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Wolfenstein: The New Order

Pablo Raphael

Do UOL, em São Paulo

20/05/2014 14h01

Seria fácil fazer mais um jogo de tiro com nazistas correndo para lá e para cá, balas para todos os lados e quem sabe um Hitler robótico na tela final. Ainda bem que a MachineGames optou por um caminho mais difícil e elaborado em "Wolfenstein: The New Order", criando uma divertida aventura em primeira pessoa, com cenários e situações variadas.

"The New Order" é uma surpresa e tanto no lento começo de 2014. Um jogo de tiro em primeira pessoa com um enredo aceitável, que se esmera em entreter o jogador ao longo de suas 16 missões (32 se você considerar as 2 campanhas necessárias para ver tudo que o game tem para oferecer), com um divertido sistema de combate e evolução.

Para um jogo da mais antiga série do gênero, o "Wolfenstein" do estúdio MachineGames é um dos melhores episódios até o momento, digno de figurar ao lado de "Return to Castle Wolfenstein" e "Wolfenstein 3D" nas lembranças dos fãs inveterados.

Introdução

"Wolfenstein: The New Order" traz a clássica franquia de tiro em primeira pessoa para os consoles de nova geração PlayStation 4 e Xbox One - mas também conta com versões para PC, PS3 e Xbox 360, sendo que as duas últimas se diferenciam das demais apenas pelos gráficos não tão bonitos.

O jogo se passa em uma linha do tempo alternativa onde os nazistas venceram a Segunda Guerra Mundial e agora dominam o mundo. O ano é 1960 e o herói B.J. Blazkowicz precisa se unir aos rebeldes membros da Resistência para derrubar o império maligno.

"The New Order" combina tiroteios frenéticos, exploração e até trechos de plataforma e futilidade com um roteiro que varia entre o drama, romance e a comédia (não intencional?), bons motivos para jogar mais de uma vez e um ótimo desenvolvimento do universo "Wolfenstein" - uma das vantagens do game não ter multiplayer, sendo focado apenas na campanha solo.

Pontos Positivos

Tiroteios frenéticos

Este novo "Wolfenstein" consegue transmitir ao jogador a mesma sensação de satisfação e poder do icônico “Wolfenstein 3D”, quando você equipa uma metralhadora giratória e transforma inimigos em carne moída. Também consegue divertir pela variedade de armas e pelos combates intensos e, quem diria, desafiadores.

Como todo bom shooter moderno, "The New Order" conta com um sistema de cobertura, essencial na hora de recuperar um pouco de energia - não há uma regeneração completa como em "Call of Duty", aqui é preciso recolher kits de primeiros socorros e armaduras para se curar.

Porém, o sistema de evolução e as Conquistas/Troféus estimulam o jogador a sair da cobertura e partir para a ação, no melhor estilo Blazkowicz. Você evolui o soldado não através de experiência, mas mostrando serviço em categorias como Assalto, Furtividade e Demolição.

Os pré-requisitos incluem tarefas como "Com um fuzil em cada mão, elimine três inimigos sem tirar os dedos dos gatilhos", o que incentiva o jogador a abandonar o costume de se proteger (que funciona, mas é tedioso) e ir para a linha de frente no melhor estilo Blazkowicz.

Enredo bem desenvolvido

O game começa na Segunda Guerra Mundial e, sem estragar as surpresas, passa para a década de 1960 em uma realidade alternativa, onde os nazistas venceram e dominaram o mundo. Lá, Blazkowicz se une à Resistência e luta contra o império maligno, libertando prisioneiros e invadindo instalações militares.

O personagem é bem desenvolvido, assim como os coadjuvantes e suas relações. A história é sangrenta, mas em alguns momentos é bem inocente e até engraçada e, às vezes, chega a ser tocante. Blazkowicz ganha até um par romântico - com direito a cenas de sexo e beijos apaixonados, quem diria.

Muito do enredo é revelado nos estágios dentro da base da Resistência. São cerca de quatro episódios praticamente sem armas em punho, onde o jogador explora o quartel e conversa com os outros personagens, pegando itens ocasionalmente aqui e ali.

Vale jogar mais uma vez

É importante observar que essa história muda conforme uma escolha feita no primeiro capítulo de "The New Order" - que define também qual tipo de exploração o jogador vai aprender - e para ver tudo que este “Wolfenstein” pode oferecer, é preciso jogar ao menos mais uma vez (quem sabe em uma dificuldade maior?).

O jogo conta com portas que só podem ser destrancadas em uma das linhas do tempo, através de um minigame de arrombar fechaduras. Há também cofres e passagens que só são abertas com outro minigame disponível apenas na outra linha temporal.

Há também os códigos Enigma, que precisam ser encontrados e depois decifrados pelo jogador, itens colecionáveis variados, que apresentam o universo alternativo de "The New Order" e expandem idéias mencionadas pelos personagens. Por fim, quatro modos de jogo extras dão motivos para voltar e e encarar a aventura novamente.

Pontos Negativos

Burrice artificial

Uma das maiores novidades deste "Wolfenstein" em relação aos anteriores são as missões furtivas. É engraçado imaginar um brutamontes como Blazkowicz agachado atrás dos inimigos, com uma pequena faca em punho ao invés de sair chutando portas e massacrar os nazistas com disparos de metralhadora.

Mas são missões que poderiam ser bem legais. Há um medidor de ruído que indica a posição aproximada dos alemães e as execuções são bem violentas, combinando com o estilo do game. Porém, os padrões de vigia dos inimigos não são nada complexos e muitas vezes eles dão de cara com o jogador, apenas para comentar “Acho que vi alguém ali” e ficar por isso mesmo, voltando para seus deveres e esperando a faca chegar até o pescoço.

Durante o combate, ao menos na dificuldade média, alguns inimigos se comportam de maneira estúpida, revelando sua posição e não fazendo nada além disso. O nazista atrás da porta se abaixa, aparece no vão e aponta a arma, para em seguida voltar para trás da cobertura, mas deixando metade do corpo de fora. Curiosamente, isso acontece mais com inimigos isolados do que quando eles estão em grupos. Nessas horas, a quantidade de soldados atirando contra você torna tudo mais satisfatório e divertido.

Nota: 8 (Ótimo)

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