândulas paratireoides subativas, lesão muscular grave e uso excessivo de laxantes contendo fosfato. Pode produzir sintomas gastrintestinais, como náuseas, vômitos e diarreia.

A hipofosfatemia pode ocorrer por abuso agudo de álcool, queimaduras graves, inanição, deficiência de vitamina D, glândulas paratireoides hiperativas. Na hipofosfatemia crônica leve os ossos podem enfraquecer e resultar em dor óssea e fraturas. A pessoa pode ficar fraca e perder o apetite.

POTÁSSIO

Tem sido estudado como tentativa de elucidar os mecanismos moleculares envolvidos nos processos de propagação de impulsos nervosos, contração muscular, ativação celular e secreção de moléculas biologicamente ativas.

A hipercalemia (altos níveis de potássio) pode ser fatal se não for diagnosticada e tratada. Normalmente ocorre por desidratação severa, falência renal, acidose grave, certos medicamentos —incluindo alguns para pressão arterial e diuréticos — e insuficiência adrenal, que ocorre quando seus níveis de cortisol estão muito baixos. Alguns sintomas incluem dor no peito, alteração dos batimentos cardíacos, sensação de dormência ou formigamento e fraqueza muscular.

A hipocalemia geralmente acontece como resultado de distúrbios alimentares, vômito ou diarreia severa, desidratação e certos medicamentos —incluindo laxantes, diuréticos e corticosteroides. Alguns sintomas incluem ritmo cardíaco anormal (disritmias), fadiga, constipação, fraqueza ou espasmos musculares e lesão muscular.

SÓDIO

É necessário para o corpo manter o equilíbrio de fluidos e fundamental para o funcionamento normal do organismo, ajudando a regular a função nervosa e a contração muscular.

A hipernatremia (níveis elevados de sódio) pode ser causada pela ingestão inadequada de líquidos, diarreia, disfunção renal e uso de medicamentos como diuréticos. Os sintomas variam com base na gravidade da doença, mas incluem sede, agitação e fadiga.

A hiponatremia tem como causas comuns a ingestão excessiva de água, diarreia, alimentação inadequada, transtorno de uso de álcool, insuficiência hepática, cardíaca ou renal e certos medicamentos. Os sintomas incluem náuseas, dor de cabeça, confusão mental e fadiga.

Se você suspeitar que tem um desequilíbrio eletrolítico, converse sobre seus sintomas com seu médico. Existem exames para detectar esses desequilíbrios e tratamentos específicos para qualquer desordem. E não se esqueça de manter-se hidratado, sempre, de acordo com recomendações e procurar orientação nutricional para adequar sua alimentação de acordo com suas necessidades.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL