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Se nosso olho fosse uma câmera, quantos megapixels haveria na imagem?

Se o olho fosse como uma lente, células fotorreceptoras podem ser pensadas em megapixels - iStock
Se o olho fosse como uma lente, células fotorreceptoras podem ser pensadas em megapixels Imagem: iStock

Mirthyani Bezerra

Colaboração para Tilt

16/09/2019 04h00Atualizada em 18/09/2019 09h06

Resumo da notícia

  • Qualidade da imagem produzida pelo olho humano supera a de eletrônicos modernos
  • Em uma "simulação", nossos dois olhos teriam, juntos, cerca de 270 megapixels
  • Cérebro possui uma espécie de sistema de "Photoshop" que melhora a imagem
  • Sony, por sua vez, lançou câmera que teria dobro da resolução do limite do olho humano

A maneira como o corpo humano enxerga as imagens é semelhante à forma como as fotografias são produzidas nas câmeras digitais e nos smartphones. Mas a qualidade da imagem produzida pelos nossos olhos é superior aos equipamentos disponíveis no mercado.

Especialistas afirmam que, se fosse possível quantificar a definição da imagem que vemos em nossos dois olhos, ela teria aproximadamente 274 megapixels — ou 137 megapixels em cada olho.

Isso porque o olho humano possui cerca de 7 milhões de cones e 130 milhões de bastonetes, células fotorreceptoras responsáveis por transformar a luz que entra no nosso globo ocular no impulso elétrico que vai chegar ao cérebro e ser transformado em imagem.

Conta é mais complexa do que parece

Diego Monteiro Verginassi, oftalmologista especializado em retina do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, afirma que além dos cones e bastonetes, a retina —que é parte do olho onde a luz é transformada em impulso elétrico—, possui diversos tipos de células que funcionam como um filtro, tirando ainda mais o ruído da luz que entra no olho, melhorando a qualidade da imagem.

"Se fizer uma leitura simples, a quantidade de cones e bastonetes poderia se entendida como megapixels. Mas isso não seria tão verdade porque a gente consegue, dentro do olho, por meio de mecanismos adaptativos, pegar aquela imagem e transformar em qualidade muito superior, com uma resolução muito maior", afirma Verginassi.

Além disso, segundo Newton Kara José Junior, oftalmologista do Hospital Sírio Libanês e livre docente da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), o cérebro tem um sistema de "Photoshop" que melhora a imagem.

"O olho forma uma imagem distorcida. Quando essa informação visual chega ao cérebro, ele transforma energia elétrica em visão. O cérebro tem um sistema de "Photoshop" que melhora a visão, a imagem", explica.

Ele afirma ainda que, para fazer essas melhorias, o cérebro usa uma série de outras conexões, como memória e criatividade, para tentar decodificar o que é aquele estímulo elétrico e transformá-lo em imagem.

"A qualidade das imagens das câmeras não chega nem perto, porque a gente [ser humano] tem uma capacidade muito maior de processamento de informação", resume Francisco Rocha, analista de treinamentos da Canon.

A câmera da Canon que tem a melhor resolução, por exemplo, é a 5DS, que produz imagens de até 50,6 MP (megapixels). Segundo Rocha, para imprimir uma imagem dessa magnitude seria preciso usar quatro folhas de papel A0, cujas dimensões são 841 milímetros por 1.189 milímetros.

A Sony, por sua vez, lançou em julho uma câmera que promete ter quase o dobro da resolução da imagem que um único olho humano seria capaz de captar. A A7R IV tem um sensor de 61 MP que, combinado com uma tecnologia acoplada à máquina, é capaz de produzir imagens de 241 MP, segundo a marca.

Com a câmera você faz uma fotografia e é capaz de expandir essa imagem e atingir um nível de detalhes que o olho humano não consegue ver de longe. Mas é lógico que se você pudesse visualizar [o objeto] a 10 centímetros de distância, você enxergaria esse detalhe
Leonardo Botelho, gerente de marketing da divisão de imagem da Sony Brasil

Afinal, como olhos e lentes captam imagens?

Quando a luz entra na lente da câmera do seu smartphone ou da sua câmera digital, ela é captada pelo sensor de luz do aparelho. É ele quem faz a vez de "retina" e transforma a energia luminosa em elétrica.

"Esses sensores têm vários pontinhos que recebem essa luz e a transforma em sinais elétricos", explica Rocha. Esses pontinhos são os pixels.

"Quando você expande uma imagem digital, você começa a ver diversos quadradinhos na imagem. Isso é chamado de pixel. Os pixels são as células de um sensor de imagem de uma câmera", complementa Leonardo Botelho.

É por isso que a quantidade de cones e bastonetes que os olhos possuem poderiam ser entendidos como os "megapixels" da nossa visão. Um megapixel equivale a um milhão de pixels.

Em suma, há três fatores que combinados resultam numa imagem com uma boa resolução:

  • Quantidade de megapixels: quanto mais, melhor a resolução;
  • Tamanho do sensor: quanto maior, melhor será a qualidade da imagem;
  • Processamento: quanto mais alta a performance do processamento da câmera, melhor será a resolução da imagem.

Francisco Rocha usa como exemplo fotografias de 10 cm de largura por 15 cm de altura para falar da importância dos megapixels na qualidade da imagem.

"Sabe aqueles álbuns fotográficos pequenos? Era preciso uma câmera com sensor de dois megapixels para imprimir aquelas imagens. Se eu quisesse fazer um álbum do tamanho de um caderno de dez matérias eu preciso de mais megapixels. Preciso de uma câmera com um senso de ao menos 10 MP", exemplifica Rocha.

Smartphones x câmeras digitais

Leonardo Botelho, da Sony Brasil, defende que as câmeras profissionais conseguem sim captar detalhes nunca antes percebidos aos nossos olhos humanos, mas que essa tecnologia não está acessível a celulares e câmeras amadoras.

Essa limitação se dá porque, segundo ele, o pixel do celular é bem menor do que o de uma câmera profissional.

Enquanto o sensor de uma câmera profissional mede 35 milímetros, o sensor de um celular com resolução de 48 MP pode chegar a medir oito milímetros. "Não tem como comparar. É a mesma coisa de você comparar uma carreta que carrega uma carga e uma pick-up de passeio que também carrega uma carga. Ambas carregam carga, mas a capacidade de carga é diferente", explica.

Ele conta que se você bater uma foto de 48 MP com um celular e fizer o mesmo com uma câmera profissional com sensor de 60 MP, quando expandir a imagem vai ver que a resolução das duas é bem diferente. "No celular você não vai conseguir ver nada, vai ter um monte de detalhes borrados", explica.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que dizia o texto, o exemplo dado por Francisco Rocha são fotografias de 10 cm de largura por 15 cm de altura, e não de álbuns de fotografia de 10 mm de largura por 15 mm de altura. O texto foi corrigido.

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