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Guilherme Rambo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Após anos de iPhone, usei Android pela 1ª vez; isto foi o que achei

Camilo Garcia/ Pixabay
Imagem: Camilo Garcia/ Pixabay
Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

12/03/2021 04h00

Quem acompanha meus textos por aqui sabe que minha vida digital gira em torno de produtos da Apple. Isso tem dois motivos: primeiro, eu gosto dos produtos da empresa e já estou inserido nesse ecossistema há anos. Segundo, sou desenvolvedor especialista em criar produtos para as plataformas da Apple, portanto, acaba sendo mais proveitoso utilizar os produtos da empresa no meu dia a dia.

Porém, recentemente tive a necessidade de adquirir um smartphone Android, por conta de um projeto no trabalho. Até agora, só tive iPhone, então a experiência foi bem interessante e resolvi trazer minhas impressões aqui — de um usuário Apple utilizando pela primeira vez um aparelho com o sistema operacional do Google.

O aparelho

A compra deste dispositivo não foi para uso pessoal do dia a dia, portanto, o custo/benefício era bem importante. Precisava de um bom aparelho, mas não precisava de recursos mirabolantes ou câmeras superavançadas. Perguntando para alguns conhecidos que têm mais experiência que eu no mundo Android, a linha Redmi Note, da Xiaomi, foi recomendada.

A empresa estava prestes a lançar o Note 10, então consegui encontrar o Note 9 por cerca de R$ 1.200, um valor bastante acessível, especialmente se comparado com os preços dos iPhones ou outros aparelhos topo de linha, como os da Samsung. Por conta disso, vale ressaltar que a maioria dos comparativos que farei ao longo deste texto é de certa forma injusta, pois estarei comparando smartphones com faixas de preço muito diferentes.

Tirando da caixa

Conhecida pelo seu capricho, a Apple costuma pensar muito em como seus aparelhos são embalados, considerando até detalhes mínimos como a resistência que a tampa oferece ao ser removida.

Geralmente para abrir a caixa de um novo iPhone, basta levantá-la levemente pela tampa que ela desliza suavemente, revelando o aparelho por dentro. Isso pode parecer besteira, mas quem compra produtos da Apple valoriza esse tipo de experiência.

A caixa do Redmi tem uma aparência bastante atraente por fora, porém a experiência de unboxing não foi das melhores. Deu bastante trabalho remover a tampa da caixa, a ponto de quase ter que rasgá-la para que saísse.

Por dentro, não havia uma aba pronunciada pela qual pudesse puxar o aparelho para fora da caixa, como costumamos ver nos iPhones e produtos de outras empresas.

Qualidade do hardware

Analisando o Redmi Note 9 por fora, achei o aparelho bonito. Ele não é muito espesso, nem muito pesado. Porém ao ligá-lo, é possível perceber a diferença na qualidade dos acabamentos.

Dois detalhes que me incomodaram bastante foram os cantos arredondados da tela e a perfuração da câmera frontal. Eles por si só não são um problema, até porque o iPhone tem o recorte no topo da tela e também tem os cantos arredondados.

O problema é que a qualidade desses detalhes deixa a desejar: a perfuração da câmera projeta uma sobra muito visível nos pixels ao seu redor e o recorte dos cantos arredondados não tem um acabamento muito bom. É como se alguém tivesse pego um quadrado com cantos arredondados no Photoshop e esticado, criando uma assimetria.

Novamente, são detalhes que a maioria das pessoas nem percebe e é o tipo de detalhe que não se deve esperar de um aparelho mais barato.

Configuração inicial

Este ponto é provavelmente o que eu mais gostei no Redmi/ Android quando comparado ao iPhone. A configuração inicial do aparelho foi muito rápida — sem muitos passos — e a maioria deles podia ser pulado sem problemas. Essa é uma reclamação que eu tenho há bastante tempo sobre a configuração inicial do iPhone: ela tem muitos passos e alguns deles demoram bastante.

Vale comentar que para quem já possuí um iPhone e está apenas trocando de aparelho, o processo é bem mais rápido, pois basta aproximar o iPhone novo do anterior e é possível transferir a maioria das informações dessa maneira, pulando a maior parte do processo de configuração.

Uma coisa que me chamou atenção durante o processo de configuração foi a quantidade de perguntas relacionadas à personalização de anúncios e envio de dados para fins de analytics. Por um lado é ótimo que essas opções sejam oferecidas, por outro lado sabemos que a maioria dos usuários apenas aceita tudo sem ler e acaba tendo sua privacidade comprometida.

Sistema operacional

A maior diferença entre usar um iPhone 12 Pro e usar o Redmi Note 9 é o sistema operacional e quão bem o aparelho consegue executá-lo.

Meu Redmi veio com o Android 10 e MIUI versão 12.0.6. Dá para perceber durante o uso do aparelho que ele não tem capacidade para executar o sistema operacional na sua performance ideal. Animações travam com frequência e algumas coisas demoram mais do que o esperado.

Um exemplo particularmente ruim foi o app do YouTube, que é simplesmente inutilizável no aparelho, pois um simples scroll na tela inicial é suficiente para travar completamente o app.

Tirando isso, não tive maiores problemas para operar o Android, apesar de ser minha primeira vez com um aparelho com o sistema. A maioria das coisas funcionou da forma como eu esperava e o design da interface MIUI não me desagradou.

Conclusão

Esta tem sido uma experiência bem interessante para mim, utilizando pela primeira vez um smartphone com Android. Apesar de todas as críticas citadas, fui surpreendido positivamente pela qualidade da experiência, especialmente quando levado em conta o preço muito mais baixo que um iPhone ou outros aparelhos mais topo de linha.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL