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Coronavírus: app rastreia pessoas na China e alerta contato com infectado

Getty Images
Imagem: Getty Images

Daniel Dieb e Thiago Varella

Colaboração para Tilt, em São Paulo

12/02/2020 09h27

Sem tempo, irmão

  • Aplicativo foi adotado para avisar se usuário teve um contato próximo com alguém infectado
  • Ele funciona com base em dados de saúde e transporte coletados de agências do governo
  • O usuário se cadastra, insere número de telefone e identidade para fazer a pesquisa
  • A iniciativa é mais uma estratégia para combater a disseminação, mas a privacidade dos usuários ainda é um ponto polêmico

Diante do surto do coronavírus, o governo chinês decidiu adotar um aplicativo para celulares que rastreia as pessoas e emite um aviso se elas estiverem próximas a alguém infectado com o novo coronavírus. Se o retorno for positivo, a pessoa é recomendada a ficar em casa e contatar autoridades médicas de onde mora.

Esse detector de contato começou a ser usado na China no último dia 8, segundo a agência de notícias estatal da China Xinhua. No entanto, o governo chinês não explica exatamente como o aplicativo faz para saber onde estão os infectados, mas afirma que várias agências estatais colaboraram "para garantir dados precisos, confiáveis e oficiais".

Como o aplicativo funciona

O usuário deve digitalizar um código QR em qualquer aplicativo popular chinês como WeChat, QQ, Alipay. Depois disso, é preciso enviar o próprio nome, número de telefone e número de identificação emitido pelo governo para descobrir se a pessoa manteve contato próximo com alguém infectado pelo vírus.

Cada telefone pode checar a situação de até três pessoas.

Para a Comissão Nacional de Saúde da China, o "contato próximo" é quando alguém esteve perto de um infectado ou com suspeita de infecção. Isso também inclui casos em potencial, como familiares e cuidadores, bem como passageiros e tripulantes que estiveram no mesmo trem ou avião que os suspeitos de serem expostos ao vírus.

Em um trem fechado por conta do ar-condicionado, por exemplo, são consideradas como "contato próximo" todas as pessoas que estavam em um vagão com alguém infectado. Em um avião, quem se sentou ao lado e três fileiras à frente e atrás da pessoa com o coronavírus também, assim como os atendentes de voo. Os outros passageiros são classificados como contato geral.

Tanto o Escritório Geral do Conselho de Estado como a Comissão Nacional de Saúde ajudaram na criação do aplicativo, assim como a empresa estatal China Electronics Technology Group Corp., ou CETC.

A CETC afirmou que recebeu dados de várias agências governamentais para criar o aplicativo incluindo dados da Comissão Nacional de Saúde, do Ministério dos Transportes, da China Railways, a agência que administra as ferrovias do país, e da Administração de Aviação Civil da China.

E a privacidade?

A iniciativa parece ser mais uma estratégia usada para combater a disseminação do vírus. Apesar disso, não podemos ser ingênuos.

O aplicativo também reforça o poder de vigilância que o governo chinês tem sobre qualquer pessoa a ponto de saber os locais por onde o possível infectado esteve e também os locais em que os usuários estão circulando. Informações sobre os aspectos da privacidade de quem usa o sistema também estão longe de serem divulgados.

Outra questão é que o que o governo poderá fazer em posse desses dados. Não se sabe, por exemplo, se ele terá o poder de determinar uma quarentena obrigatória ao usuário do aplicativo que descobrir ter tido contato com um infectado pelo novo coronavírus, por mais que ele não tenha sido afetado pela doença.

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