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"Sayonara Wild Hearts" é uma experimentação musical pop cheia de videogame

Sayonara Wild Hearts é um jogo pop - Divulgação
Sayonara Wild Hearts é um jogo pop Imagem: Divulgação

Bruno Izidro

Do START, em São Paulo

02/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Sayonara Wild Hearts é um jogo e também um álbum musical pop
  • Game foi desenvolvido durante quatro anos pelo estúdio Simogo (Device 6 e Year Walk)
  • Cada fase representa uma música do álbum, fazendo dele um grande videoclipe interativo

"Sayonara Wild Hearts" é um álbum disponível na plataforma de streaming de música mais perto de você. Porém, a melhor forma de curtir o som não é só com ouvidos, mas também com um controle em mãos, jogando as mais de 20 faixas de pop eletrônico no jogo também chamado "Sayonara Wild Hearts" (PlayStation 4, Nintendo Switch e Mobile iOS).

O jogo-álbum é uma experiência diferente e até difícil de descrever. Ele é um runner, um jogo de corrida e até de tiro, mas todos esses elementos servem para transformar "Sayonara Wild Hearts" em um clipe musical interativo, bonito de se ver e jogar.

Ele foi desenvolvido pelo estúdio sueco Simogo, conhecido por games mobile com bastante experimentação em design e jogabilidade, como "Device 6" e "Year Walk". E, apesar de lembrar o clássico cult de Dreamcast e PS2 "REZ", ele vai além de um jogo "sob os trilhos" de ritmo e introduz o conceito de "Videogame Álbum Pop". É uma experimentação interessante de música e game.

Para ouvir e jogar

Porém, para entender melhor "Sayonara Wild Hearts" é preciso falar de álbuns visuais, um formato que não é novo no mundo da música: são uma série de videoclipes conceituais lançados por artistas ou bandas para representar as faixas de um disco, podendo até formar um filme.

Pink Floyd (The Wall), Daft Punk (Interstella 5555), Beyonce (Lemonade) até Metallica (Hardwired... to self-destruct) já fizeram uso desse recurso para promover um disco específico. Sayonara Wild Hearts é exatamente isso, mas em formato de videogame.

Cada uma das fases do jogo representa uma faixa do álbum Sayonara Wild Hearts transformada em um videoclipe interativo. Game design, visual e jogabilidade funcionam para potencializar a experiência da música. E, olha, dá muito certo na grande maioria das vezes.

Por serem representações visuais interativas das faixas do álbum, as fases são bem curtas, podendo durar de alguns segundos até pouco mais de três minutos, o que pode ser frustrante por deixar a sensação de acabar antes da hora.

No total, "Sayonara Wild Hearts" termina com cerca de uma hora de jogatina. O que faz sentido por ser, também, a duração de um álbum de música. Ainda assim, ele entrega uma experiência realmente única em videogames, que impacta pela estética, pelas cores e, principalmente, pela criatividade.

Um exemplo disso é a fase-faixa "Parallel Universes", em que as batidas da música e estalar de dedos das personagens são traduzidos no level design, que casa música e gameplay de forma desafiadora e inventiva.

Um jogo Pop

O álbum Sayonara Wild Hearts é bem pop e, nos dias atuais, uma das divas desse gênero musical é Beyonce. Não à toa, em 2016 a cantora lançou o já seminal álbum Lemonade junto com um filme de mesmo nome, reunindo os videoclipes das músicas em um álbum visual que é tão impactante quanto as músicas.

A Limonada sonora de Queen B também é uma diversidade de estilos: do rock de Don't Hurt Yourself, o pop de All Night até o hip hop de Formation, o que também é retratado nos vídeos dessas músicas.

Embora "Sayonara Wild Hearts" tenha uma temática bem uniforme em sua estética e até na composição das fases, ele segue a diversidade de Lemonade na jogabilidade. O game não tem medo de experimentar em estilos nas fases: terceira pessoa, primeira pessoa, mecânicas de tiro, de ritmo com Quick Time Events e de corrida.

Um das várias mecânicas é de jogos de corrida - Reprodução
Um das várias mecânicas é de jogos de corrida
Imagem: Reprodução

Poderia muito bem ser uma bagunça, mas não é, porque cada momento do jogo foi tão milimetricamente construído e pensado durante os quatro anos em que ficou em desenvolvimento, que não seria possível outra opção para transmitir a ideia dos criadores.

O game subverte a expectativa a cada fase, apresenta mecânicas que descarta logo em seguida e faz com que mecânicas ganhem significado, em vez de serem simplesmente um meio de interação.

"Sayonara Wild Hearts" ainda faz tudo isso sem deixar o videogame de lado e conta com desafios e segredos para voltar às fases em busca de mais corações e alcançar o rank mais alto. Pena que isso também faz com a experiência perca muito do impacto, porque quando visto estritamente como desafio de coordenação e obstáculos, o game não tem nada de extraordinário.

Claro que tem aquela fase com a sua música preferida e, nesse caso, rejogar é o equivalente a colocar a música no repeat do Spotify.

Cada frame é uma dança - Reprodução
Cada frame é uma dança
Imagem: Reprodução

"Sayonara Wild Hearts" é uma daquelas experiências inventivas e breves que aparecem de vez em quando, mas que marcam de uma forma que muitos grandes lançamentos só sonham em ter.

Isso já aconteceu com games como "Journey", "Gone Home" e "Inside", por exemplo. Agora, é a vez de um videogame álbum pop com narrativa cheia de simbolismo baseado em cartas do tarô, em que a música e, principalmente, corações selvagens, nunca morrem.

Divulgação
Imagem: Divulgação
"Como jogo, Sayonara Wild Hearts é um excelente álbum de música, e vice-versa. Uma experiência audiovisual interativa que não é menos videogame por causa disso"

Lançamento: 19 de setembro de 2019
Plataformas: PS4, Nintendo Switch e Mobile (iOS)
Preço sugerido: R$ 50
Classificação Indicativa: Livre
Desenvolvimento: Simogo
Produtora: Annapurna Interactive

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*Review feito com uma cópia da versão de Switch cedida pela Nintendo

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