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"Dragon Ball Z: Kakarot" é uma dose obrigatória para os fãs do anime

"Dragon Ball Z: Kakarot"é um RPG que reconta as histórias eternizadas pelo anime - Divulgação
"Dragon Ball Z: Kakarot"é um RPG que reconta as histórias eternizadas pelo anime
Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Colaboração para o START

22/01/2020 04h00

Qual o motivo para experimentar a mesma história mais uma vez? Mesmo sendo apaixonado pela criação de Akira Toriyama, essa dúvida surgiu nos meus pensamentos quando vi o anúncio de "Dragon Ball Z: Kakarot", um RPG de ação que, como o nome indica, contaria a história da vida adulta de Goku, aquele saiyajin criado na Terra que todos conhecemos bem.

Bastaram algumas horas de jogo do game lançado no último dia 17 (PC, PS4 e Xbox One) para ter a minha resposta. "Kakarot" passa longe de ser um jogo perfeito e esbarra em algumas deficiências técnicas, mas brilha onde mais importa: é um produto feito com carinho, que transmite aquela sensação de ser algo "de fã para fã" e, acima de tudo, é divertido de jogar.

O resultado disso é que, enquanto escrevo esse texto, só consigo pensar em tirar o resto do dia de folga para continuar explorando o incrível mundo que o game oferece aos fãs de "Dragon Ball".

A arte de (re)contar histórias

Prepare o coração para reviver momentos marcantes da saga - Reprodução
Prepare o coração para reviver momentos marcantes da saga
Imagem: Reprodução

"Dragon Ball Z" acabou há quase 25 anos, e nós sabemos bem que a história de Goku durante essa fase do mangá/anime pode ser resumida de forma bem simples: entre uma e outra morte por culpa do seu filho mais velho (ê, Gohan), o personagem divide seu tempo entre treinar para ficar mais forte, controlar-se para não sair na mão a cada instante com o seu maior rival e, claro, lutar contra vilões poderosos e acabar salvando o universo no processo.

É justamente essa a história narrada em "Kakarot", que é o nome saiyajin de Goku - e vou confessar que é um alívio escrever sobre a narrativa de um game sem ter qualquer receio de esbarrar em algum spoiler.

Ao menos por ora, já que há rumores de que a história pode ser expandida por meio de DLC, o game se concentra nas quatro sagas que compõem "Dragon Ball Z": a invasão dos saiyajin na Terra, a batalha de Namekusei, a luta contra os androides e Cell e o confronto com Majin Boo. E faz isso de maneira interessante, colocando o jogador no controle de personagens variados - não apenas de Goku - em momentos marcantes da história.

Quer um exemplo? Durante a batalha de Namekusei, você controlará Gohan, Vegeta, Piccolo e Goku, em situações que, normalmente, não foram retratadas em outros jogos da série.

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Não entenda mal, porém: apesar de contar situações por outros ângulos e, em alguns casos, dar detalhes novos sobre a história do mangá/anime, a narrativa das missões principais de "Kakarot" segue de forma fiel a tudo que foi visto em "Dragon Ball Z".

Outra sensação que o jogo passa é de que ele foi feito por fãs da obra. Há todo um cuidado e esmero, tanto em retratar alguns ângulos específicos em cutscenes com referência direta ao mangá e ao anime, bem como alguns diálogos.

O resultado é que mesmo aquele fã que já decorou o que os personagens falam em determinadas cenas vai acabar se empolgando com "Kakarot" a ponto de ficar curioso para conferir como são retratados os acontecimentos originais. Vou me limitar a dizer que a clássica cena de quando Goku vira um Super Saiyajin pela primeira vez ficou sensacional no game.

Cenas clássicas que estão no game: Goku dá uma amostra do seu poder derrotando o Nappa sem muito esforço - Reprodução
Cenas clássicas que estão no game: Goku dá uma amostra do seu poder derrotando o Nappa sem muito esforço
Imagem: Reprodução

Tarefas paralelas

Enquanto jogo, a estrutura de "Dragon Ball Z: Kakarot" segue uma lógica de RPG de "mundo aberto". Isso inclui uma série de atividades paralelas, como pescar, reunir materiais para a criação de itens, cozinhar e também side quests - sim, é possível ter aulas de direção como naquele clássico episódio do anime.

Nenhuma delas é obrigatória para a progressão no game, mas ajudam a aumentar consideravelmente a contagem de horas do jogo - quem não tiver muita paciência e quiser ir "aos finalmentes" também pode se concentrar somente nas missões principais - ainda que voar pelos mapas e coletar esferas Z (usadas para aprender e melhorar golpes) é algo bem divertido e nostálgico.

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Os mapas, que podem ser explorados a pé ou voando, por sua vez, representam diretamente a saga na qual a história do game está. Por exemplo: quando o cenário das batalhas é a Terra, é possível explorar áreas distintas, como as ilhas onde a casa do Mestre Kame está situada.

Entre um arco da história e outro, há momentos "livres", nos quais é possível enfrentar inimigos aleatórios pelo mundo (eles são um tanto repetitivos, variando entre robôs do exército Red Ribbon, saibamen, lacaios de Freeza etc), usar pontos de treinamento para aprender novos golpes e caçar as esferas do dragão para realizar desejos.

Ah, e nesses momentos também é possível escolher o grupo de personagens que te acompanharão nas aventuras e darão suporte durante as lutas.

Conforme se avança no game, você reunirá medalhas que representam os personagens de "Dragon Ball Z". É possível reunir essas medalhas em grupos específicos e, com isso, conseguir bônus dos mais diversos, como ganhar mais dinheiro após as lutas ou melhorar a eficácias das refeições consumidas.

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"Dragon Hearts Z"

E aqui chegamos ao sistema de batalha em si de "Dragon Ball Z: Kakarot". O melhor paralelo que encontrei nesse sentido foi a série "Kingdom Hearts", ainda que nesse "Dragon Ball" as batalhas sejam mais divertidas do que as do RPG da Square.

Durante o encontro com inimigos, há um botão para ataque físico, um para projéteis simples e outro para carregar o ki. Já técnicas e transformações são acessadas por menus de ação paralelos, habilitados ao segurar um dos botões de ombro do controle. A movimentação, por sua vez, é livre.

A pancadaria tá liberada: Freeza x Piccolo - Reprodução
A pancadaria tá liberada: Freeza x Piccolo
Imagem: Reprodução

Além disso, também é possível determinar a ação dos personagens de suporte (caso eles estejam presentes).

É um sistema que se concentra em ser funcional - ainda que em determinados momentos a combinação de excesso de ação e câmera deixe a ação meio confusa - e transforma as batalhas em uma grande "trocação" de golpes.

Não espere, portanto, nada muito técnico - "Dragon Ball FighterZ" está aí para quem procura lutas mais aprofundadas.

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Quase como assistir ao anime

"Dragon Ball Z: Kakarot" é totalmente voltado ao modo história e faz isso de uma maneira exemplar. O game, por exemplo, emula vinhetas e trilha sonora do anime, transmitindo a sensação de que o jogador está, na verdade, jogando episódios da série animada.

Na árvore de relacionamentos você confere as ligações entre os personagens - Reprodução
Na árvore de relacionamentos você confere as ligações entre os personagens
Imagem: Reprodução

Além disso, o game é um verdadeiro repositório de informações para os fãs. Há uma enciclopédia que reúne não apenas as cutscenes do jogo, mas também informações das mais variadas, como a ficha técnica dos personagens, a coleção clássica de cards da série, músicas novas e clássicas e - o mais impressionante na minha opinião -, gigantescas árvores de relacionamento de cada saga do anime.

É possível passar muito tempo explorando a quantidade de informações que o jogo reúne e isso faz com que ele tenha apelo colecionável para a base de fãs da série.

Dublagem seria um sonho

Divulgação
Imagem: Divulgação

É claro que "Dragon Ball Z: Kakarot" não é imune a críticas. O game engasga vez ou outra quando há muitos elementos na tela e constante presença de paredes invisíveis pelos cenários às vezes me fizeram sentir saudades do mundo aberto de "The Witcher 3" e de "The Legend of Zelda: Breath of the Wild".

A lamentação maior fica por conta da já tradicional - infelizmente - ausência de dublagem em português. Seria algo que, certamente, agregaria ainda mais valor ao game para o consumidor brasileiro. As legendas em português estão lá, mas, assim como aconteceu com "Dragon Ball FighterZ", a sensação que fica é a de uma oportunidade perdida.

De qualquer maneira, são tropeços notáveis, mas que não apagam a qualidade geral do game, tampouco o seu principal mérito: o de acertar em cheio o coração de quem é fã de "Dragon Ball Z".

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Ao levar a série para um RPG de ação com mundo "aberto", "Dragon Ball Z: Kakarot" joga uma dose de ar fresco sobre as adaptações da obra de Akira Toriyama para os videogames. A história é a mesma que a gente já sabe, mas a adição de alguns detalhes e a forma como as passagens são retratadas dão um ar de "novidade" para o game.

Lançamento: 17/01/2020
Plataformas: PC, PlayStation 4 e Xbox One
Preço sugerido: R$ 159,90 (PC), R$ 249,90 (PS4) e R$ 249,90 (Xbox One)
Classificação indicativa: 12 anos (Violência)
Desenvolvimento: CyberConnect2
Publicação: Bandai Namco Entertainment