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Um caso a cada 2,6 bi de pessoas: qual é a doença mais rara que existe?

Edward Jenner/ Pexels
Imagem: Edward Jenner/ Pexels
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

13/07/2020 04h00Atualizada em 13/07/2020 17h16

Pergunta de Onézimo Vila Nova, de Juiz de Fora, MG - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui

A raridade é tamanha que quase não encontrei sua resposta, Onézimo. Nos últimos 21 anos, apenas três pessoas foram diagnosticadas com uma tal de deficiência de isomerase de ribose-5-fosfato (RPI, na sigla em inglês) —ainda bem que os pesquisadores apelidaram a doença de deficiência de RPI. A incidência desta patologia é de um caso a cada 2,6 bilhões de pessoas.

Em 1999, médicos da Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, publicaram um artigo sobre um paciente de 14 anos com atraso no desenvolvimento e problemas motores e neurológicos.

O motivo disso estaria em um alto nível de polióis [um tipo de carboidrato] nos fluidos corporais do paciente. Eles deveriam ser metabolizados pela RPI que lhe faltava. Em 2017, foi a vez de pesquisadores indianos descreverem um paciente de 18 anos com falta de RPI. O caso mais recente, de 2018, é de um recém-nascido nos EUA.

Ainda não se sabe o que provoca essa falha na produção de RPI, mas alguns efeitos da carência dela no corpo são: atrofia ótica, movimento involuntário dos olhos (nistagmo), atrasos psicomotores e anormalidades na substância branca do cérebro (leucoencefalopatia).

É importante lembrar, no entanto, que é possível que existam doenças mais raras ainda do que a deficiência de RPI. Condições tão raras que não foram sequer identificadas e, consequentemente, não estão classificadas entre as patologias conhecidas.

Outra dificuldade nessa catalogação é a definição do que seria uma doença rara. Isso varia tanto de país para país que a nota de corte transita entre a ocorrência de um caso a cada mil pessoas até um caso a cada 200 mil. Nos EUA, por exemplo, qualquer doença que tenha acometido menos de 200 mil indivíduos no país (mais ou menos um caso para cada 1.640 habitantes), é considerada rara.

Levando em conta o critério americano, dá até para dizer que doenças raras não são um fenômeno tão raro assim: de acordo com a organização Global Genes, existem mais de 7 mil enfermidades desse tipo —a maioria delas, sem tratamento. E de acordo com um artigo publicado na revista "Nature" em 2019, algo entre 260 milhões e 446 milhões de pessoas no mundo são portadoras de alguma doença rara —o que significa, na estimativa mais modesta, um caso a cada 30 pessoas.

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Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado antes no texto, a estimativa de 260 milhões de pessoas no mundo como portadoras de alguma doença rara significa um caso a cada 30 pessoas no mundo, e não 30 mil. O texto foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.