PUBLICIDADE

Topo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Em Assassin's Creed Valhalla, a aliança mais valiosa é com o jogador

Assassin"s Creed Valhalla - Divulgação/Ubisoft
Assassin's Creed Valhalla
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Thaime Lopes

Colaboração para o START

17/12/2020 04h00

Finalmente chegou a vez de os guerreiros vikings e a mitologia nórdica serem temas de um Assassin's Creed. Em Valhalla, acompanhamos a história de Eivor, uma viking norueguesa que parte para as terras que formam hoje o Reino Unido em busca de novos ares e riquezas.

Só que entre assassinatos e combates sangrentos, o novo game também apresenta uma estrutura de alianças com reinos vizinhos que desenvolvem a narrativa em arcos. Esse sistema me chamou tanta a atenção que resolvi adaptá-lo para esta análise de Assassin's Creed Valhalla.

Assim como é preciso formar parcerias para que o clã da protagonista Eivor prospere, um jogo de videogame pode ser visto como a aliança entre os seus vários sistemas: combate, jogabilidade e narrativa, entre outros, trabalham juntos para conquistar o jogador.

Para construir esta análise, partimos da pergunta: se Valhalla precisasse formar alianças com os jogadores, baseado nos seus cinco principais pilares, ele seria bem-sucedido?

Aliança com a construção de mundo

Assassin's Creed Valhalla - Reprodução/START - Reprodução/START
Imagem: Reprodução/START

Em Valhalla, a Ubisoft decidiu apostar em um mapa grande, só que informativo. Ao indicar de forma clara o que cada ponto no mapa significa, o jogo acerta e erra ao mesmo tempo.

Sim, é muito bom saber exatamente o que eu posso encontrar no caminho e decidir se quero mesmo investir naquela missão paralela, mas chega a ser sufocante a quantidade de coisas que temos a fazer.

Assassin's Creed Valhalla - Reprodução/START - Reprodução/START
Objetivos no mapa do jogo estão mais claros
Imagem: Reprodução/START

Há missões rápidas, que se resolvem em um diálogo. Outras exigem paciência para a resolução de mistérios.

Se no começo do jogo você está empolgado para fazer tudo no mapa, depois de algumas horas isso se torna bastante cansativo.

O principal acerto, e esse sim vale seu tempo, é o assentamento dos vikings. Eu estava com expectativas bem altas por esse aspecto do jogo, e elas foram atendidas.

Assassin's Creed Valhalla - Reprodução/START - Reprodução/START
Assentamento serve como base do jogador
Imagem: Reprodução/START

Ravensthorpe, como é chamado o local, funciona tanto para a narrativa quanto para o gameplay. É para lá que Eivor volta para reencontrar amigos, imergindo o jogador no universo viking, e quanto mais alto o nível do assentamento, mais benefícios para o jogador.

Vale a pena também conversar com os parceiros de Eivor que tocam os estabelecimentos, porque nesses papos você pode acabar descobrindo missões misteriosas que revelam o lado mais humano da protagonista.

>>> Aliança bem-sucedida depois de muito trabalho

Aliança com a série Vikings

Série Vikings - Divulgação - Divulgação
Cena da série "Vikings"
Imagem: Divulgação

Vamos supor que o jogador, assim como eu, nunca tenha visto a série Vikings antes de jogar Valhalla. Aí, depois do jogo, decide dar uma chance. Você, querido leitor, vai ter a mesma surpresa que eu: Valhalla é uma versão em jogo da série Vikings.

As similaridades entre série e jogo são assustadoras (e me preocupa que ninguém da Ubisoft pensou em deixar o game menos diferente da série). A versão masculina de Eivor é o próprio Ragnar Lothbrok.

Em defesa de Valhalla, os vikings já tiveram suas sagas contadas infinitas vezes. Chega uma hora que fica difícil criar algo original enquanto ainda procura-se ser historicamente fiel aos fatos, mas Valhalla e Vikings parecem produto da mesma mente.

Assassin's Creed Valhalla filho de ragnar - Divulgação/Ubisoft - Divulgação/Ubisoft
Imagem: Divulgação/Ubisoft

No jogo há os filhos de Ragnar, visões religiosas, conselhos de Odin, corvos sobrenaturais, a busca por riquezas, irmão como braço direito, alianças e reis enchendo o saco. Não tem nada que jogo e série abordem com exclusividade.

A narrativa de Valhalla, pelo menos, merece destaque. A Ubisoft é conhecida por fazer jogos historicamente corretos, cheios de referência a religiões, povos e figuras históricas que de fato existiram. Mais uma vez, eles acertaram em cheio ao criarem a narrativa viking.

Da forte presença de Odin às explicações de como a Eivor chega ao mundo mítico de Asgard, tudo faz sentido. Mesmo. Em Valhalla tudo tem um porquê, com a história inteira formando um ciclo bem completo com começo, meio e fim.

>> Aliança bem-sucedida com a família Lothbrok

Aliança com o combate

Assassin's Creed Valhalla combate - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Se você sabe qualquer coisa sobre os vikings, talvez seja da fama deles como guerreiros ferozes. Assassin's Creed Valhalla fez questão de dar ênfase nisso.

A protagonista Eivor é a mais "sangue nos olhos" de todos os jogos. Isso é refletido de uma forma bem violenta e sangrenta.

Os combates em Valhalla são intensos, com muita decapitação e uns momentos meio Mortal Kombat

Assassin's Creed Valhalla - Reprodução/START - Reprodução/START
"Finish her!"
Imagem: Reprodução/START


Eivor finaliza os adversários no melhor estilo Fatality, com direito a animação especial dos órgãos internos da galera simplesmente explodindo.

As armas, por outro lado, incomodam. Ainda que exista uma variedade de armas, das mais leves às mais pesadas, não me senti completamente satisfeita com nenhuma combinação que eu fiz ao longo do jogo: ou a arma principal era muito pesada para ataques fortes ou leve demais para causar dano significativo.

Assassin's Creed Valhalla arma - Reprodução/START - Reprodução/START
Existem tipos de armas para você experimentar qual se encaixa melhor no seu estilo de combate
Imagem: Reprodução/START

Consegui me dar melhor na treta conforme fui desbloqueando as aptidões, que são aqueles combos especiais, o que só deixa ainda mais a sensação de que o combate em Valhalla fica refém desse sistema.

>> Aliança bem-sucedida, mas com laços frágeis a serem melhorados

Aliança com Assassin's Creed

Assassin's Creed Valhalla - Reprodução/START - Reprodução/START
Imagem: Reprodução/START

Há algum tempo que uma parcela dos fãs questiona o que a série se tornou, sendo agora algo completamente diferente do que eram os primeiros jogos.

E Valhalla, merece ter Assassin's Creed no título? Pela narrativa, sim. Agora, dizer que Eivor faz parte da Irmandade pode ser um tanto quanto precipitado.

O encontro dela com os assassinos, na verdade, lembra um pouco a história de Edward Kenway em Assassin's Creed IV Black Flag: um pirata, com seus próprios objetivos, que conheceu essa galera de capuz e caiu de gaiato na história.

Com a Eivor, é mais ou menos isso. Sem querer dar spoiler do quanto ela de fato se envolve com a Irmandade, o que você precisa saber é: temos o retorno da lâmina oculta; ela usa manto para se esconder e aprende a dar salto de confiança (leap of faith).

Assassin's Creed Valhalla - Reprodução/START - Reprodução/START
Membro da Irmandade dos Assassinos fica no assentamento de Eivor
Imagem: Reprodução/START

Além disso, há um Assassino em Ravensthorpe que solicita a ajuda de Eivor em diversos momentos. Falar mais do que isso é dar spoilers gigantescos para quem não jogou, então fique com isso em mente:

Dos últimos três jogos, Valhalla é o mais próximo de Assassin's Creed.

E essa aproximação em que Eivor não deixa de ser viking, assim como Kenway não deixava de ser pirata, é bastante satisfatória.

>> Aliança bem-sucedida com um gostinho de familiaridade

Aliança com o gênero RPG

Assassin's Creed Valhalla - Reprodução/START - Reprodução/START
Habilidades são como constelações em Valhalla, o que lembra Skyrim
Imagem: Reprodução/START

Desde AC Origins, a Ubisoft mudou a pegada da franquia e começou a adicionar mais elementos de RPG. Valhalla segue na mesma linha: há evolução da personagem, melhoria de equipamentos, árvores de habilidades e opções de diálogos.

As comparações com The Witcher 3 também são válidas e inevitáveis, o que fica mais evidente pelo vasto mapa, cheio de atividades e missões paralelas para ajudar na imersão naquele mundo, mesmo que, como falei, elas possam sobrecarregar rapidamente o jogador.

Já o que é diferente em relação ao Assassin's Creed anterior, Odyssey, é que o jogador toma bem menos decisões que mudam a narrativa. Elas ainda existem, mas não são tão impactantes.

As escolhas de diálogos ficaram muito mais claras: é bem fácil saber se sua resposta vai ser bem recebida pelos outros personagens ou não.

Assassin's Creed Valhalla - Daniel Esdras/GameHall - Daniel Esdras/GameHall
Ainda há muitos diálogos em Valhalla e personagens para interagir
Imagem: Daniel Esdras/GameHall

No geral, os sistemas de RPG em Valhalla contribuem para um bom jogo, mas também são rasos. Quem for um ávido jogador de RPG pode sentir falta de mais profundidade em inventário ou o sistema de evolução.

Ainda que no The Game Awards 2020 o jogo tenha concorrido na categoria de de ação/aventura e muitos ainda o vejam assim, é fato que esses aspectos de role playing consolidam Assassin's Creed Valhalla no gênero RPG.

>> Aliança mais forte e bem-sucedida de todas

Aliança com o jogador

Então, voltamos para a pergunta no começo da análise: as alianças com os aspectos do jogo fazem Valhalla conquistar os jogadores?

Depois de mais de 100 horas de gameplay, mesmo ainda sem terminar a história principal, posso dizer sem dúvidas: Valhalla pega o jogador de jeito, com alicerces fortes na aliança.

Assassin's Creed Valhalla

Fãs da série Vikings vão gostar por verem essa representação interativa dos tempos de Ragnar; Fãs de Assassin's Creed vão perceber as ligações mais fortes com os primeiros jogos; Para quem só quer curtir um bom jogo com combate e exploração, tem um prato cheio e quem for da turma do RPG também vai aproveitar os elementos de role playing.

Assassin's Creed Valhalla satisfaz a todos e eleva o patamar da saga em todos os sentidos.

Assassin's Creed Valhalla - Divulgação/Ubisoft - Divulgação/Ubisoft
Imagem: Divulgação/Ubisoft

Lançamento: 10/11/2020
Plataforma: Xbox Series, Xbox One, PS4, PS5 e PC (Epic Games Store)
Preço sugerido: R$ 279 (consoles) e R$ 199 (PC)
Classificação Indicativa: 18 anos (Violência Extrema, conteúdo sexual, drogas).
Desenvolvimento: Ubisot Montreal
Publicação: Ubisoft
Jogue também: God of War, The Witcher 3, Assassin's Creed Odyssey

*A cópia do jogo foi enviada pela Microsoft ao START para os testes do Xbox Series

SIGA O START NAS REDES SOCIAIS

Twitter: https://twitter.com/start_uol
Instagram: https://www.instagram.com/start_uol/
Facebook: https://www.facebook.com/startuol/
TikTok: https://www.tiktok.com/@start_uol/
Twitch: https://www.twitch.tv/start_uol

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL