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Só foi descoberta há poucos anos: qual é a menor estrela do Universo?

ESA/Hubble & Nasa
Imagem: ESA/Hubble & Nasa
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

24/08/2020 04h00

Pergunta de Wesley Pereira, de Mauá (SP) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui

Para responder essa grande e ao mesmo tempo diminuta questão, caro mauaense, convidei um já consagrado colaborador deste espaço, o doutor Ricardo Ogando, do Observatório Nacional, no Rio de Janeiro. De acordo com ele, a menor estrela de que se tem conhecimento até hoje teve sua descoberta anunciada em 2017.

"O nome dela é uma sopa de letrinhas: EBLM J0555-57Ab. Ela é uma anã vermelha a cerca de 600 anos-luz de distância da Terra e com aproximadamente 85 massas de Júpiter. Isso dá mais ou menos 8% da massa solar", explica Ogando.

Só que o raio da "estrelinha" é menor do que o de Júpiter. Ou seja, ela é bem mais densa do que o maior planeta de nosso Sistema Solar, e equivale a 84% do raio jupiteriano. Trocando em miúdos, a EBLM J0555-57Ab tem o tamanho parecido com o de Saturno.

estrela anã vermelha EBLM J0555-57Ab - Mark Garlick/Science Photo Libra/Getty Images - Mark Garlick/Science Photo Libra/Getty Images
Ilustração de estrela anã vermelha EBLM J0555-57Ab comparada ao planeta Saturno
Imagem: Mark Garlick/Science Photo Libra/Getty Images

Ela é um das estrelas de um sistema estelar triplo —isto é, composto por três estrelas— que tem o nome quase igual o dela: EBLM J0555-57 (ou CD-57 1311). O "Ab" é como se fosse um sobrenome da pequenina e serve para esclarecer que ela faz par com a estrela principal do sistema, a EBLM J0555-57A —há também a EBLM J0555-57B. Esse trio fica na constelação do Pintor (também conhecida como Pictor). No céu do hemisfério Sul, fica localizada entre a estrela Canopus e a Grande Nuvem de Magalhães.

Ainda de acordo com Ogando, as anãs vermelhas são os tipos de estrelas mais comuns no Universo. Primeiro, porque, levando em conta a disponibilidade de matéria-prima no cosmos, é mais fácil que eles se aglomerem em estruturas menores do que em maiores.

Segundo, "pelo tempo de vida, porque estrelas de alta massa [maiores] evoluem rapidamente e 'morrem', seja explodindo como supernova seja tornando-se uma estrela de nêutrons ou até mesmo um buraco negro", diz o astrônomo. Logo, há mais chance de encontrar estrelas de baixa massa do que de alta pelo Universo.

Ogando ainda explica que, teoricamente, é possível que haja estrelas até menores, só que ainda não detectadas ou medidas.

"Essa massa de 8% da massa solar é bem próxima —na verdade, até um pouco abaixo— da estimativa teórica da menor massa de uma estrela. A massa de uma estrela é o que indica se ela vai realizar fusão nuclear no seu núcleo ou não. Se não há massa suficiente, o objeto pode virar um planeta, ou mesmo algo entre uma estrela e um planeta, sendo classificada como uma anã marrom", completa.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.