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Review: Trine 4 é um retorno triunfal ao formato 2.5D

"Trine 4" é uma aventura de três personagens: jogue sozinho ou com seus amigos - Divulgação
"Trine 4" é uma aventura de três personagens: jogue sozinho ou com seus amigos Imagem: Divulgação

Makson Lima

Colaboração para o START

07/10/2019 10h30

Quem acompanha a franquia "Trine" sabe das mudanças drásticas ocorridas em seu último capítulo, "The Artifacts of Power" (2015), quando o consagrado formato 2,5D deu espaço ao 3D mais convencional. Foi um banho de água fria para os fãs das aventuras de Pontius, Amadeus e Zoya, repletas de quebra-cabeças e fantasia medieval.

Anos depois, a série comemora seus 10 anos de existência e volta ao formato tradicional em grande estilo. A desenvolvedora finlandesa Frozenbyte (não confundir com a engine da EA) apresenta o pacote mais completo até agora, recebendo de braços abertos tantos os fãs antigos quanto os curiosos que podem estar chegando agora.

Pesadelos nos contos de fada

Unidos pelo artefato mágico que dá nome à série, o mago Amadeus, o cavaleiro Pontius e a ladina Zoya compartilham mais memórias do que talvez gostariam. Depois de confrontar goblins e trolls gigantes, posicionar caixas sobre tufões de vento, disparar flechas geladas em cachoeiras e refletir feixes de luz com o escudo, nossos heróis ficaram mais próximos, tanto de seus quanto de nossos corações. "The Nightmare Prince" convoca a tríade do poder medieval e fantástico mais uma vez, agora para resgatar o teimoso e inconsequente Príncipe Selius de seus próprios pesadelos, capazes de tomarem forma no mundo real.

"Trine" é e sempre foi aquilo que podemos chamar de "Tolkien para adolescentes", com suas piadas ingênuas, situações divertidas e mundo de jogo envolvente, dentro de tudo que compete à Terra Média e arredores. Toda essa ideia de pesadelos tomando forma nunca descamba para algo verdadeiramente assustador, e poderia, como Amadeus bem aponta ao dizer algo como "ainda bem que esse príncipe não tem medo de dragão". "Mas no final é só uma coisa passageira, essa sombra".

Os três heróis, reunidos mais uma vez - Divulgação
Os três heróis, reunidos mais uma vez
Imagem: Divulgação

'Trine' é e sempre foi aquilo que podemos chamar de 'Tolkien para adolescentes', com suas piadas ingênuas, situações divertidas e mundo de jogo envolvente, dentro de tudo que compete à Terra Média e arredores

Os gráficos são um espetáculo à parte, saltando aos olhos a cada nova paisagem, mãos dadas com a trilha, num tom épico comedido, totalmente aventuresco. Seja a toca do texugo estudioso, a plantação do ouriço amigo ou as catacumbas sombrias, inspiradas em Moria de "O Senhor dos Anéis", o jogo sempre encontra formas de encantar. Ninfas, sereias, fadas e todo tipo de criatura mágica surgem a cada minuto, uma aposta certa para encantar os fãs de Bilbo Bolseiro.

São 18 estágios que inventam e reinventam os fundamentos básicos de "Trine", e por isso leia-se: quebra-cabeças baseados em física, criatividade e interação entre os diferentes poderes de seus protagonistas. A gravidade é sua amiga, e você pode brincar com ela. Jogar sozinho ou em cooperativo, local ou online, resulta em experiências totalmente distintas. É, sim, possível chegar ao fim por conta própria, mas "Trine" é pensado para ser desfrutado com mais um ou dois amigos, e é aí que o jogo brilha de verdade, com momentos que vão do deslumbre pela descoberta até a frustração por falta de comunicação.

Um parente distante (e medieval) do Sonic - Divulgação
Um parente distante (e medieval) do Sonic
Imagem: Divulgação

Uma Trine para a três cooperar

"The Nightmare Prince", assim como iterações passadas, não escolhe atalhos para burlar a comunicação entre jogadores. Você precisa conversar com as pessoas com que estiver jogando, para assim superarem, juntos, os obstáculos apresentados, e sabemos muito bem que o contato com desconhecidos nos mundos de jogatina online pode ser o obstáculo por si só. Sendo assim, o cooperativo de sofá, mais uma vez, é a melhor opção.

Há uma disparidade entre o uso e desuso dos heróis, infelizmente. Amadeus, com suas caixas, tábuas e esferas mágicas é, disparado, o mais necessário a todo instante, com Zoya e suas flechas elementais e corda de escalada, como segunda opção. Pontius, o cavaleiro trapalhão, é indispensável nas batalhas e para resoluções pontuais, como desviar o curso da água ou de feixes de luz com seu escudo, mas acaba como o menos necessário, no final das contas. Partindo da ideia de que é possível optar entre a possibilidade ou não de se fazer uso de personagens repetidos no modo cooperativo, ainda assim senti, como em outros jogos da série, esse desbalançeamento.

Todos muito ocupados, em harmonia e alegria (ou nem tanto) - Divulgação
Todos muito ocupados, em harmonia e alegria (ou nem tanto)
Imagem: Divulgação

Pensar em Pontius é também lembrar de como os combates são decepcionantes. Os sonhos do príncipe não vão se dissipar sozinho, e umas belas espadadas são a melhor opção vez ou outra. "Trine 4" se fecha em pequenas arenas de combate contra magos malignos, texugos mal-intencionados e um pequeno leque de variedade nesse sentido. Os chefões, por outro lado, pedem o uso de nossos poderes de forma mais pensada e cadenciada, mostrando-se desafios interessantes, mas escassos.

E isso remete à forma bastante linear que "The Nightmare Prince" escolhe evoluir seus personagens. Da experiência coletada na forma de frascos as estrelas adquiridas ao derrotar inimigos, são duas linhas de raciocínio: aquela que temos controles, mais opções, como quando Pontius causa dano elétrico com sua espada ou Amadeus faz de sua esfera maciça, algo de borracha, quicante; e aquela obrigatória para progressão nas fases, como as cordas mágicas de Zoya, capazes de fazer levitar certos objetos.

A batalha é, sem dúvida, o ponto fraco do jogo - Divulgação
A batalha é, sem dúvida, o ponto fraco do jogo
Imagem: Divulgação

Os chefões, por outro lado, pedem o uso de nossos poderes de forma mais pensada e cadenciada, mostrando-se desafios interessantes, mas escassos

Eureka!

É incrível o quanto "Trine 4" consegue surpreender com seus novos desafios, fase a fase. Do início ao fim, novos poderes são apresentados, mudando radicalmente a nossa abordagem, que é tão livre de criação quanto sempre foi na franquia. Congelar a água com Zoya, posicionar meticulosamente uma caixa mecânica de Amadeus e, com o escudo onírico de Pontius, levar água até aquela plantinha para, assim, fazer nascer plataformas de folhas gigantes e seguir adiante. São inúmeras as formas de resolução, e o jogo pede e incentiva experimentalismo, nunca complicado demais, sempre surpreendentemente revigorante.

"Trine 4: The Nightmare Prince" é um balaio de gatos mágicos voadores, tão Tolkien quanto Rowling, tão divertido quanto inocente. Poderia, sim, ter ousado mais quanto a seu combate, que continua sistemático e enfadonho, em total contraste a todo resto, mas como celebração ao aniversário de dez anos da franquia, compete a todos os seus acertos e tropeços. Não tenho dúvida de que ainda veremos muito de Zoya, Pontius e Amadeus no futuro. A Frozenbyte faz por merecer.

Você vai ficar tão feliz quanto esta foca - Divulgação
Você vai ficar tão feliz quanto esta foca
Imagem: Divulgação

Divulgação
Imagem: Divulgação

Lançamento: 08/10/2019
Plataformas: PS4, Xbox One e PC
Preço sugerido: R$ 57,99 (PC), R$ 129,95 (consoles)
Classificação indicativa: 10 anos (Violência)
Desenvolvimento: Frozenbyte
Produtora: Modus Games

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