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Ricardo Cavallini


Existem mil portas para golpes, mas eles seguem iguais (então, não caia)

Rachit Tank/ Unsplash
Imagem: Rachit Tank/ Unsplash
Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

16/12/2019 04h00

Esta semana recebi um contato de uma agência de modelos. A recrutadora disse que eu sou uma "pessoa muito linda" e que o meu perfil interessava muito para a agência.

Que eu sou lindo eu sei, mas eu também sei que este é um dos golpes mais antigos no Brasil. Talvez os mais novos não conheçam, mas isso era muito comum antigamente. Os pilantras abordavam mães no shopping center dizendo o quanto seus filhos eram bonitos e poderiam ser astros de comerciais ou modelos fotográficos. Que mãe não gosta de ouvir isso?

O golpe é bem simples, você faz o ensaio e eles cobram o custo das fotos, com a promessa de fazer muito dinheiro e ficar famoso. No caso desta agência que tentou me aplicar o golpe, descobri no Reclame Aqui que o valor do ensaio seria R$ 800.

O que é interessante neste caso (e muitos outros) é que, mesmo a tecnologia abrindo mil brechas e mil maneiras de aplicar golpes novos, boa parte deles continuam sendo os mais simples e os mais antigos.

Entrevistei Hiago Kin, especialista em segurança digital e perguntei quais são os golpes mais comuns hoje em dia e o que devemos fazer para nos proteger.

1. Roubar sua conta do WhatsApp para pedir dinheiro aos amigos

A vítima compartilha seu número do WhatsApp em sites de venda de usados, muito comum quando a pessoa está tentando vender algum produto ou serviço.

O bandido envia um SMS ou faz ligação para a vítima se passando pelo administrador do site, dizendo que precisa validar um código para o produto ficar disponível a venda. Acreditando na história, a vítima recebe um SMS com o código e envia ao bandido.

A partir daí o criminoso "transfere a conta do WhatsApp para outro aparelho", passando a utilizar a conta da vítima como se fosse ela e falando com todos os contatos da vítima para pedir dinheiro emprestado.

Como se proteger: faça a verificação em duas etapas no WhatsApp e outros aplicativos que você usa. No WhatsApp: Configurações (Android) / Ajustes (iOS) > Conta > Confirmação em duas etapas > ATIVAR.

E claro, nunca envie códigos ou senhas que receber no SMS ou no próprio aplicativo para alguém.

2. Site falso de vendas

Você está navegando no Facebook e vê uma oferta maravilhosa de uma loja super conhecida, uma grande empresa do varejo.

O nome da loja, o logotipo, todos corretos. Mas é tudo falso. Sim, tem isso no Facebook.

O link no anúncio leva a vítima para um site falso, idêntico ao real. Ao realizar a compra, a vítima fornece seus dados pessoais e do cartão de crédito aos fraudadores. Com os dados, o bandido passa a utilizar o cartão da vítima para fazer compras reais.

Como se proteger: Desconfie sempre de promoções agressivas. E mesmo as promoções normais, verifique sempre se o endereço do site é realmente o do site oficial.

O pior golpe nem sempre é no bolso. Ser enganado, principalmente em um golpe bobo, faz as vítimas se sentirem idiotas e com muita vergonha. A melhor dica é sempre fazer as coisas com atenção, não sair clicando ou comprando coisas no impulso. É uma dica boa não apenas para não cair em golpes, mas para economizar mais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Ricardo Cavallini