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Papo de vagina

Qual é a melhor calcinha para a sua saúde íntima e como cuidar desta peça

Do melhor tecido à maneira adequada de lavar, saiba como a calcinha pode ajuda a manter a vulva e a vagina saudáveis - Priscila Barbosa
Do melhor tecido à maneira adequada de lavar, saiba como a calcinha pode ajuda a manter a vulva e a vagina saudáveis Imagem: Priscila Barbosa

Natália Eiras

Colaboração para Universa

13/07/2021 04h00

Você sai do banho, faz toda a rotina de skincare e já pega a primeira calcinha que vê na gaveta do guarda-roupa para então se dedicar ao look do dia? Acha que saúde íntima é só lavar bem a pepeca e usar camisinha? Pois saiba que pode estar deixando de lado uma parte importante do autocuidado: a calcinha. Afinal, é ela que passa mais tempo em contato com suas partes íntimas. Do melhor tecido à maneira adequada de lavar, saiba como a calcinha pode ajuda a manter a vulva e a vagina saudáveis.

Tomando um ar

Em uma loja de lingerie, a primeira pergunta que vem à mente costuma ser: estilo biquíni, vovó, cavada ou fio-dental. Talvez seja a hora de mudar o foco do modelo para o material. "Mais do que ficar se preocupando com modelo e ajuste, preste atenção na composição do tecido da calcinha", diz a ginecologista e obstetra Debora Recchi, do Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo). "Não adianta a peça ser linda e maravilhosa se ela prejudica a sua saúde íntima."

A calcinha favorita dos ginecologistas é a feita 100% de algodão, uma fibra natural. "Esse tecido permite uma ventilação maior da vagina, o que é muito importante para manter a flora vaginal em equilíbrio", diz a ginecologista e obstetra Mariana Ferreira, do Rio de Janeiro, que fala sobre saúde da mulher para seus cerca de 20 mil seguidores nas redes.

Já os tecidos sintéticos retêm calor e umidade nessa área tão delicada. "Caso a região fique muito abafada, pode haver um desequilíbrio dos microorganismos que compõem a flora vaginal e o surgimento de infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana, além de coceira, odor e corrimento."

Além de ajudar suas partes íntimas a respirar, o algodão também absorve a transpiração em dias de calor. "O importante é que a vagina e a vulva não fiquem muito quentes nem úmidas porque, assim, elas se tornam o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias e fungos. Elas precisam estar na mesma temperatura do restante do corpo", diz Debora Recchi.


Tire o fio-dental

Depois de acertar na composição do tecido da calcinha, agora sim, é hora de pensar no modelo ideal. Se a saúde íntima for sua prioridade, prefira as mais larguinhas, que não apertam as partes íntimas. "A lateral até pode ser fininha, mas a parte de baixo, que fica em contato com a região da vulva, não deve ficar muito grudada", diz Debora.

Mas quem curte um fio-dental ou uma peça de rendinha não precisa desanimar. As especialistas ressaltam que as calcinhas cavadas e rendadas não devem ser totalmente banidas do seu guarda-roupa. "Só não use no dia a dia. Se é para uma ocasião especial, tudo bem. Só não fique muito tempo com a calcinha", diz Mariana. Guarde-as, então, para quando quiser impressionar ou se sentir especialmente gata. Nos outros dias, deixe sua vulva respirar.


Nada de calcinha no box

Os cuidados com as calcinhas se estendem à limpeza delas: é importante que você tenha um carinho especial na hora de lavá-las e armazená-las para evitar contaminação e, mais uma vez, o desequilíbrio na sua flora vaginal.

"Para lavar a calcinha, a forma mais certeira de evitar algum tipo de irritação é utilizar o mesmo sabonete íntimo usado para limpar a vulva", diz Mariana Ferreira. Se você não usa o sabonete específico para a região, aposte no sabão neutro para a lavagem da peça íntima. Evite amaciantes, cujos componentes químicos podem causar alergias, e, de preferência, lave as calcinhas separadas de outras roupas sujas ou de peças íntimas de companheiros de casa para evitar possíveis contaminações.

As especialistas dizem que tanto faz lavar a calcinha na máquina ou à mão. Mas sabe aquela mania de deixar a calcinha no box do banheiro? Esqueça imediatamente. "Não há problema em lavar a peça no banho, mas enxágue muito bem, para que não fique qualquer resíduo de sabão. E coloque-a para secar em um lugar arejado, de preferência onde bata sol", diz a ginecologista de São Paulo.

É fundamental que a calcinha esteja completamente seca antes de você usá-la. E, no banheiro, um ambiente bastante úmido, a secagem acaba não sendo a adequada. "Além disso, ao dar descarga, coliformes fecais podem acabar contaminando a peça íntima", afirma Mariana. "Passar a calcinha com ferro não é necessário, mas pode ser uma forma de você ter certeza que ela está seca", explica Debora.

Joga fora no lixo

É importante ficar atenta também ao aspecto de suas calcinhas para descobrir a melhor hora de trocá-las. "Não há nenhuma regra, mas o ideal é jogar fora quando o tecido do fundilho estiver desgastado", diz Debora.

Já Mariana aconselha observar se há sinais de mofo, que indicam que é hora da substituição. "Pode surgir uma mudança da coloração da calcinha, mas isso está relacionado às secreções. O importante mesmo é que não tenha mofo ou algo similar", diz a ginecologista do Rio de Janeiro.

Pepeca livre

Já no guarda-roupa, a recomendação é organizar as calcinhas separadas das roupas íntimas da companheira ou companheiro, em um local sem umidade e longe de peças que podem estar sujas —e onde seus bichos de estimação não tenham acesso.

Além de cuidar muito bem das suas calcinhas, o melhor mesmo para a sua saúde íntima é que você dê uma folguinha para elas de vez em quando e deixe a pepeca livre. "Todas as oportunidades que tiver para ficar sem calcinha —enquanto estiver em casa, ao dormir— devem ser aproveitadas para garantir a ventilação da vulva e da vagina", diz Mariana.

Evite, também, ao máximo roupas apertadas, como calças jeans e leggings, para que a região não fique quente demais. "O melhor para a saúde íntima é sempre usar roupas bem frescas e largas."

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