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Cauê Moura já foi rato de lan house e competia jogando "Counter-Strike"

O youtuber e apresentador Cauê Moura passou por Atari, Master System, Super Nintendo... e hoje prefere jogar no PC - Divulgação
O youtuber e apresentador Cauê Moura passou por Atari, Master System, Super Nintendo... e hoje prefere jogar no PC Imagem: Divulgação

Bruno Dias

Colaboração para o START

11/08/2019 04h00

A história de Cauê Moura com os games é um relato da geração nascida nos anos 80. Bem antes de se apaixonar por jogos de tiro como "Counter-Strike" e "Battlefield" - títulos que ajudaram no sucesso do youtuber na web -, ele curtia consoles como Super Nintendo e Nintendo 64. Mas a primeira tragédia veio com o Atari.

"Devia ter uns 5 anos de idade quando caiu a energia elétrica em casa e, pra entender como funcionava, mexi na chavinha de voltagem, queimando o videogame. Fiquei sem Atari. Foi meu primeiro trauma da vida", lembra o youtuber e apresentador do Poucas, no UOL, hoje com 31 anos.

A segunda frustração veio anos depois. "Entraram na minha casa e furtaram o meu Super Nintendo. Também foi um trauma, mas tinha acabado de ganhar o meu Nintendo 64, que estava no outro cômodo e o cara não viu. Saí ganhando muito."

Até tenho hoje um PlayStation 4 e um Nintendo Switch, mas eles viraram peso de papel. Sempre volto pra casa morrendo de saudade dos meus PCs
Cauê Moura, youtuber

Atualmente, Cauê Moura praticamente não joga mais nos consoles, mas tem três PCs com placas de vídeo "pica" que ficam na casa dele e no QG do "Desce a Letra". Mas nem sempre foi assim.

"Sou um cara de família de classe média que demorou bastante pra ter um PC legal. Passei muita raiva com meus primeiros computadores porque não conseguia rodar os títulos da época. Lembro até hoje quando consegui comprar um computador com uma placa de vídeo mais legalzinha, quando comecei a jogar títulos que estava há muito tempo querendo jogar", relembra o youtuber.

Rato de Lan House

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Imagem: Divulgação

No começo dos anos 2000, as lan houses eram a segunda escola dos gamers, principalmente com a explosão de "Counter-Strike". E não foi diferente com Cauê, que na época morava em Jundiaí, interior de São Paulo. "Vivia em lan house, jogava o tempo todo. Fiz parte do time da minha lan, era meio que patrocinado. Cheguei a viajar pra algumas cidadezinhas do interior de São Paulo pra jogar competitivo", remonta o youtuber.

Tenho muito carinho, foi meu primeiro sucesso na vida. Eu, com 14 anos, sendo chamado pro time, isso foi mega especial, me sentia um rockstar.[risos]
Cauê Moura, sobre a época do Counter-Strike

"A gente levava a sério, reunia pra discutir tática e estratégia, jogava horas e horas, fazíamos os corujões. Algumas lans ainda faziam promoções onde você podia entrar de manhã e ir até a tarde. Cheguei a emendar uma na outra, jogar da meia-noite até 8h da manhã, parar pra comer um pastel na feira, entrar às 10h e ficar até às 14h, só no 'Counter-Strike'."

Mesmo não jogando mais "Counter-Strike" como antigamente, Cauê Moura segue apaixonado pelos jogos de FPS. Além do "CS", o youtuber também tem um carinho especial por "Battlefield".

"Tinha uma série que eu fazia no canal, que se chama 'Cena #VISH', onde a galera mandava suas cenas de 'Battlefield'. Recebia milhares de vídeos e fazia o Top 10, era uma parada mega consagrada", orgulha-se Moura. "'Counter-Strike' foi meu primeiro FPS, depois fiquei bem ligado a esse gênero pro resto da vida. Joguei muito 'CS', muito 'Battlefield', mais recentemente 'Overwatch'. Agora tenho gostado dos Battle Royale, tenho jogado 'Fortnite'."

the legendary @ninja

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A lan house virou arena

Por causa do rumo profissional que a vida o levou, Cauê Moura teve o privilégio de ser o host de dois grandes eventos de "Counter-Strike" no Brasil: a BLAST Pro Series São Paulo e a ESL One Belo Horizonte.

"Isso foi meio que história de Cinderela. Ter amado tanto o jogo quando era moleque e aí você ser chamado para ser o host dentro da arena. No Ginásio do Mineirinho devia ter umas 11 mil pessoas. No Ginásio do Ibirapuera, pra BLAST Pro Series, com umas 8 mil pessoas. Foram paradas que me marcaram muito, uma das experiências mais legais da minha vida, poder participar e interagir com todos os profissionais, com os atletas de eSports que sou fã", recorda Moura.

Ele diz que ainda acompanha os campeonatos de "CS:GO" e já torceu para os caras das SK mais do que pro Corinthians. "Gosto muito do cenário competitivo de 'CS' como um todo, pra mim foi um grande prazer poder conhecer esses caras. Quem me passou o convite pra ser host da BLAST foi o Coldzera. Já joguei com o FalleN numa stream dele, pra mim é mega especial ter essa relação com o pessoal do 'Counter-Strike'."

Cauê Moura na apresentação da BLAST Pro Series de Counter-Strike, em São Paulo - João Ferreira/BLAST
Cauê Moura na apresentação da BLAST Pro Series de Counter-Strike, em São Paulo
Imagem: João Ferreira/BLAST

Quando falou com o START, Cauê Moura tinha praticamente acabado de voltar da Copa do Mundo de "Fortnite", realizada em Nova York, nos Estados Unidos. Competição que, ao todo, distribuiu US$ 30 milhões (cerca de R$ 114 milhões), e teve Kyle "Bugha" Giersdorf, de 16 anos, pro player da Sentinels, como grande campeão na categoria solo, levando pra casa a premiação de US$ 3 milhões (R$ 11,3 milhões).

O youtuber brasileiro foi um dos convidados do evento beneficente Pro-Am, que reúne profissionais e amadores (influenciadores e celebridades), e acontece juntamente com a Copa do Mundo.

"Arrecadamos uma grana pra caridade. Só de ter participado foram doados US$ 20 mil, a gente escolheu instituições de resgate de animais. Foi muito especial por causa disso", explica Moura, que ficou impressionado com a estrutura montada para as finais. "Uma arena de Battle Royale precisa de uns 100 PCs, era uma arena de dois andares com 50 máquinas em cada andar, dentro do estádio onde acontece o US Open de tênis [Arthur Ashe Stadium, no bairro do Queens]. Foi completamente surreal, cara. Uma experiência pra guardar pro resto da vida. A transmissão ao vivo bateu 2 milhões de espectadores, foi um negócio completamente absurdo."

Arena da Copa do Mundo de Fortnite, em Nova York - Johannes Eisele/AFP
Arena da Copa do Mundo de Fortnite, em Nova York
Imagem: Johannes Eisele/AFP

"Jamais ia acreditar [nisso tudo que tá rolando]. Aliás, é um pensamento, um assunto muito recorrente, toda essa cena atual dos eSports ela é extremamente futurista. Hoje tá aí a indústria do game faturando mais do que a do cinema, é um negócio que é difícil de acreditar. Faço parte dessa última geração que viu essa transição. Todo mundo que nasce agora já vai ter o game como uma realidade, já não vai achar estranho ligar a TV e ver videogame na ESPN."

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Top 5 jogos da vida

Série "Max Payne"

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Imagem: Divulgação

"Pra mim, o 'Max Payne' foi meu primeiro contato com jogo que tinha um roteiro dramático, que tinha essa carga emocional, um pai de família que perdeu filha e esposa, e agora quer vingança. Foi a primeira vez que consegui ver essa parada que só o cinema proporciona construída dentro de um videogame. Sempre fui muito fã de 'Max Payne', joguei o 'Max Payne 2: The Fall of Max Payne' e, quando a rockstar lançou o 'Max Payne 3', joguei obsessivamente. Adoro, é um dos meus jogos favoritos até hoje".

"The Elder Scrolls V: Skyrim"

Divulgação - Reprodução
Divulgação
Imagem: Reprodução

"Também tatuei e tudo, porque dispensa comentários. 'Skyrim' tem um enredo muito aprofundado e também proporciona muitas e muitas horas, toda a customização. É um jogo tão profundamente incrível em todos os aspectos".

"Counter-Strike"

"Vou ter que colocar, com certeza. Nem jogo mais hoje, mas tem uma importância muito grande na minha vida e história por causa desse lance de cultura de lan house, amigos que fiz por causa do jogo".

Série "NBA 2K"

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"É o grande responsável por hoje eu ser completamente obcecado por basquete. Achava basquete legal, mas só fui realmente entender, gostar e aprender por causa do videogame. Já viajei pra Miami e Nova York só pra ver jogo de basquete, tudo por causa do 'NBA 2K'".

Série "Battlefield"

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"Foi o que marcou a época em que comecei a produzir conteúdo de games. Tinha um canal no YouTube, na época do boom dos canais de gameplay, comecei a fazer vídeos 'Battlefield 3' que bombavam. Vídeos com 500, 600 mil acessos. Por causa disso, acabou me rendendo um convite por parte da EA, quando foi lançar o 'Battlefield 4', eles me levaram pra E3 só pra jogar exclusivamente e fazer vídeo sobre isso e tal. Foi também um negócio muito especial".

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