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Granblue Fantasy Versus é um "anime fighter" em grande estilo

Se você ainda não conhece as aventuras de Gran, Lyria, Vryn e Katalina, que tal começar pelo jogo de luta? - Divulgação
Se você ainda não conhece as aventuras de Gran, Lyria, Vryn e Katalina, que tal começar pelo jogo de luta?
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Jefferson Kayo

Colaboração para o START

26/03/2020 12h00

A franquia Granblue Fantasy nunca esteve melhor. Jogo para mobile no celular, anime na Netflix (e Crunchyroll), quadrinhos publicados no Brasil. Mesmo com tudo isso, muita gente ainda sequer conhece as aventuras de Gran, Lyria, Vryn, Katalina e tantos outros que lutam para se defender e acabar com a tirania do Império Erste, que domina os céus daquele mundo de fantasia.

Com o lançamento de Granblue Fantasy Versus, um novíssimo jogo de luta baseado no game original foi lançado para PS4 e PC, talvez as coisas comecem a mudar.

Jogo de luta com pedigree

Granblue Fantasy Versus não é um caça-níquel qualquer desses que vemos aos montes por aí. Tanto que, para a produção do game em si, a Cygames contratou ninguém menos que a Arc System Works para construir toda a estrutura, tanto visual quanto o seu gameplay. A empresa, que também é responsável pela arquitetura de Dragon Ball FighterZ, Guilty Gear Xrd, Blazblue e tantos outros, trabalha com jogos de luta desde 1998, quando Daisuke Ishiwatari entregou ao mundo o primeiro Guilty Gear — e fez praticamente tudo sozinho.

Repleto da mesma feitiçaria que fez sucesso nos seus títulos passados, Granblue Fantasy Versus é um dos jogos de luta mais bonitos que já foram feitos. O famoso cel shading da Arc System Works parece mais bonito do que nunca, com animações fluidas em cada um dos ataques especiais do game, além de um cuidado excepcional com a trilha sonora, sempre majestosa.

Enquadrado na categoria "Anime Fighter", GBVS não renega suas raízes, mas também não se limita a elas. Há um consenso entre os jogadores intermediários e avançados na cena dos jogos de luta em referenciar a categoria como uma das mais difíceis de serem aprendidas, dada a quantidade de mecânicas para se tomar nota (por jogo), isso sem contar toda a parte de execução de movimentos, sempre muito precisa. No entanto, GBVS foge de alguns conceitos pré-estabelecidos, conseguindo criar algo bastante original e menos intimidador.

Repleto da mesma feitiçaria que fez sucesso nos seus títulos passados, Granblue Fantasy Versus é um dos jogos de luta mais bonitos que já foram feitos

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Todos os seus 13 bonecos (por enquanto) são versões inéditas do RPG para mobile original e não devem nada a eles, satisfazendo até os mais exigentes. A quantidade reduzida de lutadores (se comparada a um Street Fighter V da vida) pode parecer um ponto negativo, mas todo o elenco é super diversificado no seu gameplay, e não vai ser fácil como você acha aprender de verdade cada um deles.

Acessível não quer dizer fácil

Um dos grandes atrativos de Granblue Fantasy Versus, pelo menos segundo o marketing da Cygames, é a facilidade de utilizar os golpes especiais dos personagens dentro de uma luta. Um sistema de "cooldown" foi introduzido no game, bem ao estilo de "skills" em MOBAs e semelhante ao RPG original da empresa.

Os marcadores embaixo da barra de vida de cada boneco indicam o número de habilidades especiais e quando elas podem ou não ser usadas. O tempo de espera para a reutilização de cada uma varia entre elas (quanto mais poderosas, maior o tempo). Inicialmente, a manobra serve para auxiliar aqueles que entendem o tipo de situação a que estão submetidos, mas não têm a coordenação necessária para executar comandos de reação (um dos pilares dos jogos de luta). Pelo menos em teoria, claro.

Aprender um jogo de luta não se resume apenas a decorar seus golpes especiais. Cada ação remete a uma reação, e saber quando utilizar os golpes do boneco e entender o que acontece naquele momento são os verdadeiros méritos do aprendizado. A execução é uma barreira? Sim, com certeza, mas ela não deveria ser pensada como um empecilho desde o dia 1 de jogatina.

Facilitar a execução do jogador não torna o game mais fácil, ou mais bobo. O raciocínio por trás de cada movimento é o mesmo em qualquer jogo de luta. E, como forma de estimular o crescimento de cada um dos jogadores, GBVS dá a possibilidade desses golpes serem executados através dos comandos tradicionais também. A vantagem de usar um comando normal para realização de uma habilidade vem no cooldown, com seu tempo drasticamente reduzido.

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Mas isso quer dizer que o jogador iniciante não terá chance contra alguém que já sabe realizar os comandos normais? Sim e não. O "sim" vale por conta da experiência acumulada de cada um, e não da habilidade de execução (que tem um peso menor). Mesmo num jogo de luta sem comandos especiais, quem está mais familiarizado com o 'meta competitivo' dentro do gênero, vai pensar em formas de levar seu adversário ao erro, e vencer. Não existe caminho curto para acumular experiência, mas é certo que alguns aprendem mais rápido que outros, mas isso é uma outra discussão.

Em relação ao 'não', é óbvio que usar comandos ao invés de apertar o botão para habilidades gera uma certa vantagem por conta do facilitador, mas isso não dá a certeza da vitória para ninguém. Novamente, a experiência de cada um conta muito em todas as situações, e é exatamente por isso que um jogo de luta "acessível" nunca vai significar a mesma coisa que "fácil".

Botão de defesa, mas não de milagre

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Granblue Fantasy Versus é um caso raro de anime fighter com botão de defesa. Não estou colocando na conta aqui os jogos de luta de anime com arenas 3D (Naruto UNS, OP e qualquer um relacionado). O ritmo frenético e agressivo de um anime fighter 2D tradicional dá pouca margem de vitória para alguém que se mantém no mesmo lugar com o botão de defesa acionado por mais de 1 segundo.

Apesar de o botão existir, a defesa tradicional também se faz presente, e é muito mais útil. A real funcionalidade do botão de defesa em GBVS é a de combinar com outro botão qualquer acionar dois movimentos específicos: a esquiva e o rolamento especial, técnicas de defesa que são de grande valia dentro do jogo.

Além disso, os botões de ataque são separados em níveis de força (fraco, médio e forte). O quarto botão serve para acionar um ataque especial que varia a cada personagem. Os chain combos (ataques sequenciais que seguem a intensidade de cada botão, do mais fraco para o mais forte) funcionam como a espinha dorsal do sistema de combos no jogo, mas nada impede do jogador otimizar seus ataques para causar mais dano.

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Explicando da forma mais básica possível, os combos podem ser manuais ou automáticos, depende de cada jogador. No geral, o chain combo realiza três hits que podem ser finalizados com um ataque especial. Na versão automática os ataques normais causam um pouco menos de dano, assim como os ataques especiais que são realizados sem o comando manual.

Os controles tentam ajudar ao máximo o jogador na parte da execução, mas não fazem mágica. Você vai ter que pensar sozinho cada uma das situações e reagir de acordo. A ideia por trás dessas facilitações é limitar a preocupação do jogador no âmbito da execução, para que ele possa se dedicar no estudo das estratégias de combate. É igual andar de bicicleta com rodinhas extras, uma hora você vai ter que tirá-las se quiser evoluir.

Um mundo offline de possibilidades

Quem procura sempre por alguma coisa a mais dentro de um jogo de luta, normalmente foca sua atenção para a campanha single player de cada jogo. Pode ser um modo arcade tradiconal ou uma campanha com 15 hora de duração cheio de lutas desnecessárias e pedacinhos de trama aqui e ali.

No caso de Granblue Fantasy VS, a Cygames optou por criar uma espécie de RPG com elementos de Final Fight. A primeira impressão é a de que voltamos a jogar Dragon's Crown (joguinho maneiro da Vanillaware), que já misturava os dois elementos num gameplay distinto aos seus jogos (Muramasa, Odin Sphere).

A diferença é que por aqui é que GBVS leva o mesmo combate do game para uma campanha para um jogador (que pode ser jogada de dois, com matchmaking online), numa ação sidescroller cheia de detalhes extras e NPCs para serem derrotados.

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É possível ganhar XP para os personagens, comprar armas, evoluí-las para destravar novas habilidades e equipar essas habilidades, tudo enquanto desbrava uma aventura inédita que, para quem joga a versão mobile (ou via browser, a forma oficial que a maioria dos ocidentais conheceu o game) vai poder conhecer um pouco mais dos personagens que tanto gosta. Para quem ainda não conhece nada (como eu), não é uma trama impossível de acompanhar — mesmo porque meia dúzia de episódios de anime, ou o primeiro volume do mangá, ambos em português, dão conta de explicar boa parte do conteúdo, caso seja do seu interesse.

Uma coisa bacana da campanha de RPG é que todas as skins de armas que você destrava ao longo da jogatina podem ser utilizadas pelos personagens nos outros modos de jogo (Versus offline, ou online). É algo puramente estético, mas vale a menção pelo capricho da equipe de desenvolvedores.

Lançamento no Brasil somente online

Infelizmente nenhuma empresa quis lançar o game oficialmente no país, dificultando a divulgação e encarecendo o mesmo através da única forma disponível de compra: jogo digital na PSN — ou Steam, caso você jogue no PC (inclusive, muito mais barato por lá).

Na sua versão mais cara, a Cygames oferece ao jogador um álbum virtual cheio de ilustrações do game, a trilha sonora (impecável, sério, muito boa mesmo), um monte de avatar (no PS4) e a primeira temporada de DLCs vindouros (cinco personagens). A mesma versão do game pode ser encontrada física, mas somente via importação.

O preço e a desconfiança colocaram Granblue Fantasy VS como um estranho dentro da PSN, mesmo ele sendo um dos jogos mais cotados para 2020 dentro do cenário de jogos de luta, claro. Dada a situação, é muito mais fácil encontrar jogadores no Steam para partidas online, com muito menos lag que as ranqueadas do PS4 (impossíveis atualmente). Sem a menor sombra de dúvidas, um dos grandes lançamentos de 2020 e que ganharia um belo destaque dentro do EVO 2020, se ele não tivesse sido cancelado por conta do Coronavírus.

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Lançamento: março de 2020
Plataformas: PC, PS4
Preço sugerido: R$ 109,99 (PC) R$ 249,90 (PS4)
Classificação indicativa: 14 (Violência, Violência Fantasiosa, Conteúdo Sexual, Linguagem Imprópria)
Desenvolvimento: Arc System Works
Publicação: Xseed Games
Jogue também: BlazBlue, Guilty Gear, Dragon Ball FighterZ

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