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Como o Brasil ajuda a monitorar satélites e lixo espacial?

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Imagem: Pixabay
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

21/09/2020 04h00

Quantos satélites estão orbitando a Terra? - Pergunta de Ivana Andrade, de Mira Estrela (SP)

Cara mira-estrelense, para fazer esse levantamento, conversei com o astrônomo Ricardo Ogando, do Observatório Nacional. De acordo com ele, estima-se que 9.000 satélites já foram lançados desde o Sputnik (o satélite, não a vacina), enviado ao espaço em 1957 pela União Soviética (atual Rússia).

Destes, 5.000 ainda estão em órbita e aproximadamente 2,6 mil estão em operação. Ogando salienta que o número não é preciso, apesar de haver bancos de dados com o registro de satélites em órbita, além de astrônomos, principalmente amadores, que monitoram os céus em busca de satélites. Inclusive daqueles com fins militares, cujos governos não gostariam que fossem notados.

Mas nem tudo são máquinas congestionando o entorno do planeta. Há também o chamado lixo espacial, composto por restos de foguetes e fragmentos gerados quando pedaços desse entulho se chocam. Ao todo, são dezenas de milhares de satélites e detritos orbitando a Terra. Isso pode acarretar problemas como a dificuldade para lançar foguetes numa rota "limpa", sem colisões.

Para contornar isso, vários países monitoram o lixo espacial. Aqui no Brasil, um telescópio foi instalado no Observatório do Pico dos Dias, do Laboratório Nacional de Astrofísica —uma parceria com a Rússia. Essa estratégia é fundamental para evitar que novos satélites colidam com objetos em órbita.

Outro problema é que, ao mesmo tempo em que se preocupam em monitorar objetos em órbita, vários países desenvolvem armamentos antissatélite que só aumentam a poluição em órbita. Estados Unidos, China e Índia, por exemplo, já lançaram foguetes para destruir satélites que eram deles mesmos, mas cuja destruição resultou em milhões de partículas espalhadas pelo "lixão" espacial.

Mas há projetos para tentar limpar um pouco a bagunça, como o ClearSpace-1, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês). A previsão é de que ele comece a faxinar a órbita terrestre a partir de 2025 —de acordo com a ESA, são 34 mil objetos com mais de 10 cm de diâmetro, e mais de 170 milhões de partículas com pelo menos 1 mm, vagando ao redor da Terra.

Embora a ESA tenha produzido um vídeo de apresentação bacana, não se sabe ao certo como a tecnologia vai se viabilizar, já que a missão é kamikaze: o satélite de limpeza recolhe outros aparelhos e inicia uma trajetória de volta ao planeta para se desintegrar na atmosfera junto o lixo. Dá uma olhada:

Os astrônomos também se preocupam com a ameaça de poluição visual causada por iniciativas como a Starlink, do magnata Elon Musk, de criar uma rede de satélites para distribuir internet pelo globo.

E há um problema além da quantidade de novos objetos em órbita (até agora já são 715 unidades lançadas de um total planejado de 12 mil, que pode ainda saltar para 42 mil): o design das peças. De acordo com Ogando, "os satélites são brilhantes demais e atrapalham quem observa o céu. O ideal seria que o projeto previsse esse efeito indesejável".

Mas enquanto os astrônomos se preocupam com o aumento do lixo espacial, tanto pela segurança dos equipamentos quanto por dificultar a visualização do universo, muita gente tem se maravilhado com os satélites da Starlink passeando por aí em comboio, como mostra o vídeo a seguir:

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.