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Ricardo Feltrin

Ibope 2021: TV aberta segue ladeira abaixo, mas streaming "brilha"

Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

05/10/2021 11h16

Embora ainda seja bastante relevante no país, dado que é a única forma de entretenimento domiciliar para boa parte dos brasileiros (que estão ou na linha da miséria ou pouco acima dela), as TVs abertas continuam a ver seu público murchar a cada dia que passa.

É o que mostram dados exclusivos de um estudo obtido por esta coluna, nesta terça (05), com a comparação de público das TVs abertas, paga e do streaming entre janeiro e setembro deste ano e de 2020.

Os números foram medidos pela Kantar Ibope, mas o estudo é de terceiros.

Cada vez menos "share"

Tanto em pontos de ibope como em "share" (a participação de cada TV ou mídia no universo de aparelhos ligados ("share"), nas 24 horas do dia, os números mostram que Globo, SBT, Band e RedeTV e TV paga perderam ainda mais público.

A Record foi a única que não caiu, mas cresceu pouco.

Na média de ibope do país (15 maiores regiões metropolitanas), cada vez menos TVs estão sintonizando tanto TVs abertas como pagas.

As porcentagens vão de -2% para a Globo (repetindo, janeiro-setembro de 2021 comparado com 2020), até -22% para a RedeTV.

O SBT perdeu 13% de seu "share" em um ano. A Band, 11%. Os canais pagos, 16%.

Perda de pontos

Em pontos a perda nos nove primeiros anos de 2021 são respectivamente: RedeTV (-25%), canais pagos (-19%), SBT (-16%), Band (-14%) e Globo (-6%). Aqui a Record teve um ligeiro ganho de 4%.

Porém, a Globo segue numa posição de absoluta folga em relação à concorrência: um terço das TVs brasileiras segue sintonizando o canal da família Marinho 24 horas por dia. Isso mesmo: são quase 33% de "share" nas 24 horas do dia.

Horário nobre

Na faixa mais valiosa das TVs para a publicidade, o tal horário nobre, não foi diferente.

Quase todo mundo perdeu TVs ligadas, com exceção da Record (que cresceu 11%) e dos serviços de streaming, que cresceram incríveis 33%.

Entre 18h e meia-noite, a Globo perdeu 4% de "share"; o SBT perdeu 12%; a Band viu sumir 15%; a RedeTV, 21%; os canais pagos caíram 14%.

Importante notar que, entre 2021 e 2020, o total de TVs ligadas no país nas 24 horas também oscilou para baixo: de 38% para 37%.

Streaming por cima da carne seca

Enquanto isso, os serviços de streaming (inclusive Globoplay) continuam com fôlego.

Na comparação 2021 com 2020, o "share" desses serviços cresceu nada menos que 34%.

Em pontos, os streamings subiram 29% (+1,4 ponto ponto de ibope) no país: passaram de 4,7 pontos no ano passado para 6,1 pontos neste, em média.

Como esta coluna já publicou com exclusividade no ano passado, o streaming tem hoje o segundo maior público da TV, só atrás da Globo (32,8%).

Supera os canais pagos e a Record (ambos 12%), SBT (10,1%), Band (2,9%) e RedeTV (1,1%).

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