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Paola Machado

Bolsa de gelo ou de água quente? Saiba em quais situações e como usá-las

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

20/10/2020 04h00

Hoje traremos informações práticas baseadas nas duas das perguntas mais comuns em consultórios de fisioterapia:

Se em casa eu sentir dores, devo usar bolsa de água quente ou bolsa de gelo?
Logo após uma pancada no jogo, devo usar bolsa de água quente ou água fria?

Pensando nisso, o texto de hoje será especialmente para você sanar essas dúvidas e romper alguns mitos.

A dúvida é bastante comum entre pacientes, pois ambos os métodos têm seus benefícios. No entanto, é importante entender que eles produzem efeitos distintos com indicações específicas.

  • Para isso, o primeiro ponto é avaliar o que você está sentindo: dor - qual é a causa - uma lesão, queda, esforço excessivo ou algum movimento novo que machucou - quando e como ela se iniciou - há quanto tempo tem sentido, é uma dor recorrente (crônica).

  • O segundo ponto é observar se, além da dor, há sinais de inflamação como inchaço, aumento de temperatura no local ou mudança de coloração com vermelhidão.

  • Lembretes: cuidados devem ser considerados em casos de neuropatias e alterações de sensibilidade que podem mascarar a tolerância ao quente e frio e podem levar a lesões na pele. Além disso, cuidados devem ser redobrados em idosos e crianças, pessoas com dificuldade de comunicação ou déficit cognitivo, devido à fragilidade da pele ou à falta de feedback sobre a tolerância ao uso das compressas.

  • Caso você tenha hipersensibilidade ao frio, lesão ou síndrome vasomotora, não deve fazer uso da termoterapia. Saiba que há outras formas não medicamentosas de se obter efeitos analgésicos e de controle de inflamação. Consulte um fisioterapeuta especialista.

A partir dessa avaliação, você deve entender os efeitos de cada um desses recursos:

  • Bolsa de gelo

Pode ser usada também através das técnicas de imersão. Você já deve ter visto um atleta entrando em uma banheira de gelo após uma partida, não é?

Efeitos: altera o metabolismo local, restringe o fluxo sanguíneo e evita que uma lesão primária se torne mais extensa. Pode prevenir o inchaço (edema), evitar o hematoma (sangramento interno), diminuir a dor e anestesiar o local. Estudos apontam que a aplicação de frio por 20 minutos reduz cerca de 30% a transmissão dos impulsos nervosos de dor, sendo que esses efeitos podem perdurar por cerca de 30 minutos após o uso de compressa.

A temperatura da pele deve chegar a 13,8°C para diminuir o fluxo sanguíneo local e a 14,4°C para a analgesia.

Indicações: Casos agudos, isto é, os que acabaram de acontecer, após quedas, pancadas, distensões musculares ou lesões nas articulações, sendo recomendada nas primeiras 48 horas após trauma. Pode ajudar em estiramento, entorse ou mesmo se você quer um efeito recovery para reduzir o incômodo pós-treino.

Tempo de aplicação: 15 a 20 minutos

Cuidados: caso permaneça em contato direto com a pele ou por tempo prolongado pode gerar ulcerações, lesões em pele e paralisias de impulsos em trajetos nervosos.

Dica: Você pode fazer a compressa, pegando gelo, colocando-o em um saco plástico e triturando para que ele melhor se adapte ao local que será aplicado. Use uma toalha para não colocá-lo em contato direto com sua pele. A sensação inicial de queimação não é confortável, mas rapidamente, com a queda da temperatura corporal, há mudanças de sensibilidade, dormência e analgesia após 5 a 12 minutos.

  • Bolsa de água quente
Cólica menstrual, bolsa de água quente - iStock - iStock
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A velha bolsa de água da vovó, a lâmpada vermelha - infravermelho, atingem tecidos superficiais. Há outros recursos que podem atingir tecidos mais profundos, como os usados pelos fisioterapeutas durante tratamentos.

Efeitos: aumento do metabolismo local, aumento do fluxo sanguíneo. Sensação de relaxamento e alteração de sensibilidade. Pode melhorar a função e elasticidade de tendões e músculos. Pode ser usada ainda para aliviar desconfortos comuns como cólicas abdominais provocadas pela tensão pré-menstrual (TPM) ou até no parto.

Indicações: lesões mais crônicas, pode auxiliar em casos após 48 horas do trauma. Pode ser usada nos casos de contraturas nas costas, dores crônicas em qualquer região.

Tempo de aplicação: 15 a 20 minutos

Cuidados: Cuidado com o controle de temperatura, a água não pode estar muito quente para não queimar a pele.

Dica: No caso de infecções e inflamações, evite fazer por conta própria. Procure por orientação adequada e específica.

Caso os sintomas de um trauma não reduzam, mesmo com a utilização das compressas, procure por orientação médica adequada. Lembre-se que esse texto é meramente informativo para auxiliar na escolha do melhor manejo em casa, e não substitui o papel e a importância de um profissional de saúde para orientação e tratamento específico.

*Colaboração Juliana Satake, fisioterapeuta especializada pela Unicamp e sócia da Clínica La Posture e Dra. Renata Luri, fisioterapeuta doutorada pela Unifesp.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL