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Cuidado com o flerte: Facebook cria regras mais rígidas para frases sexuais

Até mesmo "gírias sexualizadas" estariam banidas da plataforma - Getty Images
Até mesmo "gírias sexualizadas" estariam banidas da plataforma Imagem: Getty Images

Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

09/12/2018 15h17

Meio que na surdina, o Facebook criou uma seção nova nas suas políticas de uso que pode ser uma decepção para os usuários mais assanhados. Chamada de "abordagem sexual", essa seção traz regras novas para, na teoria, impedir a disseminação de violência e da exploração sexual na rede social. Mas também pode ser interpretada por alguns como uma forma de desestimular os flertes consentidos entre usuários.

Em outubro deste ano, a nova seção do Facebook dá exemplos diversos do que poderia ser considerado abordagem sexual, e por isso, não seriam mais permitidas na plataforma.

Segundo o texto, os usuários do Facebook não podem postar conteúdo que envolva uma "abordagem sexual explícita”, o que poderia significar:

  • Afirmações sugestivas e vagas, como "estou procurando um pouco de diversão esta noite"
  • Gírias sexualizadas
  • Dicas de sexo, como mencionar o papel durante o sexo, posições ou fetiches
  • Conteúdo (manifestações artísticas desenhadas à mão, digitais ou do mundo real) que possa retratar atividades sexuais ou pessoas em posições sugestivas. 
  • Linguagem sexualmente explícita com detalhes ou menção a um estado de excitação sexual (umidade ou ereção) ou um ato de relação sexual (penetração, masturbação ou situações de fetiche)
Também entrariam na proibição:
  • Oferecer ou solicitar sexo ou parceiros sexuais, conversas ou bate-papos de sexo e imagens de nudez
  • Oferecer ou solicitar atividades de outros adultos, como pornografia comercial ou parceiros que compartilhem interesses sexuais de fetiche
  • Linguagem sexualmente explícita que ultrapasse o mero nome ou menção de um estado de excitação sexual ou de um ato de relação sexual

Esses últimos conteúdos mais explícitos já eram banidos antes da mudança e continuam dessa forma, mas "gírias sexualizadas" ou "linguagem sexualmente explícita" podem soar como censura. Afinal, esse tipo de coisa pode aparecer em qualquer comentário sobre qualquer assunto, dependendo do contexto e da ironia usada.

Isso se aplica a todos os bate-papos de Grupos, Páginas e Messenger, o Facebook informou ao portal "The Verge". Grupos e Páginas devem ser poupados da censura, desde que não haja "dedo-duros" no grupo. O conteúdo precisa ser reportado antes de ser retirado ou revisado, disse um porta-voz do Facebook ouvido pelo site.

Se você está no Messenger e conversando com alguém que quer falar sobre sexo, é provável que ele não denuncie sua mensagem e o Facebook não a remova. O risco de remoção existe apenas se algum moderador do Facebook estiver vigiando e fazendo relatórios.

Os usuários argumentaram que as diretrizes seriam tão gerais que poderiam proibir as pessoas de falar sobre sua sexualidade, ou restringir a paquera em grupos gay-friendly.

Em sua defesa, o Facebook diz que os moderadores estarão mais preocupados se a postagem em questão anunciar um parceiro sexual ou se oferecer para se envolver em um ato sexual. Simplesmente dizer "Eu sou gay" não contaria como solicitar sexo, mas algo como "Eu sou um homem hetero procurando uma garota bonita para transar. Ligue para mim" pode contar como solicitação e estaria sujeito a ser retirado do ar.

Essa mudança foi motivada, em grande parte, por conversas com nossos revisores de conteúdo, que nos disseram que a política de exploração sexual não distinguia adequadamente entre exploração (por exemplo: "Minha ex era uma puta. Veja as fotos que ela me enviou") e solicitação (por exemplo, “Procurando por swingers. Sexta-feira às 20h, [nome do bar]. Usar rosa”), levando à confusão entre os revisores, bem como a percepção de que tratamos a exploração sexual e a solicitação da mesma forma. Porta-voz do Facebook, ao "The Verge"

Em abril deste ano, o presidente dos EUA, Donald Trump, sancionou duas leis conjuntas, chamadas pelas suas siglas de Sesta-Fosta. Essas duas leis têm como intuito combater o tráfico sexual online e podem ter sido fundamentais para a mudança na política do Facebook.

As leis foram aprovadas quase por unanimidade e pela primeira vez atribuíam responsabilidades penais a páginas da internet que publiquem anúncios publicitários com ofertas de prostituição.

Por conta da nova lei, em outubro uma mulher do Texas processou o Facebook alegando que a empresa sabia que menores de idade estavam sendo atraídos para o comércio sexual pela plataforma. Ela afirma ter sido vítima de estupro, espancamento e tráfico sexual aos 15 anos por um cafetão que se passou por um amigo no Facebook.

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