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'Nada mudou', dizem mães de jovens negros mortos pela polícia nos EUA

Em Lausanne, manifestantes se ajoelham em homenagem a George Floyd, asfixiado por um policial branco nos EUA - FABRICE COFFRINI/AFP
Em Lausanne, manifestantes se ajoelham em homenagem a George Floyd, asfixiado por um policial branco nos EUA Imagem: FABRICE COFFRINI/AFP

De Universa, em São Paulo

11/06/2020 09h52Atualizada em 11/06/2020 12h54

Mulheres que, por anos, protestaram em nome de justiça pela morte de seus filhos — assassinados pela polícia norte-americana — dizem que nada mudou em relação à violência sistematicamente praticada contra pessoas negras nos Estados Unidos. Mas, o diferente hoje elas afirmam, é a resposta de uma nova geração, que quer mudanças.

Em reportagem no site britânico The Guardian, essas mães falam sobre suas experiências. Kadiatou Diallo, Valerie Bell e Constance Malcolm fizeram seus relatos na semana passada, em Nova York.

Amadou Diallou, filho de Kadiatou, morreu em 1999, baleado pela polícia com 41 tiros.

Sean Bell levou 50 tiros, em 2006, horas antes da cerimônia de seu casamento.

O filho de Constance, aos 17 anos, foi perseguido pela polícia e assassinado dentro de casa, na frente do irmão de 6 anos de idade, sob a alegação de que o adolescente tinha um revólver — ele estava desarmado.

"Não há mudança", disse Diallo. Quase ao mesmo tempo, Malcolm acrescentou: "Se alguma coisa [mudou], piorou".

"O que é diferente desta vez é uma geração que tem fome de mudança", disse Malcolm.

Como um grupo, essas mulheres pediram a um promotor especial para investigar todas as mortes envolvidas com policiais desde 2015, a revogação de uma lei do estado de Nova York que protege a polícia da divulgação de seus registros disciplinares, e a redução de financiamento da polícia.

"Nossos filhos e netos sobreviventes merecem um futuro melhor", disse Diallo. "A única mudança que notei é a câmera. Os vídeos, que estão educando as pessoas, mostrando a verdade."

A morte de George Floyd, no dia 25 de maio, um afrodescendente que foi asfixiado por um policial branco enquanto estava algemado e imobilizado no chão, levou a uma comoção mundial sobre o racismo. Uma pessoa que passava pelo local onde ocorreu a ação gravou imagens com um celular. O policial branco estava ajoelhado sobre o pescoço da vítima, que repetia que não conseguia respirar. Esse vídeo já foi assistido milhões de vezes em todo o mundo.

Antes de morrer, Floyd pediu para falar com a mãe.

"Quando George Floyd ligou para sua mãe, todas as mães foram convocadas a pressionar e fazer as coisas acontecerem. Nossa força, nossa força é realmente pressionar pela mudança que precisamos, porque não vamos desistir. Como eu disse, nada mudou", defende Diallo.

Nesta semana, o estado de Nova York aprovou uma lei que criminaliza o estrangulamento.

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