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Mulher trans relata estupro sofrido em presídio masculino nos EUA

Transexual americana foi encarcerada duas vezes em presídios masculinos - Juanmonino/iStock
Transexual americana foi encarcerada duas vezes em presídios masculinos Imagem: Juanmonino/iStock

De Universa, em São Paulo

04/08/2020 10h59

Tykira Spruill, mulher transexual americana, contou em entrevista ao jornal WY Daily que foi vítima de estupro e sofreu com maus tratos dos médicos quando esteve encarcerada em presídios masculinos.

Spruill foi presa por duas vezes. Na primeira, ela foi acusada de roubo. Na segunda, ela foi acusada de fraude de identidade.

As coisas se agravaram na segunda passagem. Ela tinha acabado de colocar próteses de silicone nos seios e enfrentou um quadro de infecção grave, que a fazia perder a visão e até desmaiar. Encarcerada em um presídio diferente do primeiro, Spruill encontrou uma equipe médica que não estava preparada para lidar com problemas de saúde enfrentados comumente pela população transexual.

"Os médicos simplesmente não sabiam o que fazer comigo. Foi aterrorizador", contou. A infecção só foi tratada corretamente uma vez que ela foi transferida para seu antigo presídio, onde ela já conhecia a equipe médica.

No entanto, um ano antes de sair da prisão, Spruill foi vítima de um estupro na prisão. Ela relatou ao WY Daily que estava fazendo suas tarefas de limpeza no presídio quando percebeu que um homem estava olhando para ela. Quando ela foi tomar banho, ela foi seguida, jogada no chão e estuprada por ele.

"Eu não queria gritar e acordar o grupo inteiro", confessou ela. "Eu não sabia o que fazer. O que você faz quando está sendo estuprada?"

Na sua primeira passagem pelo presídio, ela ainda estava nos primeiros passos de sua transição de gênero. Spruill ainda não tinha seios, mas já possuía injeções de silicone no rosto — o que, mesmo sem as roupas femininas, não seria tão fácil de esconder em uma cadeia masculina.

Dados da Prison Policy Iniciative, grupo americano que estuda políticas públicas sobre encarceramento nos Estados Unidos, dão conta de que a população trans tem 10 vezes mais chance de sofrer estupros na cadeira.

"Enquanto houver prisões abertas, alguém dentro daquele complexo estará extorquindo uma mulher trans", afirmou Spruill.

Nationz Foundation

Mesmo dois anos após sair da prisão, as memórias do que viveu na cadeia seguem vivas nas lembranças de Spruill. Ela resolveu usar essas experiências para ajudar outras mulheres transexuais da cidade de Richmond, no estado da Virgínia, participando da fundação Nationz.

"Há dias em que eu acordo e eu tenho apenas que continuar seguindo em frente", confessou dizendo que se motiva a ajudar outras transexuais estabelecendo uma relação de confiança. "Eu sei que há gente na comunidade trans chorando por ajuda, mas elas estão assustadas porque não confiam nas pessoas", contou.

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