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Bola de fogo no céu: meteoro explosivo é visto em SP, RJ, MG e ES

Meteoro é visto no céu dos estados de SP, RJ, MG e ES  - Divulgação/Bramon
Meteoro é visto no céu dos estados de SP, RJ, MG e ES Imagem: Divulgação/Bramon

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

24/03/2021 14h46

Um meteoro do tipo "fireball" (bola de fogo, ou muito brilhante) foi visto na região Sudeste do país, na madrugada de segunda-feira (22). O fenômeno, rasante e bastante luminoso, foi visto em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Pelo menos 23 câmeras da Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros) e do Clima ao Vivo registraram a bola de fogo. Algo que chama a atenção, além de estar baixo no céu, é sua aparente "lentidão" — a passagem durou cerca de 12 segundos, bem demorado para esse tipo de meteoro.

"Isso fez com que algumas de nossas câmeras não filmassem o evento. Isso porque as estações são configuradas para só gravar vídeos quando detectam objetos que possam ser meteoros. A velocidade é um critério de corte para evitar a gravação de aviões, satélites e outros corpos mais lentos que a maioria dos meteoros", conta Marcelo Zurita, diretor técnico da Bramon.

As imagens de São Paulo mostram o meteoro aparentemente na vertical, caindo e perdendo velocidade. No ponto de vista do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, ele é visto mais na horizontal, correndo quase paralelo ao solo. "Quando o meteoro aparece vertical, quer dizer que ele está passando exatamente sobre a localidade", explica Sérgio Mazzi, diretor-presidente da Bramon.

Em Duque de Caxias (RJ), uma câmera com o campo de visão estreito captou em detalhes o trecho final do fenômeno, até seu desaparecimento. "Estou muito feliz com a excelente captura, que mostra um meteoro de cor verde-avermelhada, considerado raro", comemora o jovem Anderson Santos da Silva, autor do registro.

Foto do fireball feita pelo Observatório Pico dos Dias - Divulgação/Observatório Pico dos Dias - Divulgação/Observatório Pico dos Dias
Imagem: Divulgação/Observatório Pico dos Dias

"Minha estação fica posicionada para o lado Norte, com um campo de visão de apenas 36° e com maior aproximação. Isso favorece a captura de meteoros mais fracos e também de grandes detalhes deles. As câmeras de campo largo são mais indicadas para eventos meteorológicos em geral", completa.

O evento também rendeu uma bela foto da moderna câmera all-sky do Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis (MG). Ele aparece cruzando o céu sobre o pano de fundo da Via Láctea, até sumir por trás da cúpula do observatório.

Trajetória

"As análises preliminares apontam para um meteoro pertencente ao Radiante 72 Ophiuchids, na região da Constelação de Ophiucus. Mas ainda precisamos refinar esses dados", diz Mazzi, que também é autor de um dos registros de São Paulo.

A partir da triangulação das imagens, a Bramon conseguiu calcular a trajetória da rocha espacial. Ela atingiu nossa atmosfera às 3h46 da madrugada, a cerca de 79 km de altitude, sobre o município de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba (SP). Seguiu na direção nordeste, a uma velocidade de 54,3 mil km/h, em um ângulo de apenas 12° em relação ao solo. Percorreu uma distância de 187 km em 12,4 segundos, até desaparecer, a 40,2 km de altitude, sobre a zona rural de Ibertioga (MG).

Foi o pequeno ângulo que fez com que o objeto demorasse para atingir as camadas atmosféricas mais baixas e densas, que o desintegraram por completo. Por isso, a "bola de fogo" durou mais tempo e alcançou uma enorme distância, sendo registrada por várias câmeras, de locais diferentes.

Meteoro, "fireball" ou bólido?

Quando uma pequena rocha espacial (meteoroide) atinge a atmosfera da Terra, a altíssima velocidade provoca o aquecimento e a ionização dos gases ao seu redor, gerando o fenômeno luminoso que chamamos de meteoro —ou estrela cadente.

Se ele é mais brilhante que o planeta Vênus, podemos chamá-lo de "fireball" (bola de fogo). Um corpo do tipo que termina de forma explosiva, deixando um clarão ainda maior, também é chamado de bólido.

Na grande maioria das vezes, a rocha é completamente vaporizada durante sua passagem pela atmosfera, devido a um fenômeno chamado ablação. Dependendo de certas condições —como tamanho, composição e ângulo de entrada—, partes do meteoroide podem sobreviver ao processo, deixando fragmentos em solo, que recebem o nome de meteoritos.