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Mapas de calor, apps: especialistas explicam uso de dados contra a covid-19

De Tilt, em São Paulo

29/04/2020 13h56

O uso de dados pode ser usado para o combate à pandemia do novo coronavírus, especialmente em medidas de isolamento social. E o UOL Debate de hoje ouviu especialistas para apresentar algumas possibilidades.

Segundo Rafael Zanatta, coordenador de pesquisa do Data Privacy Brasil, "existe uma variedade grande de técnicas e projetos de cooperação entre governos e empresas".

"Um primeiro modelo é uma análise cartográfica — mapas de calor identificando registro de informação de uma estação radiobase que infere quando houve um deslocamento", disse, esclarecendo o uso que pode ser feito. "Um advogado disse que não queria que soubessem se ele vai de noite à casa da amante. Isso mostra a desinformação em torno desse formato", comparou.

O programa reuniu ainda Laura Schertel, professora da Universidade de Brasília (UnB); Maria Cecília Gomes, pesquisadora em privacidade na Fundação Getúlio Vargas (FGV); Renato Vieira Caovilla, advogado especialista em proteção de dados; e André Ferraz, CEO da In Loco Media. E para Maria Cecília, é preciso discutir algumas questões antes de um consenso a respeito do uso de dados.

"Para a gente chegar ao consentimento, acho importante mencionar que qualquer tecnologia implementada precisa ter os riscos associados aos titulares de dados. São riscos jurídicos, éticos e técnicos", ressalvou.

Dados com consentimento

Não é segredo que apps atuais já coletam dados do usuário. Mas, no momento atual, é importante que esses dados ofereçam segurança a quem o usa em celulares e tablets.

É o que defende André Ferraz, da In Loco, que lembra que as medidas tomadas pelo usuário — como desligar o GPS, por exemplo — não são 100% eficientes.

"A tecnologia em si consegue funcionar sem o GPS, mas isso não significa que a gente coleta o dado se você desligar o GPS. A gente usa esse momento em que se ativa ou desativa a localização como um sinal de que o usuário não quer a coleta", explicou.

"Hoje, a In Loco tem uma tecnologia embarcada em apps, que usam para duas principais ações. A primeira é para personalizar a experiência do usuário com base no comportamento dele; do outro lado, a gente tem apps que usam isso para fins de segurança", acrescentou, indo além.

"Através dessas aplicações, a gente tem acesso a esses aplicativos. Esse serviço só é acionado caso o usuário dê o consentimento. E se a gente vai dar um novo fim para o dado, a gente precisa de um novo consentimento dessa pessoa."

Ainda segundo André, o chamado contact tracing — uma espécie de rastreamento dos dados do usuário — pode gerar informações contraditórias.

"Se for usado dados de GPS para fazer contact tracing no Brasil, um país que tem muitos prédios, vai apontar que você teve contato com todo mundo do lugar onde você mora, mesmo que você não tenha tinha contato com todo mundo", exemplificou.