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League of Legends: como era ser gamer em 2009, quando o jogo foi lançado?

O mapa de League of Legends era bem diferente dez anos atrás - Reprodução
O mapa de League of Legends era bem diferente dez anos atrás Imagem: Reprodução

Victor Bianchin

Colaboração para o START

02/11/2019 04h00

Quem decidisse jogar "League of Legends" em outubro de 2009 - quando o game foi lançado, dez anos atrás - encontraria algo bem diferente de hoje. Havia apenas 40 campeões (na fase alpha, eram só 17), era possível colocar sentinelas no mapa inteiro, as texturas pareciam saídas de um jogo do Rayman, os personagens eram menos balanceados e o jogo ainda permitia fazer aquele truque louco para dar pentakill com o Ryze spammando suas habilidades. Que saudades!

LoL e sua empresa fundadora, a Riot, foram peças-chave no crescimento dos jogos online e dos torneios multiplayer. Os criadores do jogo, Brandon Beck e Marc Merrill, eram fãs do mapa "Defense of The Ancients" (mais conhecido como DotA), de Warcraft III, um mod que acabou ficando mais famoso que o game original. Os dois queriam desenvolver um jogo que tivesse esse mesmo estilo "defesa de torre", mas não tivesse vida útil curta como a maioria dos jogos do Ocidente.

O modelo de negócios que Beck e Merrill tinham em mente, na verdade, era o asiático do free-to-play, em que o jogo principal é distribuído de graça e o lucro vem de itens e adicionais vendidos na loja interna. Em vez de publicar o jogo e esquecê-lo, como era feito nos mercados europeu e americano, a Riot tinha intenção de manter vivo o interesse da comunidade atualizando o jogo e lançando novos itens e personagens periodicamente. Se hoje, em 2019, esse tipo de game está no celular de qualquer ser humano com o mínimo interesse por jogos, dez anos atrás não era bem assim.

De fato, a dupla estava fazendo uma aposta de alto risco ao escolher distribuir LoL de graça - e foi criticada por isso, conforme podemos ver no documentário League of Legends: Origins, uma das nossas indicações para entender o mundo dos eSports. Mas resolveram ir em frente mesmo assim. "Riot" ("revolta"), segundo os funcionários da empresa, era meio que um manifesto: a ideia dos jogadores marchando na rua com joysticks em mão exigindo jogos melhores. League of Legends foi criado para ser isso, um jogo que melhorasse continuamente por meio do feedback da comunidade.

Não que tenha sido fácil. A Riot, fundada em 2006, passou seus três primeiros anos sem fazer dinheiro, apenas gastando a verba dos investidores. E o lançamento em outubro de 2009 não foi um sucesso instantâneo: os primeiros dias de LoL foram de apreensão, com o número de jogadores ainda contado na casa das centenas e o marketing se apoiando principalmente no boca a boca.

Mas o jogo foi ganhando gás rapidamente. Em dois meses, ele já tinha 100 mil jogadores. Explodiu de vez em 2011, quando rolou o primeiro Campeonato Mundial. A Coreia do Sul, um mercado importante devido à sua alta qualidade de internet, foi facilmente conquistada devido às baixas exigências de hardware para rodar o jogo (os gráficos ruins tinham um ponto positivo, afinal). Em 2011, 11,5 milhões de pessoas jogavam LoL no mundo todo - hoje, são mais de 100 milhões.

Em 2012, mesmo ano em que os servidores dedicados brasileiros foram inaugurados (em 10 de agosto), League of Legends se tornou o game mais jogado na Europa e na América do Norte.

OS GAMES EM 2009

Quem se lembra de Guitar Hero Metallica? O game foi lançado em 2009, quando o gênero ainda estava em alta - Divulgação
Quem se lembra de Guitar Hero Metallica? O game foi lançado em 2009, quando o gênero ainda estava em alta
Imagem: Divulgação

O ano de 2009 foi bastante agitado para o mundo. A Nasa descobriu água na Lua, a gripe suína causou corridas aos postos de saúde, o vôo 447 da Air France caiu no mar, Barack Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos EUA, Michael Jackson morreu, a Disney comprou a Marvel, o Rio de Janeiro foi eleito como sede das Olimpíadas de 2016 e, talvez o mais importante, a Microsoft lançou o Bing.

Mas e nos games? Bom, nos games ainda não existia "Overwatch", nem "Fortnite", nem "Free Fire" ou "PUBG". Os principais jogos online ainda eram "Counter-Strike" e "Warcraft III" e os maiores campeonatos do mundo eram a World Cyber Games, que tinha torneios de vários títulos, incluindo "FIFA" e "Guitar Hero", o Intel Extreme Masters, com seus torneios de CS e World of Warcraft, e o Evo, para jogos de luta. É só na década de 2010 que os campeonatos realmente explodiriam de vez.

2009 foi também um ano recheado de bons lançamentos, como "Call of Duty: Modern Warfare 2", "The Sims 3", "Braid", "Street Fighter IV", "Resident Evil 5", "Pokémon HeartGold" e "SoulSilver", "Marvel: Ultimate Alliance 2", "Assassin's Creed 2", "Uncharted 2" e "Left 4 Dead 2", entre muitos outros.

E franquias novas? Tivemos sim senhor, com destaque para "Minecraft", "Batman: Arkham Asylum", "Demon's Souls", "Borderlands", "Just Dance", "Infamous", "Bayonetta", "Angry Birds" e "Plants vs. Zombies" (só com esses dois últimos, a vida no banheiro nunca mais foi a mesma).

"O League of Legends era um jogo muito feio, tinha muito bug realmente", afirma Diego da Silva, analista de redes e gamer, que criou sua conta de LoL em 2009, ainda no beta, e viveu os primórdios do game da Riot. "Como eu jogava no beta, eu jogava no servidor americano e o jogo era muito feio. Tentei dar uma chance, não gostei e como eu tava me iniciando no Team Fortress 2, tava começando a rolar competitivo dele, aí eu meio que abandonei o LoL. Esse negócio de MOBA só começou a bombar no Brasil em 2010, 2011", diz ele.

Além de "Team Fortress 2", que tinha campeonatos locais no Brasil na época, Diego também cita Counter-Strike e Ragnarok como games muito jogados nesse período. Mas ele, como muitos na época, apelava para os servidores piratas (ou "servidores private", para quem é fino), já que jogar nos oficiais exigia ter o jogo original e também cartão de crédito internacional - dois impedimentos financeiros muito sérios para quem é moleque e não tem renda.

A gratuidade de LoL, é claro, mudou isso, exatamente como seus criadores pretendiam.

O clássico "Emumu" de LoL: skin emo de Amumu, lançada em 2010, mostra bem os gráficos da época - Divulgação
O clássico "Emumu" de LoL: skin emo de Amumu, lançada em 2010, mostra bem os gráficos da época
Imagem: Divulgação

COMUNIDADE

Guilherme Gamer, em foto atual, relembra como foi lançar seu canal em 2009 - Divulgação
Guilherme Gamer, em foto atual, relembra como foi lançar seu canal em 2009
Imagem: Divulgação
2009 foi o ano em que Guilherme Guedes criou seu canal no YouTube e passou a ser conhecido pelo seu apelido mais popular, Guilherme Gamer. "No final de 2009 foi quando postei meu primeiro vídeo com gameplay do jogo 'Naruto Shippuden Ninja Storm', do PS3", conta ele. "Jogava basicamente nos consoles Xbox 360, PS3 e PC, em lan houses. Postar vídeos e interagir com a galera era uma diversão despretensiosa que eu fazia, e faço até hoje, com muito prazer", diz ele, que lista, além de "Naruto", o game "Left 4 Dead" como o que mais marcou seu ano de 2009.

Na época, havia pouquíssimos canais de YouTube falando de games - além de Guilherme, dá para lembrar do Consoles & Jogos Brasil e do Mobile Gamer Brasil, canais ativos até hoje. Zangado publicou seu primeiro vídeo em 2009, mas foi o único naquele ano, e o BRKsEDU só surgiria em 2010.

O que era notícia no UOL Jogos em novembro de 2009? - Reprodução
O que era notícia no UOL Jogos em novembro de 2009?
Imagem: Reprodução

O jeito era procurar informações em sites internacionais e revistas. Isso acabou norteando o trabalho de Guilherme. "Em 2009, era bem mais difícil conseguir informações do que hoje", lembra ele. "Alguns meses depois [de começar o canal], comecei a pensar que poderia alinhar minha formação acadêmica de jornalista com o conteúdo audiovisual no YouTube, buscando trazer não apenas gameplays comentados ou análises, mas conteúdo jornalístico, falando de lançamentos, cancelamentos, rumores, entrevistas com personalidades da indústria, algo que não se via no YouTube naquela época", conta.

Como tudo era incipiente, os principais canais de comunicação entre a comunidade eram as redes sociais - em 2009, o Orkut estava meio que morrendo, mas ainda resistia, e o Facebook se popularizava. Além disso, o finado UOL Jogos também era um local importante de troca de informações. Guilherme cita as redes online dos consoles como forma de encontrar jogadores e fazer amizades, enquanto Diego lembra do software TeamSpeak, que era famoso entre a comunidade gamer por ser leve. "O TeamSpeak ainda existe, mas o Discord acabou com ele", comenta Diego.

AS MELHORES MÁQUINAS

Ter um PC gamer era o desejo de todo mundo que jogava online em 2009. Os processadores com um ou dois núcleos ainda eram muito usados em PCs comuns de escritório, mas um gamer que buscasse qualidade de vida teria um de quatro núcleos como o Intel Core 2 Quad ou o AMD Phenom II X4 840T. Clock rates com menos de 3 GHz não eram aceitáveis!

4 GB de memória RAM era o mínimo para jogar com decência, mas muita gente já ia além e chegava aos 8 ou 12 GB, o que já se equiparava ao que temos hoje, pois muitos gamers, pelo custo-benefício, utilizam 16 GB de RAM, embora as melhores máquinas cheguem a 64 ou 128 GB (e já há modelos com 256 GB).

O principal era, como sempre, uma boa placa de vídeo. As placas Geforce 9600 e 9800 da nVidia faziam sucesso nas faixas média e alta de preços, respectivamente. Pelo lado da AMD, a linha 4000 da Radeon era bastante popular, especialmente a HD 4600. Mas a fabricante mudou o jogo naquele ano lançando a Radeon 5970, que instantaneamente ganhou o título de placa de vídeo mais rápida do mundo.

O duro era jogar online com a internet discada, já que, em 2009, menos de 28% dos lares brasileiros possuíam banda larga.

11 COISAS QUE ACONTECERAM EM 2009 E VOCÊ NÃO SABIA

Um insano Nose Grind em "Tony Hawk: Ride", de 2009 - Divulgação
Um insano Nose Grind em "Tony Hawk: Ride", de 2009
Imagem: Divulgação

  1. Foi lançado um jogo de estratégia em tempo real chamado "Stalin Vs. Martians" ("Stálin contra os Marcianos") que colocava o ditador soviético para lutar contra extraterrestres
  2. Contrariando o que sempre acontece, o filme X-Men Origins: Wolverine era horrível, mas sua adaptação para videogames, não
  3. O jogo "Tony Hawk: Ride" tinha um controle específico em formato de skate. E era horrível jogar com aquilo
  4. A Valve fretou um avião para levar um grupo de fãs à sua sede. O motivo é que eles lideravam um boicote contra "Left 4 Dead 2" e a empresa queria acalmar os ânimos (deu certo)
  5. A Sony lançou o PSP Go, que era mais caro que o PSP e cheio de problemas, como o fato de que, no lançamento, os jogos baixados no PS3 não podiam ser copiados para ele. Flopou
  6. Todo mundo notou que os games "Infamous" e "Prototype" eram muito parecidos entre si, então os estúdios dos dois jogos resolveram decidir a disputa vendo quem conseguia desenhar o protagonista do jogo rival vestido com lingerie feminina do jeito mais ridículo. É sério! O Sucker Punch, estúdio de "Infamous", ganhou
  7. Mais de 250 mil pessoas assinaram uma petição online se opondo ao fato de que o multiplayer de "COD: Modern Warfare 2" não teria servidores dedicados, e sim usaria um sistema novo. A Activision não voltou atrás, então os fãs colocaram a opção de servidores dedicados via hack
  8. O site IGN dos EUA deu nota 2 para o jogo de futebol "Worldwide Soccer Manager 2009" porque o jornalista, que não entendia nada de futebol, achou o jogo ruim. Zoada pelos próprios leitores, a IGN tirou o review do ar
  9. Jack Black, Ozzy Osbourne, Lemmy Kilmister e Tim Curry fizeram dublagem para o game "Brütal Legend", que vendeu muito mal porque não tinha tanta ação, como o marketing fazia pensar, e trazia mais elementos de estratégia
  10. FarmVille foi lançado para o Facebook, provando mais uma vez a superioridade do Orkut, que já tinha o Colheita Feliz desde 2008
  11. A Microsoft foi apresentar o Kinect na E3 e, durante a demonstração, o avatar do apresentador e contorceu numa posição estranhíssima, virando meme

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