Topo

Polícia investiga comentário homofóbico em post sobre Parada Gay no Rio

O sociólogo Márcio Paixão que abriu um boletim de ocorrência - Arquivo pessoal
O sociólogo Márcio Paixão que abriu um boletim de ocorrência Imagem: Arquivo pessoal

Marina Lang

Colaboração para Universa

10/09/2019 14h57

A Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) do Rio de Janeiro investiga um comentário homofóbico feito em uma postagem da Prefeitura de Cabo Frio no Facebook no último domingo (8).

A postagem da prefeitura fazia o convite para a Parada LGBTQI+ no município, que fica na Região dos Lagos. Em seguida, um homem comentou aludindo ao uso de "snipers" (atiradores de elite) contra os participantes do evento.

"Atenção snaips [sic], a caça tá liberada amanhã em Cabo Frio? Sem dó!", escreveu ele.

O comentário gerou revolta entre usuários da rede social. Mas o sociólogo Márcio Paixão, 30, resolveu levar adiante a denúncia e abriu um boletim de ocorrência ontem.

"Eu fiquei muito afetado diante disso", relatou ele para Universa. "Por que não foi diretamente a mim, mas ao grupo a que pertenço. Ser violento não é só agredir fisicamente as pessoas. A incitação ao ódio é um tipo de violência também. Homofobia é crime e não tem como não utilizar as leis e a punição jurídica, uma vez que tantos corpos caíram no chão e morreram para que essas leis fossem aplicadas. Não somos presas a serem caçadas", prosseguiu Paixão.

Comentário em post sobre a Parada Gay de Cabo Frio - Reprodução/Facebook
Comentário em post sobre a Parada Gay de Cabo Frio
Imagem: Reprodução/Facebook

O homem, que apagou o comentário e mudou as informações do perfil na rede social a fim de não ser rastreado, responderá pelo crime de homofobia, que foi enquadrado como crime similar ao de racismo por meio da lei que tipifica este crime (Lei 7.716/1989) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em junho deste ano, segundo relatou o sociólogo. Paixão pretende, ainda, abrir uma ação cível na Defensoria Pública do Rio em relação ao comentário homofóbico.

"Não por uma questão de indenização, mas gostaria que esse cara pudesse se inserir no nosso grupo. Queria que participasse algumas atividades com a gente para lidar com esse preconceito", afirmou.

Ele também elogiou a atuação dos policiais da delegacia especializada.

"Fui muito bem atendido e acolhido por eles. Então relatei no meu perfil do Facebook para explicar a eficácia dessa delegacia. Muita gente sequer sabia da existência da Decradi, e por isso tornei público: para que seja uma ferramenta para os meus pares, e mostrar pros preconceituosos que eles não podem incitar crimes de ódio que estimulam a violência contra a população LGBTQI+", disse.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{user.alternativeText}}
Avaliar:

O UOL está testando novas regras para os comentários. O objetivo é estimular um debate saudável e de alto nível, estritamente relacionado ao conteúdo da página. Só serão aprovadas as mensagens que atenderem a este objetivo. Ao comentar você concorda com os termos de uso. O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Diversidade