PUBLICIDADE
Topo

App


Como "vereador do Uber" foi eleito com WhatsApp, YouTube e pouca grana

Marlon Luz foi eleito vereador de São Paulo pelo Patriota - Divulgação
Marlon Luz foi eleito vereador de São Paulo pelo Patriota Imagem: Divulgação

Renata Baptista

De Tilt, em São Paulo

08/12/2020 04h00

Marlon Farias da Luz —mais conhecido como Marlon do Uber— conseguiu um grande feito nas eleições deste ano. Além de ser eleito vereador na cidade de São Paulo com uma soma de 25.643 votos, ele obteve o resultado sendo o candidato mais "eficiente" em seus gastos.

Fazendo uso sobretudo de seu prestígio nas redes sociais, o candidato do Patriota afirma que gastou pouco mais de R$ 5,4 mil em sua campanha —sendo R$ 3 mil próprios e R$ 2,4 mil provenientes de um financiamento coletivo.

No TSE (Tribunal Superior Eleitoral), as informações são de que o valor que ele teve que tirar do bolso foi um pouco mais alto: R$ 5,5 mil, e os gastos declarados em campanha, somados, ficaram em R$ 8.913,01. Com isso, o valor "gasto" com cada voto ficou em torno de R$ 0,34.

Na outra ponta do ranking, para efeito de comparação, está a vereadora Edir Sales (PSD), que conseguiu a reeleição "pagando" quase R$ 39 por voto recebido. Foram 23.106 votos e gastos de R$ 900,1 mil —sendo R$ 700 mil de repasses de fundo eleitoral do partido.

Segundo ele, os maiores gastos de campanha foram com artigos gráficos —panfletos, bandeiras e adesivos. "E nem pude distribuir todos os adesivos", comenta, explicando que determinados aplicativos vetaram seu uso aos motoristas.

"A minha campanha foi toda montada no digital, com custo bem baixo. Contamos com uma rede social bem forte. Devo muito a isso", diz Marlon. O novo vereador diz que no Telegram comanda um grupo com cerca de 17 mil pessoas. Sem contar com a participação em 50 grupos de WhatsApp, com 200 integrantes em cada um deles. "Além disso, ainda tenho 10 mil contatos em meu WhatsApp, que foram colhidos nestes cinco anos em que trabalho como motorista", explica o gaúcho de Porto Alegre, que chegou a São Paulo em 2014.

Mas quem o projetou ao conhecimento do público foi seu canal do YouTube —o Uber do Marlon. Contando casos, dando dicas, promovendo seus cursos para motoristas e até fazendo "pegadinhas", ele chegou ao número de 613 mil inscritos. Seu vídeo mais popular, uma pegadinha em que pilota uma Ferrari para buscar passageiros, tem mais de 7,3 milhões de visualizações.

O sucesso na plataforma impulsionou outros negócios voltados aos colegas de profissão. Construiu pontos de apoio, montou uma loja virtual para venda de acessórios, como carregadores e suportes de celular, além de bolsas térmicas com água e balas, e até mesmo abriu uma empresa de seguro de carros para motorista de aplicativo.

Demandas

Entre as principais promessas de campanha de Marlon está a de combater os abusos cometidos pelo poder público e pelas empresas contra os condutores autônomos.

Em 2018, quando estava no Partido Novo, fez sua primeira tentativa nas urnas ao se candidatar a deputado federal. Obteve cerca de 26 mil votos no Estado, dos quais 14 mil foram na cidade de São Paulo.

Apesar de ser de um partido ligado à direita, ele diz que não teve dificuldades no diálogo com sua categoria. "A maioria dos motoristas tem uma tendência mais à esquerda, mas fui tirando essa resistência com o tempo", afirma Marlon, que diz ter feito a escolha pelo Patriota por conta da liberdade que o partido lhe ofereceu em apoiar os candidatos que quisesse.

Agora que foi eleito, Marlon diz que pretende manter suas redes ativas durante o período de sua gestão na Câmara. "Quero usar [as redes] até mesmo para prestar contas do que vou fazer. Não sei direito como tudo será a partir do próximo ano, mas é isso que eu quero", afirma.