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Brasileiro bomba no TikTok com vídeos sobre trabalho em cemitério na França

Tiktoker brasileiro César Júnior Soares é coveiro em cemitério em Paris, França - Arquivo pessoal
Tiktoker brasileiro César Júnior Soares é coveiro em cemitério em Paris, França Imagem: Arquivo pessoal

Priscila Carvalho

Colaboração para Tilt, no Rio de Janeiro

21/05/2022 04h00

Vivendo há seis anos em Paris, na França, o goiano César Júnior Soares, 34, tem divertido internautas falando sobre o seu trabalho como coveiro. Para ele, usar o humor para mostrar a rotina entre túmulos e lápides é um jeito de fazer as pessoas refletirem sobre os estereótipos do cemitério — como mal-assombrado e cheio de fantasmas.

Em um de seus vídeos mais popular, Soares representa cenas do que se passa na cabeça de um coveiro. No TikTok, o conteúdo já foi curtido por 1,2 milhão de pessoas e recebeu 10,4 mil comentários. No Instagram, ele soma 54 mil seguidores.

A Tilt, ele conta que começou a trabalhar na área sem nenhuma pretensão. Seu desejo era sair da rotina pesada da construção civil, e acabou vendo nessa vaga de emprego uma oportunidade.

"Coveiros do Brasil inteiro começaram a vir falar comigo", afirma após o sucesso de seus vídeos.

Em uma outra postagem, Soares brinca falando que vai mostrar um local mal-assombrado. O vídeo mostra então uma árvore que não está fazendo sombra. "Pronto, um local mal-assombrado", conta rindo.

Apesar de milhões de visualizações, nem todos curtem o material produzido por ele, conta. "Algumas pessoas achavam que eu era um grande fã do cemitério e outras respondiam inbox com a palavra 'credo'."

Cuidado na produção dos vídeos

Mesmo tendo muito trabalho durante o período mais intenso da pandemia de covid-19, com várias mortes por dia, o goiano aproveitava o tempo livre para estudar um pouco de produção de vídeo.

A rotina atual envolve ajuda de um amigo nas filmagens. Para organizar a produção de conteúdo, o brasileiro anota todas as ideias e falas em um rascunho no próprio celular.

Depois tenta organizá-las sempre que sobra um tempo. Segundo o coveiro, foi o jeito que achou mais fácil para manter a rotina dos vídeos.

Chefe do cemitério o apoia

Segundo Soares, a vida entre o trabalho de coveiro e influencer tem aprovação de seu chefe, desde que não atrapalhe o expediente.

O brasileiro ainda acrescenta que tem o cuidado de nunca fazer filmagens durante os sepultamentos ou cerimônias que ocorrem dentro do local. "Tenho respeito. Se fosse comigo, também não gostaria", afirma.

"Já enterrou alguém vivo?"

Desde que começou a fazer os vídeos, ele conta que já recebeu várias perguntas inusitadas dos seguidores. Uma delas foi se ele já teria enterrado alguém vivo.

Outra muito frequente é se ele já viu assombração. Mesmo querendo que o coveiro conte a todo custo, atos sobrenaturais não acontecem, diz o goiano.

Um pedido que faziam muito a ele era o registro de exumação dos corpos no local. Mas como precisa de autorização e ele preza pelo respeito aos familiares, ele afirma a Tilt que não faria isso em seus vídeos.

"As pessoas têm bastante interesse sobre isso. Mas mostrei apenas eu me preparando", diz.

Garoto-propaganda de funerária

Com a repercussão de seus vídeos, o brasileiro está pensando se cria um canal no YouTube.

Enquanto isso não acontece, ele diz lidar com propostas de algumas empresas funerárias brasileiras que o convidaram para ser "garoto-propaganda" da marca. "Eles querem fazer com que o cemitério se torne mais atrativo", afirma.

Segundo Soares, as conversas ainda estão sendo feitas.

Como falar de morte ainda é tabu, ele acredita que tratar do assunto de forma descontraída pode ser um caminho para aproximar as pessoas a debaterem sobre isso.