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Novo "Grid" é bonito de se ver, mas sofre para mostrar a que veio

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Rodrigo Lara

Colaboração para o START

27/10/2019 04h00

Se eu pedir que você, fã de games de corrida, liste os principais representantes do gênero na última década, é bastante provável que "Grid" seja um dos nomes. E a culpa, provavelmente, é de "Race Driver: Grid", lançado em 2008 para arcade, PC, PlayStation 3, Nintendo DS e Xbox 360, e não das continuações que vieram depois.

Há 11 anos, aquele jogo da Codemasters inovou com um misto de belos gráficos e uma jogabilidade "simcade", ou seja: a mistura entre simulação e arcade. No caso, ele puxava mais para o segundo estilo e era bastante permissivo com as nossas barbeiragens. Era um game bonito e divertido. Depois de 11 anos, temos uma espécie de reboot. O novo game honra as origens de corridas agitadas e um grande apelo visual, mas em termos de diversão... aí temos um problema.

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Imagem: Divulgação

Por que estou aqui?

Enquanto jogava a versão de PlayStation 4 de "Grid", duas sensações foram comuns. A primeira dizia respeito ao visual: mesmo tendo acompanhado as melhorias constantes que a Codemasters promoveu em seu motor gráfico EGO Engine, especialmente com os jogos da série "F1", "Grid" tem um visual notável.

Efeitos de sombra e luz, reflexos, partículas? Definitivamente, foi difícil encontrar do que reclamar em termos de visual - talvez o reflexo nos retrovisores seja um ponto baixo, mas só.

Já a outra sensação era uma pergunta constante: por que estou aqui?

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Logo de cara, você pode acessar qualquer uma das seis categorias. Isso significa que é possível começar pilotando um esportivo japonês tunado, um monoposto ou um stock car pesadão

Por mais que "Grid" coloque você numa competição chamada Grid World Series e, claro, tenha como meta chegar no primeiro lugar do pódio, em nenhum momento há aquela sensação de "dever cumprido". Também falta aquele incentivo extra para avançar no jogo.

Isso porque, logo de cara, você pode acessar qualquer uma das seis categorias. Isso significa que é possível começar pilotando um esportivo japonês tunado, um monoposto ou um stock car pesadão.

Isso quebra um pouco o senso de progressão e de evolução - inclusive das nossas habilidades enquanto jogador - daquele que seria o modo carreira do jogo. Para exemplificar: disputar corridas com carros de tração dianteira acaba sendo muito mais fácil do que usar um arisco monoposto, então é de se esperar que você só tivesse acesso aos carros mais complicados após ficar "craque" nos modelos mais simples.

Conforme você vence corridas, abre outros campeonatos dentro de cada categoria. Esses apresentam variações, como corrida convencional, time attack (vence quem marcar o melhor tempo) etc. As vitórias também garantem dinheiro, que serve para comprar carros novos.

"Fernando is faster than you"

Como "Grid" mescla elementos de simulação e de jogos arcade, significa que ele não irá te punir porque você acelerou milésimos de segundo antes, mas também não vai permitir que você esqueça que existe um botão de freio.

É uma jogabilidade inclusiva, sem dúvidas - muito mais amigável do que jogar um "Forza Motorsport", "Gran Turismo", "Project Cars", "Assetto Corsa", "Grid" e similares -, mas que tende a ser um pouco enfadonha para jogadores mais experientes.

A seleção de circuitos também segue uma mescla entre "fantasia" e vida real, uma vez que há quatro circuitos "de verdade" (Sepang, Silverstone, Brands Hatch e Indianapolis) e outros oito fictícios. Já a lista de carros é um tanto reduzida: são apenas 66 modelos distintos, pouco mais que os 43 do primeiro jogo.

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Imagem: Divulgação

Ainda dentro da pista, há algumas características únicas do game. Um deles é o sistema de recompensas, que te premia com uma determinada pontuação sempre que você faz, digamos, algo certo, como ultrapassar adversários, fazer curvas dentro da linha ideal ou, ainda, mandar aquele drift cabuloso para levantar a galera.

Em "Grid" também é possível dar ordens ao companheiro de equipe - e promover situações como os famosos "Hoje sim, hoje sim" e "Fernando is faster than you" ou fazer com que ele aja como escudeiro.

Além disso, se você jogar duro demais contra um adversário, de forma consciente ou não, ele vai virar seu "Nemesis". Sim, pode lembrar de "Resident Evil 3", uma vez que um rival que vire seu Nemesis durante uma corrida vai partir para cima de você uma agressividade muito além do normal, o que pode resultar até mesmo em acidentes.

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Imagem: Reprodução

Faltou gás

Bem, temos então um jogo bonito, com uma jogabilidade inclusiva, mas que pouco motiva a continuar jogando - uma falha considerável, especialmente se levarmos em conta que o "endgame" de "Grid" acaba sendo o modo online que, por sua vez, depende de uma comunidade ativa para ser atraente.

No fim, "Grid" acaba sendo um game de corrida um tanto genérico, especialmente por não trazer nenhuma característica que, de fato, seja marcante. Se pegarmos a essência do game em si, há poucas diferenças entre o jogo de 2008 e o de 2019. O problema é que, em 11 anos, a concorrência evoluiu e muito.

Resumo

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Imagem: Divulgação
"Grid" mostra que carinha bonita, infelizmente, não ganha corridas. É um jogo com visual e som maneiros, mas que derrapa feio na hora de manter o jogador entretido. Há pouco senso de desafio e muito menos de evolução. Isso acaba fazendo o game ser um tanto genérico e parecido demais com aquele lançado em 2008.

Lançamento: 11/10/2019
Plataformas: PC, PS4 e Xox OnePreço sugerido: R$ 109,99 (PC), R$ 249,90 (PS4) e R$ 259,95 (Xbox One)
Classificação indicativa: Livre
Desenvolvimento: Codemasters
Publicação: Codemasters

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