Quarto de menina não precisa ser todo cor-de-rosa para ser feminino; veja ideias

Se você está às voltas com a decoração do quarto da sua filha, e antes que caia na tentação de fazer uso exagerado do rosa no espaço, saiba que não é só essa cor capaz de imprimir feminilidade a um ambiente –e que nem sempre ela representou o sexo feminino.
A divisão de rosa para meninas e de azul para meninos passou a ser difundida de maneira intensa principalmente depois da Segunda Guerra Mundial. Há quem atribua o uso da cor a uma simples jogada de marketing do pós-guerra, à semelhança do tom com o dos lábios femininos e, ainda, a lendas da antiguidade. Mas ninguém sabe realmente, já que antes da Primeira Guerra o usual era exatamente o contrário: homens usavam rosa e mulheres, azul.
O fato é que esse padrão cromático estabelecido no século passado define até hoje que meninas sejam naturalmente marcadas pela cor rosa desde que nascem. Tudo é rosa no universo infantil feminino, e essa cor –que em nossa época remete à doçura, à delicadeza e à ingenuidade– é naturalmente transportada para o local onde o bebê cresce, torna-se criança e passa a desenvolver gostos e opiniões próprias.
Dicas básicas para decorar o espaço da sua menina
- Leve em conta o espaço disponível, evitando congestionar o ambiente com móveis e acessórios em excesso. Defina primeiramente cama e guarda-roupa;
- Não adquira móveis ou objetos que possam machucar a criança ou que tenham alturas inadequadas, que a forcem a se pendurar no mobiliário;
- Evite carregar no uso da cor rosa. Muitos pais parecem acreditar que decorar o quarto da menina é pintar as paredes com essa cor. “Logo o ambiente se torna enjoativo e ultrapassado”, afirma Paula Ferraz;
- Entenda que o espaço deverá aceitar transformações, pois logo a criança irá crescer. Invista em elementos neutros e atemporais;
- Utilize roupas de cama e tecidos fáceis de lavar. Ninguém quer uma mãe gritando porque a filha derrubou tinta na almofada de seda pura caríssima do quarto.
Equilíbrio de cores
No entanto, muitos arquitetos e decoradores têm se desvencilhado do tom ou, pelo menos, usado a cor em objetos pontuais, de maneira a criar um quarto de menina moderno, alegre e, ainda assim, feminino. A arquiteta Susy Melo afirma que procura mostrar para pais e filhas outras opções de cores que também conferem delicadeza, aspecto lúdico e alegria ao espaço.
Para a arquiteta Fernanda Marques, não é o rosa que imprime delicadeza ao espaço e, sim, o equilíbrio entre cores, cheios e vazios, e as proporções dos móveis. "Às vezes, o rosa pode causar efeito contrário". Segundo ela, há crianças que, de cara, rejeitam a cor e pedem opções diferentes.
A designer de interiores Marília Caetano também aposta em uma harmonia rica entre combinações de cores para remeter ao universo infantil feminino. "Por exemplo, turquesa e pistache, laranja e lilás, turquesa e vermelho, verde e laranja ou amarelo e lilás".
Espaço lúdico
Dentro desse universo de escolhas, por mais que se ouça a criança, a palavra final cabe aos pais e Paula Ferraz, do escritório de arquitetura Cavalcante e Ferraz, diz que é necessária a intervenção dos adultos para manter uma linguagem mais atemporal no espaço. "As crianças crescem, mudam de gosto, viram jovenzinhas e o quarto precisa acompanhar esse crescimento", afirma.
Por outro lado, os pais também devem ter em mente que o quarto da criança é seu mundo particular. Por isso, devem permitir que ela imprima seu estilo nele, sem perder o aconchego e a funcionalidade do ambiente. "Isso torna o crescimento da criança mais rico, pois ela se sente parte da casa e passa a compreender noções de espaço, privacidade e personalidade".
Paula afirma que cores suaves mescladas entre si dispensam o rosa, assim como painéis, piso, paredes e tecidos em tons neutros permitem a inserção de pontos de cores fortes, sem roubar do espaço a feminilidade e a delicadeza. Nesse quesito, a marcenaria branca, que aceita todo tipo de cor e padronagem, é campeã de uso.
Esse quarto da A3 Interiores traz enxoval azul e parede laranja para uma menina de quatro anos
Em movimento
Decoradores e arquitetos ouvidos nesta reportagem concordam que o quarto da criança, por ser ligado ao lúdico, não deve necessariamente seguir a decoração do resto da casa. "Ainda assim, é possível incluir elementos que conversem com o conceito adotado no restante do imóvel”, diz a arquiteta Christina Hamoui.
É importante que o ambiente seja funcional e contenha elementos passíveis de trocas e alterações: itens neutros e quadros e adesivos, que podem ser removidos com o tempo, são bons aliados da decoração para crianças, já que essas estão em constante transformação.
As bancadas de estudo são um exemplo pertinente, afirma a arquiteta Clélia Regina Ângelo. Segundo a profissional, para crianças de cinco anos, o móvel pede uma altura de 60 a 65 centímetros, enquanto que para um pré-adolescente ele já pode ter a altura padrão de 75 centímetros. "O importante é lembrar que todos os móveis devem ter cantos arredondados e alturas confortáveis para os menores".
Cada coisa em seu lugar
Além da cama e do guarda-roupa, indispensáveis em qualquer fase, o restante do mobiliário entra de acordo com a necessidade e o ritmo de cada criança. "Temos a função de projetar espaços onde os brinquedos tenham vez, mas não deixem o quarto bagunçado, portanto que sejam fáceis de pegar e de guardar, principalmente em gavetões ou baús na altura dos seus donos", afirma Suzy Melo.
Paula Ferraz diz que bonecas e outros itens ficam bem armazenados em gavetões sob a cama, em móveis com rodízios tipo baús ou sob a bancada. "Visíveis podemos deixar brinquedos que dão a temática do quarto". Para a especialista, a delicadeza do ambiente pode ficar por conta de uma penteadeira de linhas elegantes, de um criado-mudo com nichos, de gavetinhas e puxadores estilizados e da criatividade nos papéis de parede, painéis e estofados escolhidos.
O quarto Peace, da loja paulistana Hits, mistura cores vibrantes e símbolos dos anos 60
Bonito e barato
De acordo com os profissionais ouvidos, não é preciso uma fortuna para deixar um quarto de menina atraente e delicado sem recorrer à pintura rosa em todas as paredes. Suzy Melo aposta no uso de papéis de parede, tendência atual.
Paula Ferraz sugere usar quadros temáticos, adesivos nas paredes –que ocupam áreas grandes e têm boa relação custo benefício–, nichos comprados prontos –para colocar bonecas, pelúcias, entre outros objetos– ou uma cor diferenciada em uma das paredes.
Segundo Suzy, cortinas, tapetes e roupas de cama também são os responsáveis por dar o toque final à decoração. "Vale escolher um tecido de fácil lavagem e ao qual a criança não seja alérgica". Nesse ponto, os especialistas se dividem. Há quem sugira cores neutras e quem aposte na força de estampas mais trabalhadas e coordenadas. "Estampas de lacinhos, listras, florais e bordados têm tudo a ver com o universo feminino", afirma Paula.
Com relação às cortinas, também é possível economizar. "Uma simples cortina de voil com um bom acabamento pode fazer a diferença", fala Marilia Caetano. Um consenso entre os profissionais é que tanto objetos quanto tecidos escolhidos para o quarto infantil sejam de fácil manutenção para evitar acúmulo de sujeira.
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